A Festa da Páscoa

A Páscoa é uma festa universal onde os homens, independente de credo e origem, comemoram o renascimento da vida.

Através de informações históricas e inúmeras lendas foi possível estabelecer que a primeira Páscoa foi comemorada pelos hebreus no século 13 antes de Cristo. Esta é também a primeira versão sobre a Páscoa com um sentido religioso. Moisés, antes de lançar as últimas das sete pragas sobre o Faraó do Egito, que não concordava em libertar seu povo, ordenou que cada família do povo hebreu tomasse um cordeiro ou cabrito e oferecesse em sacrifício no dia 14 do mês lunar de Nisan, o que equivale, para nós, a 2 de abril. O sangue do animal deveria ser espalhado nas portas de suas casas para que o anjo do Senhor, ao passar, os reconhecesse. A carne do cordeiro ou cabrito deveria ser comida assada, com pães ázimos e ervas amargas.
Assim, Pessach (a passagem) tomava um sentido de libertação e de nova era para o povo hebreu.
Muito difundida, também, é a versão de que a Páscoa teria origem entre os povos nórdicos, não com sentido religioso, mas como uma manifestação coletiva de agradecimento a terra pelas colheitas e, ao mesmo tempo, uma maneira de festejar a chegada da primavera. Segundo essa versão a Páscoa seria uma festa de prosperidade.
Os chineses também comemoraram a Páscoa como uma festa que anuncia a chegada da Primavera. Existem muitas lendas afirmando que o costume de dar ovos como presente surgiu na China, pois os ovos simbolizam a origem da vida.
Os ocidentais que visitaram a China, principalmente os missionários, trouxeram o hábito de presentear os amigos com ovos cozidos e coloridos.
No século XVIII, a igreja adotou oficialmente o ovo como símbolo da ressurreição de Cristo, santificando assim um costume originalmente pagão.
Durante algum tempo os ovos foram feitos de açúcar e depois enfeitados. E, a partir de 1828, quando a indústria de chocolate começou a se desenvolver, apareceram os ovos de Páscoa modernos.
As lendas também dizem que, ao lado dos ovos de Páscoa, aparece o coelho escolhido entre tantos bichos para simbolizar o fenômeno da fecundação, da fertilidade.

Fonte: Folha de São Paulo – 1995

 

(Texto extraído da apostila Cotovia, que é uma publicação dirigida aos educadores da Educação Infantil da Secretaria de Educação e Cultura da Prefeitura da Estância de Atibaia e interessados na proposta aqui apresentada. Ano I – nº1 – março/2006)

Fonte: Festas Cristãs

Tecendo o fio do destino 2011

Tecendo a Manhã

Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito de um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.


E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendendo para todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão.

João Cabral de Melo Neto

Cada um de nós nasce com um destino, não como um livro previamente escrito em que cada ato nosso está previsto, mas como uma missão a nós confiada. Isto faz com que a vida tenha um sentido e, muitas vezes, sofremos com angústia ou depressão por não percebê-lo claramente. Os fatos de nossas vidas estão aí para que encontremos o Fio do Destino que, junto com o nosso livre arbítrio, tece os acontecimentos tanto no nosso mundo interior quanto na nossa vida nas comunidades em que vivemos.

Este curso tem o objetivo de buscar o fio do destino de cada um, desembaraçá-lo, tecê-lo de forma diferente, mais confortável, mais de acordo com o sentido que queremos dar para nossas vidas. Para isso trabalharemos com fatos de nossas próprias vidas. Este trabalho será feito com palavras e arte. Ninguém precisa ser artista ou ter conhecimentos prévios de Antroposofia para participar, é claro.

Muitas das questões que nos colocamos hoje são percebidas de modo diferente quando as situamos no contexto mais amplo da vida toda. A troca de experiências de vida num grupo é enriquecedora e suaviza os sentimentos ligados a essas experiências.

Coordenado por:

  • Nina Veiga

Educadora Waldorf e Psicopedagoga artística, mestre em linguagem e cultura.

  • Marcelo Guerra

Médico Homeopata e Terapeuta Biográfico.

Onde e quando?

Em São Paulo, no Centro Paulus, de 29 de abril a 1º de maio de 2011.

Quanto?

  • R$840,00, em quarto individual;
  • R$920,00, em suíte individual.

(O preço inclui os honorários e deslocamento dos coordenadores, os materiais usados durante o workshop, a divulgação, a hospedagem e a alimentação. A inscrição é efetivada com o depósito de R$200,00 e o restante deverá ser pago durante o curso com 4 cheques pré-datados. Não haverá devolução da taxa de inscrição em caso de desistência. Nos reservamos o direito de cancelar o curso se não houver o número mínimo de inscritos.)

Escreva para marceloguerra@terapiabiografica.com.br para mais informações. Ou ligue para (11)6463-6880.

Faça sua inscrição online, clicando aqui.

Bullying – essa “brincadeira” tem consequências

Bullying: “brincadeira” com consequências

 

No dia 7 de abril de 2011, o mundo foi vítima de mais uma matança em escolas, desta vez no Brasil. Um ex-aluno entrou numa escola municipal em Realengo, zona Oeste do Rio, e promoveu um massacre. Este ex-aluno, segundo as pessoas que o conheceram, tinha um comportamento que leva a supor que sofria de alguma doença mental. O que é certo é que sofria de bullying, como afirmaram 2 ex-colegas de turma. Assim como os rapazes que promoveram o massacre em uma escola em Columbine, nos Estados Unidos, que depois gerou o documentário “Tiros em Columbine”.

O bullying sempre existiu nas escolas, mas nem sempre foi encarado como um problema. Há algumas décadas atrás era considerado “coisa normal de crianças”. Aquelas que divergissem um pouco da média eram as vítimas preferenciais. Hoje o bullying tem sido denunciado, mas está bem longe de ser controlado.

Na mesma semana, dois outros casos envolvendo bullying povoaram os jornais. Uma estudante universitária de enfermagem que denunciou as agressões que sofria à direção da faculdade, em Ribeirão Preto, foi agredida por uma colega com o capacete de motociclista. E um aluno de 15 anos de uma escola do sertão de Alagoas passou por uma sessão de três minutos de tapas na cara por ser homossexual. O bullying não respeita fronteiras nem nível social.

No ambiente escolar é muito importante para a criança e o adolescente fazer parte de um grupo, ser aceito e apoiado por ele. Quem sofre bullying sente-se excluído, e geralmente reage com um sentimento de minusvalia que pode influenciar sua vida em seus aspectos emocional, social e profissional, não só no momento em que sofre a agressão, mas por muitos anos no futuro. Cria-se um sentimento de inadequação, de não pertencimento, que mina sua autoconfiança e o faz sentir-se inferior. Algumas vezes esse sentimento de inferioridade pode gerar uma reação violenta e, se somar-se a um transtorno grave e não tratado de personalidade, um massacre como esse.

No Ensino Médio, estudei em uma escola particular de Niterói, e morava em São Gonçalo. Eu e muitos colegas que vínhamos da cidade vizinha sofríamos todo tipo de gozações, até mesmo por parte de professores. Algumas inócuas, outras bem agressivas. Um de nossos colegas sofria mais perseguições pois, além de gonçalense, era negro (o que era uma exceção numa escola de classe média de Niterói à época) e obeso. Não eram só piadinhas, eram tapinhas na nuca, tomar seus cadernos e jogar no chão, colocar o pé na frente para derrubá-lo. Os inspetores, pomposamente chamados de ‘auxiliares de comunicação’, limitavam-se ao ‘não faça isso de novo’. Ele tornou-se mais tímido do que no início do ano. Um dia ele surrou o colega mais insistente nas provocações, e foi suspenso das aulas pela atitude violenta.

O bullying sofrido pelo meu colega tinha as três características que o definem: era alvo de agressões e comentários negativos, as agressões eram repetidas e havia um suposto desequilíbrio de poder entre os colegas. Nem sempre o bullying é tão evidente, ele pode acontecer por meio de intrigas, espalhando comentários entre colegas (e a internet, através das redes sociais, pode ser um veículo para isso), ou evitando falar com a pessoa que é vítima de bullying, até mesmo porque quem se aproxima da vítima também é hostilizado. Os temas mais usados pelos agressores são a forma física (‘baleia’, ‘esqueleto’, ‘sem-bunda’, ‘baixinho’, ‘pintor-de-rodapé’, ‘caolho’), a etnia (‘crioulo’, ‘branco-azedo’, ‘japa’) e a religião (‘crente’, ‘papa-hóstia’, ‘macumbeiro’).

Os agressores buscam, através das provocações, dominar um grupo, numa estrutura de poder semelhante ao de animais na selva. É preciso que o bullying não seja tolerado como ‘coisa normal’, que se estimule o agressor a buscar sua própria humanidade, e a arte é o melhor instrumento para isso. E a vítima precisa ser amparada e protegida pela escola e por psicoterapia, não exposta ainda mais aos agressores, para que possa ter a real percepção de si, e não aquela imagem perniciosa que o bullying insiste em fazê-la acreditar.