Arquivos da categoria: antroposofia

Meditação de Micael

Michael1-722x1024

Temos de erradicar da alma todo o
medo e o terror do que o futuro possa
trazer ao homem.
Temos de adquirir serenidade em todos
os sentimentos e sensações a respeito do futuro.
Temos de olhar para a frente com
absoluta equanimidade, para com tudo
o que possa vir, e temos que pensar,
somente, que tudo o que vier nos será
dado por uma direção mundial plena de
sabedoria.
Isto é a parte do que temos de aprender
nesta era, a saber:
Viver com pura confiança, sem qualquer
segurança na existência; confiança na
ajuda sempre presente do mundo espiritual.
Em verdade, nada terá valor se a coragem
nos faltar.
Disciplinemos nossa vontade e busquemos
o despertar interior todas as manhãs e
todas as noites.

Rudolf Steiner

A Individuação segundo Goethe

goethe.jpg

“Quem sou eu? O que eu fiz? Eu recolhi tudo aquilo que observei e aprendi. Minhas obras foram alimentadas por uma multidão de indivíduos diversos, de ignorantes e sábios, de sagazes e tolos. Infância, idade madura e velhice – todas vieram me oferecer seus pensamentos, seus poderes, sua maneira de ser. Muitas vezes recolhi aquilo que outros semearam. Minha obra é a de um ser coletivo e leva o nome de Goethe.”

(17 de Fevereiro de 1832)

“Conversações com Goethe” by Johann Peter Eckermann.

Dança da paz

imagem-roda-da-paz-pablo-picasso1

Germinam desejos da alma
Crescem ações do querer
Amadurecem frutos da vida.

Eu sinto meu destino,
Meu destino me encontra.
Eu sinto minha estrela,
Minha estrela me encontra.
Eu sinto minhas metas,
Minhas metas me encontram.

Minha alma e o mundo são somente um.

A vida, fica mais clara ao meu redor,
A vida, fica mais difícil para mim,
A vida, fica mais rica em mim.

Aspire a paz,
Viva em paz,
Ame a paz.

Rudolf Steiner

Psicoterapia Antroposófica

 rs18.jpg

Linha alternativa de abordagem psicoterápica com base na filosofia criada pelo pensador austríaco Rudolf Steiner, no final do século XIX. Baseando-se nos estudos esotéricos da Helena Petrowna Blavatski e na teoria filosófica de Goethe, Steiner criou a Antroposofia suas inúmeras aplicações em todas as áreas do conhecimento humano (Medicina, Farmácia, Arquitetura, Engenharia, Dança, etc). A Psicologia Antroposófica foi uma lacuna deixada por Steiner e que passou a ser preenchida na segunda metade do século passado por autores como Rudolf Treichler e seu filho Markus Treichler, porém sem conformar-se ainda como uma teoria completa. Uma das grandes contribuições para o entendimento da Psicologia Humana é o estudo da Biografia. No Brasil, a médica alemã Gudrun Burckhart desenvolveu centros de estudo biográfico, como o Artemísia em São Paulo, onde pessoas se propõem a passar um final de semana ou um semana, revendo em grupo o curso de suas vidas. Como psicoterapia propriamente dita, a Antroposofia ainda conseguiu se definir até o momento. O que se vê é que existe uma tendência forte em unir as idéias antroposóficas à outras linhas pré-existentes, variando muitíssimo de terapeuta para terapeuta. Terapias coadjuvantes ligadas à Antroposofia podem ser muitos úteis, quando associadas a uma psicoterapia: Massagem Rítmica, Eurithmia Curativa e Terapia Artística, por exemplo. A própria medicação antroposófica (homeopática, fitoterápica ou alquímica) facilita muitíssimo o desenrolar do processo psicoterapêutico, seja em que linha for.

Artigo escrito por Dr. Bernardo Lynch de Gregório

A valorização do homem

sonho1.jpg

Diversas áreas do conhecimento aplicam no seu dia-a-dia a antroposofia, uma filosofia criada no começo do século passado pelo austríaco Rudolf Steiner. De uma maneira geral, esta linha de pensamento defende o melhor relacionamento do ser humano consigo mesmo, com a natureza, respeitando sua individualidade, seu espírito e sua criatividade. Até mesmo no setor de Recursos Humanos das grandes empresas esta filosofia vem norteando muitos projetos, valorizando as características peculiares do trabalhador e o tratando como membro de uma grande comunidade.

Estamos mergulhando novamente na valorização do homem. Vivemos na era do conhecimento, um retorno à natureza divina, onde o ser humano deve estar no centro de tudo. A tecnologia pode substituir tarefas pesadas do cotidiano da sociedade, mas jamais conseguirá substituir a criatividade do homem. Esta valorização do bem-estar, da felicidade, da satisfação e do prazer buscam justamente reforçar a idéia de que nada é mais importante do que a plenitude do homem. Somente um ser humano feliz, cheio de amor e de tesão pela sua vida e pelas suas funções, desempenhadas diariamente, pode construir uma sociedade mais justa e mais fraterna. Uma sociedade onde possamos sentir que somos um prolongamento do irmão que está desempregado, ou com fome, ou desiludido, ou depressivo, ou contaminado pelo vírus do ódio, da cobiça e do ressentimento. Um homem feliz e que ama jamais pode cometer mal a quem quer que seja.

O ataque terrorista em Madri chocou todo o mundo. Impossível não derramar lágrimas com a brutalidade de uma ação perversa que mata e aleija tantas pessoas inocentes a troco da promoção do terror e do ódio contra raças e ideologias. Quando conseguirmos despertar nos seres humanos o amor e o carinho pelo próximo, reforçando a noção da grande família cósmica e divina sentiremos a mesma dor dos parentes que perderam seus entes queridos. Sentiremos vergonha e dor quando assistirmos uma criança tirando comida do lixo, um mendigo se embriagando com cachaça para fugir da dureza do seu dia-a-dia. Sentiremos a dor do suicida que perdeu a fé e a esperança em dias melhores, fraquejando frente a problemas criados por uma sociedade injusta, que privilegia o dinheiro e o poder em detrimento do amor e da solidariedade.

Precisamos buscar fazer nossa parte e contribuir para que o sol nasça mais bonito todos os dias e que tenhamos motivos de sobra para dar um bom dia, com um belo sorriso no rosto, para o primeiro desconhecido que passe por nós. Se plantarmos e soubermos promover o amor e a felicidade e nos preocuparmos com os outros da mesma forma que nos preocupamos com um irmão de sangue vamos amenizar tanta onda de ódio e de ganância que destrói a sociedade.

A antroposofia, como outras linhas filosóficas, busca reforçar a reflexão de que nada é mais importante do que o equilíbrio do homem consigo mesmo e com a sociedade em que vive. Já parou para pensar como você lida com os problemas, frustrações e dificuldades dos que estão próximos. Já parou para ouvir e dar uma palavra ou mesmo um gesto de carinho para aquele desconhecido aflito que você esbarra na fila do banco, no trânsito, no banco do ônibus? Experimente fazer o bem e veja como você se sentirá bem. Uma vela pode acender outra sem se apagar. Espalhe Luz!

(Artigo originalmente escrito em novembro de 2007)

E o sentido da morte?

IMGP6496

O sentido da vida depende do sentido que damos à morte. Se a morte é vista como simples negação da vida e como tragédia biológica, então vale o que São Paulo já dizia: “comamos e bebamos pois amanhã morreremos”.

Mas há culturas que lhe deram um sentido mais alto. Ela é oportunidade de construir o próprio destino e de plasmar o mundo à nossa volta consoante um projeto civilizatório.

O cristianismo, por sua vez, propõe a sua representação da morte. Não contrária à vida, mas como uma invenção inteligente da vida para poder dar um mergulho radical na Fonte de toda vida. A morte não seria um fim-termo mas um fim-meta alcançada, um peregrinar rumo ao Grande Útero paternal e maternal que enfim nos acolherá definitavamente.

Dentro do cristianismo desenvolveu-se, com referência à morte, uma tradição de grande significação e de sentido de festa. Trata-se da tradição franciscana. Francisco de Assis conseguira uma reconciliação bem sucedida com todas as coisas, com as profundezas mais obscuras de nossa vida e com suas dimensões mais luminosas. Cantava a morte como irmã. Não como bruxa que nos vem arrebatar a vida mas como irmã que nos introduz no reino da plena liberdade. Morreu cantando salmos e cantigas de amor da Provence.

Os franciscanos todos guardam esta herança sagrada na forma como celebram a morte de algum confrade, membro da comunidade. A mim, com frade (que ainda sou em espírito) me tocou vivenciá-lo inúmeras vezes. É simplesmente comovedor – uma pequena antecipação do novo céu e da nova Terra – dentro deste já cansado planeta. Ao se aproximar a morte do confrade, toda a comunidade se reune ao redor de seu leito. Recitam-se salmos e orações, infundindo confiança ao moribundo para o Grande Encontro. No dia em que morre, à noite faz-se festa. É a chamada “recreação”. Ai há confraternização, comida, bebida, comentários sobre a saga pessoal do confrade falecido e jogos de vários tipos.

No dia seguinte faz-se o enterro. E à noite, nova “recreação” festiva. O que se esconde atrás desse rito de passagem? Esconde-se a crença de que a morte é o vere dies natalis, o verdadeiro Natal da pessoa, o momento em que acaba de nascer definitivamente. Como não estamos ainda prontos, embora inteiros, cada dia vamos nascendo, progressivamente, até acabar de nascer. Isso dá-se na morte. Esta não é a campa da vida. É seu berço. Quem pode se entristecer com o nascimento da vida? É Natal e Páscoa, magnificação da vida mortal que a partir da morte se eterniza. Portanto, há bons motivos para festejar e celebrar.

O efeito desta compreensão é a desdramatização da morte e a jovialidade da vida. A vida não foi criada para terminar na morte, mas para se transformar através da morte. Esta representa aquele momento alquímico de passagem para uma outra ordem de realidade, onde a vida pode continuar sua trajetória de expressão das infinitas possibilidades que contem, até aquela de poder se fundir com a Suprema Realidade.

Então podemos dizer: não vivemos para morrer. Morremos para viver mais. Melhor ainda: para permitir a ressurreição da carne que é a revolução dentro da evolução.

Grupo de Terapia Biográfica em Belo Horizonte

Você passa a vida buscando um sentido para ela (a vida). Na maior parte do tempo, essa busca é fora, seja aderindo e vestindo a camisa de uma ideologia, comprando, jogando em outra pessoa a responsabilidade pela sua felicidade, e por aí vai. Geralmente quando você olha para dentro de si, esse olhar vai carregado de julgamento, ou admirando-se muito ou recriminando-se como se fosse o pior dos seres humanos que anda sobre a Terra.

Este é um convite para fazer parte de um grupo de Terapia Biográfica que vou coordenar na cidade de Belo Horizonte. O objetivo deste grupo é olhar, junto com os outros participantes, para a própria história, de forma clara e objetiva, sem julgamentos pré-concebidos, para chegar a uma imagem mais nítida de qual o propósito da sua vida.

Este grupo vai funcionar de forma contínua por 8 meses, em que teremos um grupo de discussão só para nós na internet, onde trocaremos mensagens e arquivos, indicações de sites, de livros, filmes, atividades. Uma vez por semana, às terças-feiras, 21:30h, teremos um encontro marcado pelo Skype, onde conversaremos com voz até 22:30h. Você organizará um caderno com fatos da sua vida junto com fotos e lembranças para tornar sua biografia algo vivo diante de você. E um dia por mês teremos um encontro presencial, de 9h às 18h, onde você poderá fazer atividades vivenciais como pintura em aquarela, modelagem em argila, danças circulares e contos de fadas, que ampliarão a compreensão do tema do mês, coroando as discussões com o contato real com o grupo. Para cada tema, teremos um filme para discutir (que assistiremos cada um em sua casa) e alguns textos e músicas para alimentar a discussão.

Nossos encontros presenciais e os temas que iremos abordar são:

  • Infância e família, 27 de agosto de 2011;
  • Adolescência e sexualidade, 7 de setembro de 2011 (feriado nacional, este encontro será em Casa Branca);
  • Vocação e trabalho, 22 de outubro de 2011;
  • Amor e relacionamentos, 26 de novembro de 2011 (este encontro também será em Casa Branca);
  • Amizades, 17 de dezembro de 2011;
  • Dinheiro, 28 de janeiro de 2012;
  • Espiritualidade e morte, 25 de fevereiro de 2012;
  • O mal e o perdão, 17 de março de 2012.

Para participar é necessário ter mais de 21 anos, ter acesso a um computador com conexão à internet e ter vontade de olhar para a própria biografia como quem olha para algo sagrado, que guarda as possíveis respostas para seus conflitos e indecisões.

O grupo, uma vez formado, será o mesmo até o fim do 8° encontro, por isso é importante refletir sobre seu real desejo de participar deste trabalho e evitar inscrever-se pelo impulso. O custo será de R$250,00 mensais, a 1ª parcela será paga através de depósito no Banco do Brasil ag. 0107-4 conta 20222-3 e as demais serão pagas no 1° encontro, com cheques pré-datados. O mínimo de participantes será de 6 pessoas e o máximo, 12. Se não houver o mínimo de inscritos até o 1° encontro presencial, o início poderá ser adiado. Informarei a quem estiver inscrito sobre o andamento das inscrições.

Os encontros presenciais serão na Clínica Diferencial, Rua Tomé de Souza 67 1º andar. Funcionários BH e Condominio Aldeia da Cachoeira das Pedras, em Casa Branca. Tels: (31)3227-0636 (31)3227-3014. O meu e-mail é marceloguerra@terapiabiografica.com.br .

Espero que estejamos juntos! Um abraço,

Marcelo Guerra

Clique aqui para fazer sua inscrição.


Você tem a mente aberta?

Marcelo Guerra

É comum ouvir as pessoas dizerem com orgulho que têm a mente aberta. Mas o que isso significa realmente? Ao entramos em contato com ideias ou situações novas geralmente somamos nossas próprias convicções, que funcionam como reflexo, checando tudo que nos é apresentado. Podemos fazer uma analogia com um grande quebra-cabeças, comparando as pecinhas (novas ideias e situações) com a foto na tampa da caixa do jogo (nossas ideias preconcebidas). E nos perguntarmos: Será que podemos ir além do que a tampa do quebra-cabeças nos mostra? O mundo se resume à tampa do quebra-cabeças? E se criarmos um novo quebra-cabeças, sem tampa, para nos orientar?
A imagem que o mundo exterior nos oferece muitas vezes pode confirmar nossas crenças, mas o que acontece quando estão em oposição ao que pensamos ou não têm qualquer relação com o que acreditamos? Mesmo sendo capazes de ouvir o outro, nossa tendência é rejeitar de imediato todos os movimentos de não-conformidade com nossa tampa de quebra-cabeças.?
Para evitar este julgamento apressado, toda vez que estivermos diante de uma experiência nova, é importante nos mantermos presentes na situação, com os sentidos bem alertas, recebendo o que o mundo externo está apresentando. Evitando interpretações e inferências, tendo uma atitude receptiva – ou contemplativa – seremos capazes de perceber sentidos diferentes dos esperados na nossa tampa de quebra-cabeças.
Um exemplo banal sobre como isso acontece pode ser percebido quando vamos ao cinema. Se antes lemos uma crítica ou entrevista com o diretor explicando os motivos pelos quais realizou a obra, criamos uma determinada expectativa. Mas se resolvemos assistir meio às cegas, sem uma “preparação”, ficamos abertos para as revelações do filme sobre nossos sentidos. A segunda opção proporciona uma experiência mais completa.
Na verdade, após experimentar o que o mundo externo oferece, estando presente sem julgamentos, podemos promover o encontro das impressões dos sentidos com as ideias, com resultados enriquecedores.
Ter a mente aberta, portanto, não significa abdicar de convicções, mas estar presente nas situações novas que aparecem e só depois refletir sobre como elas agem sobre nós. Esta atitude permite um aprendizado muito além de colecionar informações, ajuda a construir um conhecimento a partir do mundo real, e é ainda mais importante na forma como nos relacionamos com as pessoas.
Numa conversa ou discussão, se tudo que ouvimos passa pelo filtro das convicções, não há espaço para o outro se revelar. E se além das convicções, este filtro vier preenchido com nossas qualidades e defeitos projetados no outro, não é possível percebê-lo como realmente é. Mente aberta não significa ausência de convicções formadas, mas saber reconhecer o outro como ser único, com suas próprias certezas. Só assim existe abertura para receber o que o outro traz e, talvez, formar um novo quebra-cabeças, com cores e formas não programadas.

Artigo publicado originalmente na Revista L’Aura.

Curso de Biografia Pessoal em Juiz de Fora

ATENÇÃO: NOVO LOCAL!!!!

A Pesquisa Auto-Biográfica permite olhar para a própria história e expressá-la de diferentes maneiras (falando, escrevendo, pintando, dançando), ver o trajeto que percorremos na vida, como se olhássemos para a própria biografia do alto de uma montanha, o que traz uma visão panorâmica do sentido. E agora, para onde vou? Como corrijo o percurso para reencontrar o sentido da minha história? Quando sigo o fluxo do sentido, encontro paz interior, mesmo que tenha mais trabalho.

A síntese da programação é a seguinte:

  • informação sobre as fases da vida, as leis biográficas;
  • contato com o próprio corpo: danças circulares;
  • contato com o inconsciente: atividades artísticas (aquarela e colagem, a princípio), conto de fadas;
  • reflexão individual: a escrita da vida;
  • reflexão em grupo: contando a própria história;
  • eu hoje: identificando a minha pergunta;
  • pensando o amanhã: projetando metas para a minha vida.

Coordenação:

  • Rosângela Cunha

Psicóloga, Gestalt-terapeuta e Terapeuta Biográfica

  • Marcelo Guerra

Médico Homeopata e Terapeuta Biográfico

Onde e quando? Novo Local:

Em Juiz de Fora, na Pousada Lago das Pedras, de 19 a 22 de agosto de 2010.

Quanto?

R$1050,00 ou 4XR$262,50

A inscrição é efetivada com o depósito da 1ª parcela.

Escreva para rosangela@terapiabiografica.com.br ou marceloguerra@terapiabiografica.com.br para mais informações. Ou ligue para falar com um de nós:

(32)8887-8660, (21)7697-8982

Observação:

Para as pessoas que residem no Rio de Janeiro, este é o de mais fácil acesso, pois há ônibus saindo da Rodoviária Novo Rio para Juiz de Fora pela Viação Útil.

Devido à intensidade do trabalho e da necessidade de supervisão durante todo o período do curso, as VAGAS SÃO LIMITADAS.


Ser materialista ou ser espiritualista

Valdemar Setzer

Materialismo é a concepção de mundo que considera o universo como sendo constituído exclusivamente de matéria e energia físicas, e de processos físicos que atuam sobre elas. Uma pessoa é materialista se seu modo de pensar baseia-se nessa concepção de mundo. Nesse sentido, é muito importante reconhecer-se que muitas pessoas que se dizem religiosas, ou pertencem a alguma religião instituída, são no fundo materialistas. Por exemplo, uma pessoa pode referir-se constantemente a uma entidade abstrata Deus, que deveria transcender o mundo físico; no entanto, se no seu dia a dia, e para justificar suas posições, essa pessoa pensar apenas em processos físicos, ela é um materialista.

Ao contrário, um espiritualista admite a existência de ‘substâncias’ que não podem ser reduzidas à matéria física, e a existência de membros não físicos constituintes dos seres vivos, em particular no próprio ser humano. Para uma descrição desses membros veja-se, por exemplo, meu artigo a respeito onde a distinção entre os vários reinos da natureza – inclusive entre seres humanos e animais – é justificada pela hipótese de existência de membros não físicos em alguns reinos e não existentes em outros. Talvez um espiritualista até admita a existência de entidades sem manifestação física, os seres divinos. Mas o mais importante é que, em sua maneira de pensar, ele inclua processos não físicos, e que considere os fenômenos físicos como sendo uma manifestação de fenômenos não físicos. Em particular, eu tenho uma teoria de como um processo não físico pode atuar sobre o mundo físico, por meio da escolha de transições fisicamente não determinísticas: a escolha de qual transição tomar no próximo instante não requer energia (ver o apêndice). Vários processos nos seres vivos podem ser não determinísticos, como qual aminoácido dentre vários possíveis será gerado a partir de um determinado gene, qual célula de um tecido vai ser a próxima a se subdividir ou qual vai começar a morrer, se um neurônio vai disparar ou não etc.

Fonte: Site pessoal do Doutor Valdemar Setzer