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Encontro Biográfico para Casais

Publicado em 01 Sep, 2008 sob o(s) tema(s) amor, biográfico, relacionamento, terapia biográfica | Nenhum Comentário

1+1 é sempre + que 2

Neste 2º semestre de 2008, realizaremos workshops biográficos para casais que estejam vivendo uma crise ou que queiram um melhor entendimento da relação.
Que imagem carrego de mim mesmo? Que imagem que o outro carrega de mim? Que transformações eu preciso fazer para acordar em mim as qualidades que permitirão um maior desenvolvimento dos meus sentidos?

Palestras sobre As leis biográficas e Os encontros humanos, Atividade artística, Escrita individual

EM JUIZ DE FORA:

DATA: 31 de outubro, 01 e 02 de novembro/2008

Início: 31/10 às 19:00h

Término: 02/11 às 18:00h

LOCAL: Pousada Aconchego de Minas, em Juiz de Fora, incluindo café da manhã, lanches (dois intervalos), almoço e jantar.

Coordenadores:

  • Rosângela Cunha

Psicóloga, Gestalt-terapeuta e Biógrafa

  • Marcelo Guerra

Médico Homeopata, Acupunturista e Biógrafo

INVESTIMENTO: (os valores são por casal)

1ª parcela R$ 250,00 em 10/09/08

2ªparcela R$ 250,00 em 10/10/08

3ªparcela R$ 250,00 em 10/11/08

4ªparcelaR$ 250,00 em 10/12/08

EM TERESÓPOLIS:

DATA: 28 a 30 de novembro/2008

Início: 28/11 às 19:00h

Término: 30/11 às 18:00h

LOCAL: Pousada & Spa Vrindávana, em Teresópolis, na estrada que liga a Nova Friburgo, incluindo café da manhã, lanches (dois intervalos), almoço e jantar.

Coordenadores:

  • Rosângela Cunha

Psicóloga, Gestalt-terapeuta e Biógrafa

  • Marcelo Guerra

Médico Homeopata, Acupunturista e Biógrafo

INVESTIMENTO: (os valores são por casal)

1ª parcela R$ 320,00 em 10/10/08

2ªparcela R$ 320,00 em 10/11/08

3ªparcela R$ 320,00 em 10/12/08

4ªparcelaR$ 320,00 em 10/01/09

INSCRIÇÕES E INFORMAÇÕES:

Tels. (32) 8841-8660 (Rosângela) - santana@terapiabiografica.com.br

(21) 7602-2365 (Marcelo) - marceloguerra@terapiabiografica.com.br

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Convite para um Trabalho Biográfico

Publicado em 18 Aug, 2008 sob o(s) tema(s) antroposofia, autodesenvolvimento, biográfico, terapia biográfica | 2 Comentários

labirinto de Chartres

O Labirinto é um antigo símbolo de unicidade, que combina a imagem do círculo e da espiral com um caminho que tem um objetivo. Ele representa uma jornada ao nosso centro e de volta ao nosso mundo externo. A forma do labirinto nos faz lembrar que há um sentido na existência, e nos remete ao sentido de nossas próprias vidas.

O Grupo de Terapia Biográfica Labirinto é formado por três profissionais que buscam resgatar o sentido latente em cada existência.

* Ana Maria Lucchesi, psicóloga, psicoterapeuta e biógrafa
* Elizabeth Castilho, psicóloga, psicoterapeuta e biógrafa
* Marcelo Guerra, médico homeopata e biógrafo

Os trabalhos são realizados em regime de imersão, em locais reservados, onde os participantes podem dedicar-se a trabalhar o seu interior, para retornarem ao seu mundo renovados e modificados.

O próximo Encontro Biográfico ocorrerá perto de Belo Horizonte, no Retiro das Rosas, na estrada de Ouro Preto, de 25 a 28 de setembro. Escreva para labirinto@terapiabiografica.com.br para mais informações.

O objetivo do Trabalho Biográfico é conhecer a sua vida e percorrer os caminhos da sua própria história reconhecendo os fios que te conduziram até o momento. Através do levantamento dos fatos da sua própria vida e da leitura consciente desses fatos, você trabalhará o panorama familiar e individual desde o seu nascimento até o dia de hoje, podendo então reescrever a sua história com linhas e fios mais claros, passando pelo centro do seu próprio destino.

De dentro de sua história, e só assim, é possível você reconhecer sua missão humana e transformá-la em ação consciente no mundo.

Este trabalho será em regime de imersão, de quinta-feira à tardinha a domingo após o almoço, em lugar selecionado para instrospecção e cura.

Ministrado por:

Berenice von Rückert – Biógrafa e Socióloga, Pedagoga Social
Ana Maria Lucchesi – Psicóloga, Psicoterapeuta e Biógrafa
Marcelo Guerra – Médico Homeopata, Acupunturista e Biógrafo
Elizabeth Castilho – Psicóloga, Psicoterapeuta e Biógrafa

Valor do Trabalho: R$ 1.035,00
Forma do Acerto: para reservar sua vaga, deve ser pago adiantado o valor de R$ 345,00. O restante poderá ser pago em mais duas parcelas.

Local: Retiro das Rosas

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Contar a sua história

Publicado em 11 Aug, 2008 sob o(s) tema(s) biográfico | 3 Comentários

“Conte a sua história ao vento,
Cante aos mares para os muitos marujos;
cujos olhos são faróis sujos e sem brilho.
Escreva no asfalto com sangue,
Grite bem alto a sua história antes que ela seja varrida na manhã seguinte pelos
garis.
Abra seu peito em direção dos canhões,
Suba nos tanques de Pequim,
Derrube os muros de Berlim,
Destrua as catedrais de Paris.
Defenda a sua palavra,
A vida não vale nada se você não
viver uma boa história pra contar.”

Pedro Bial

este poema foi retirado do excelente blog Compartilhando as Letras, da Sônia Regly

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A Essência da Terapia Biográfica

Publicado em 06 Aug, 2008 sob o(s) tema(s) antroposofia, autodesenvolvimento, biográfico, comportamento, psicoterapia, sentido da vida, terapia biográfica | 1 Comentário

Vivemos um tempo em que cada pessoa busca, com diferentes graus de empenho, compreender-se melhor como indivíduo. Frutos deste tempo são a psicanálise, a antroposofia, a teosofia, o humanismo, as diversas correntes psicoterápicas e a aproximação da filosofia com estas correntes

O ser humano tem hoje maior consciência de si do que em séculos passados, o que gera mais questionamentos. Nossas decisões deixaram de ser guiadas unicamente pela lógica das circunstâncias externas, e passaram a levar em conta nosso mundo interior, nossas aspirações, nossos desejos. Cada vez mais temos notícias de pessoas que largaram carreiras bem sucedidas em termos de dinheiro e prestígio, para dedicar-se a uma vida mais simples, mas que corresponde a uma busca interior de mais tempo junto às pessoas queridas, à possibilidade de dedicar-se a um hobby, ou a outro interesse qualquer que não diretamente ligado à profissão de origem. Exemplos deste movimento são executivos que trocam os escritórios por uma pousada numa praia escondida no litoral.

Nosso eu interior, nosso mundo interno, cada vez fala mais alto e exige mais respostas. As perguntas centrais são: “Quem eu sou, afinal? O que eu quero fazer com a minha vida? O que estou fazendo?” É aí que reside a importância da Terapia Biográfica. Porque não há melhor material para entendermos o que queremos das nossas vidas do que a história de nossas próprias vidas. Nossas questões essenciais em relação a nossas vidas só podem ser respondidas no contexto da vida em si. Pouco adianta confrontar nossas questões com teorias filosóficas ou mesmo esotéricas. O que traz respostas reais são os fatos da vida que levamos até aqui, como reagimos a eles, como os criamos, como os sentimos, como os transformamos em padrões, e porque não conseguimos sair destes padrões. Estas respostas são a chave para que, através do pensamento e do sentimento, possamos agir no sentido de modificar nossas vidas, tornando-as plenas de sentido.

Através do trabalho biográfico, o participante treina um distanciamento em relação à sua própria vida, como se a visse do alto de uma montanha, como uma paisagem. Com o prosseguimento do trabalho, é preciso criar um senso de responsabilidade por sua própria biografia, depois de entender pequenas frações da sua história, saindo do lugar de vítima das circunstâncias e tornando-se senhor(a) de sua própria vida. Através deste trabalho, uma pessoa pode sair da posição de deixar as coisas acontecerem a ela e assumir a direção de sua própria vida.

Este não é um processo fácil ou mágico, do tipo “vou fazer umas atividades numa tarde, relembrar algumas coisas e tudo vai entrar nos eixos.” Não, este é um processo que pode ser longo e cansativo, e geralmente nem um pouco fácil, em que se defronta com fatos que a pessoa preferiria deixar debaixo do tapete da memória para sempre, não fossem eles causadores de tantos outros sofrimentos e padrões de comportamento dolorosos. E quando você começa a trabalhar com estes fatos e compreendê-los, você pode chegar a escolhas para o futuro, totalmente baseadas na sua biografia. Esta é a essência da Terapia Biográfica: unir o passado, o presente e o futuro ao redor da questão de cada um, para que a pessoa possa tomar a vida em suas próprias mãos.

Marcelo Guerra

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As coisas simples da vida

Publicado em 04 Aug, 2008 sob o(s) tema(s) comportamento | 3 Comentários

A Universidade de Nottingham fez um estudo acerca das coisas simples da vida, aquelas coisas que trazem felicidade às nossas vidas e daqueles que nos rodeiam.

Poderia chegar-se à conclusão que a felicidade estava relacionada com o dinheiro, ou seja, quanto mais dinheiro tivermos e gastarmos, mais felizes seremos. No entanto, as conclusões foram exactamente as contrárias. As coisas mais simples da vida são gratuitas ou custam pouco dinheiro.

Exemplos dessas coisas simples são:

* Barras de chocolate
* Longo banho de imersão
* Dormir uma sesta a meio da tarde
* Um passeio no parque

Descobriram também que além de nos fazerem mais felizes, estas experiências são mais duradouras e têm maior impacto na sensação de bem-estar com a vida.

Provavelmente daqui a vinte anos, quando se lembrar que tinha um telemóvel de última geração, não irá ter nenhum sentimento especial e talvez nem esboçar um sorriso, porque são experiências materiais que passam assim que o factor novidade desaparece. Por outro lado, irá com certeza lembrar-se para toda a vida, de algumas conversas que teve com os seus familiares ou amigos, como por exemplo a notícia de um nascimento ou de um jantar especial.
As coisas simples da vida e o dinheiro

Uma das comparações que foi feita neste estudo analisou o nível de felicidade entre um grupo de vencedores de jackpot na lotaria com um outro grupo normal. Foi usada uma escala de satisfação com a vida (desenvolvida pela Universidade de Illinois).

Aos inquiridos foi perguntado como se definiam nestas escaladas em relação aos vários aspectos da sua vida, qual a disposição demonstrada e como tratavam do sentimento interiormente.

A surpresa dos resultados demonstrou que não eram os carros topo de gama e as jóias que aumentavam o nível de felicidade dos novos milionários. O que lhes traziam mais alegria era ouvir música, ler um livro ou beber uma garrafa de vinho num ambiente descontraído.

No estudo, os vencedores da lotaria eram mais felizes que o outro grupo de controlo, 95% comparado com 71%. Então as Universidades estudaram que tipo de presentes eles davam a si próprios que pudessem explicar esta diferença. Compararam actividades gratuitas, como passeios e sestas, com actividades caras como viagens ao estrangeiro.

A investigação demonstrou que, nos dois grupos, as pessoas mais felizes eram as que faziam as coisas simples da vida, como nadar e tomar banhos de imersão. As pessoas menos felizes eram aquelas que utilizavam o dinheiro para comprarem frequentemente muitos DVDs ou muitos jantares fora de casa.
Conclusões do estudo das coisas simples da vida

Algumas das conclusões do estudo foram:

* Comprar carros de luxo ou deixar de trabalhar e fazer uma viagem para paragens exóticas, não está ao alcance da maioria das pessoas, por isso devemos aprender os pequenos truques simples da vida com as pessoas que se consideram mais felizes na sociedade.
* Passar tempo a relaxar é o segredo para uma vida feliz. São as coisas simples da vida, que não custam dinheiro mas que causam maior impacto e que fazem diferença na nossa vida. Mesmo que não tenhamos dinheiro para as coisas materiais que desejamos.

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Crianças e TV

Publicado em 03 Aug, 2008 sob o(s) tema(s) comportamento, criança | 3 Comentários

Josy Fischberg, O Globo

RIO - Os pais podem dar a definição que quiserem para a televisão: babá eletrônica, janela para o mundo, mal necessário, praga, inimiga - isso só para citar algumas. Mas todos eles ainda estão longe de respostas concretas quando tentam definir “certo” e “errado” na programação que seus filhos vêem. Bia Rosenberg, que dirigiu e escreveu atrações para o público infanto-juvenil na TV Cultura há mais de duas décadas, ouviu, por anos, perguntas, questões e dúvidas de gente grande preocupada com gente pequena em frente à televisão. Juntou tudo e o resultado é o livro “A TV que seu filho vê” (Panda Books), lançado semana passada.

Estão ali alguns dos motivos que levam as crianças a verem televisão (hábito, escapismo, companhia, aprendizado, fantasia); verdades e mentiras sobre a TV (engorda? estimula o consumo? programas violentos podem afetar a forma como a criança compreende a vida?); como se vê TV em cada etapa da infância; o que fazer com crianças que consomem programação para adultos; entre outros.

A seguir, alguns trechos do livro:

“A partir dos 7 anos, as crianças começam a interessar-se pela programação adulta. Se seu filho assiste a minissérie carregadas de conotações sexuais ou a filmes de ação exibidos após as 22h, se ele gosta de ver telenovelas de fim de tarde, como adulto você vai negociar uma mudança de hábitos com ele. Ou, alternativamente, vai começar a ver com seu filho aos programas que ele gosta, para poder atuar como orientador (…)”

”Para que seu filho se torne um telespectador moderado e consciente, você também precisa ser. Não adianta propor a seu filho atitudes e mudanças em relação à TV se você nâo adotar os mesmos critérios de consumo equilibrado. A melhor dieta de TV para seu filho pode resumir-se apenas a dar o exemplo”.

”(…) o bom programa é aquele que diverte e, sempre que possível, introduz conceitos que completam a formação da criança. O programa de qualidade é aquele que é atraente para seu filho e ao mesmo tempo o ajuda a crescer, compreendendo melhor a si mesmo ou ao mundo”.

”De acordo com a Associação Norte-Americana de Pediatria, cada hora de programação infantil contém aproximadamente vinte atos violentos. Segundo outra estatística norte-americana, quem chega à idade de 12 anos terá visto na TV aproximadamente 20 mil assassinatos e 80 mil mortes de origens variadas”.

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O futuro é gestado agora

Publicado em 27 Jul, 2008 sob o(s) tema(s) autodesenvolvimento, biográfico, destino, fio do destino, sentido da vida, terapia biográfica | Nenhum Comentário

“Sua majestade sabe tão bem quanto eu que o futuro é grávido de muitas eventualidades que ele pode parir. E não é impossível ouvir algumas delas movendo-se no útero do tempo. Mas apenas a situação do momento decide qual dos embriões é viável e vai amadurecer.”

Marguerite Yourcenar, A Obra em Negro

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Desistência de adoção vai parar na Justiça

Publicado em 27 Jul, 2008 sob o(s) tema(s) criança | 1 Comentário

RIO - Em janeiro deste ano, João (nome fictício), de 5 anos, voltou a viver no Educandário Romão de Mattos Duarte, no Flamengo. Por cerca de um ano e meio ele esteve sob a guarda provisória de um casal de estrangeiros residente no estado do Rio que, após o longo período de convivência, desistiu de adotar o menino. O caso é o pano de fundo para uma iniciativa, inédita no estado, da Coordenadoria de Defesa de Direitos da Criança e do Adolescente (Cdedica) da Defensoria Pública: a responsabilização judicial de pessoas que devolvem as crianças após um longo processo de adoção.

- Nossa intenção não é desestimular a adoção, mas sim alertar para a importância desse processo ser realizado com responsabilidade. A criança não pode ser tratada como se fosse um objeto - diz a coordenadora da Cdedica, Simone Moreira.

Num levantamento preliminar feito nas últimas semanas, a equipe de defensores da Cdedica já conseguiu levantar 14 casos, ocorridos nos últimos 12 meses, de crianças devolvidas durante o processo de adoção. Seis deles já estão em avançado estágio de elaboração de ações de responsabilidade civil contra as pessoas que desistiram. A Defensoria Pública irá cobrar na Justiça indenizações por danos morais e materiais, e o foco está voltado contra aqueles que demoraram mais tempo para tomar uma decisão.

- Estamos analisando caso a caso. Há situações em que é razoável a alegação de falta de adaptação, mas isso precisa ser detectado logo. Não dá para esperar, um, dois anos, e devolver a criança, que já se sente com o status de filho. Essa rejeição provoca danos psicológicos profundos - complementa Simone.

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A vida de Hahnemann - A Família

Publicado em 25 Jun, 2008 sob o(s) tema(s) biográfico, homeopatia | Nenhum Comentário

Avô paterno: Christoph Hahnemann, era pintor de porcelana, tinha um irmão chamado Christian Hahnemann. Viveu em Lauchstedt, na Saxônia, onde chegou em 1707. Era uma cidade muito pequena, com cerca de 1000 habitantes, de hábitos rurais, que servia como local de veraneio dos Duques da Saxônia. Eles eram pessoas destacadas na cidade. Ele teve sete filhos, 3 meninos e 4 meninas. Christoph e seu irmão, por serem pintores de porcelana e aquarelistas, mudaram-se para Meissen para trabalhar na Manufatura Real de Porcelana, como pintores decorativos. Esta foi a profissão também seguida pelo pai de Hahnemann.

Pai: Christian Gottfried Hahnemann, nasceu em Lauchstedt, em 24 de julho de 1720, onde viveu por 14 anos. Casou-se aos 28 anos com Johanna Eleonora Deeren, filha única do alfaiate da corte, em 1748, em Meissen, onde também era pintor de porcelana. Nove meses após casado, sua esposa morreu após dar a luz a gêmeas, sendo que uma nasceu morta e a outra morreu após nove meses. O pai de Hahnemann torna-se um homem fechado, carrancudo, viúvo aos 29 anos. Em 1750, casou-se novamente, com Johanna Christiana Spiess. Compra uma casa grande em Meissen e leva uma vida próspera. Escreveu um pequeno livro sobre aquarela. Também seu irmão mais novo era pintor de porcelana. Tinha um lema e o ensinou aos filhos: “Ser e agir sem ostentação.”

Mãe: Johanna Christiana Spiess, era filha única de um capitão que estava temporariamente prestando serviço em Meissen.

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O sentido do mundo

Publicado em 09 Jun, 2008 sob o(s) tema(s) outras visões, sentido da vida | 1 Comentário
por Klaus Manhart
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Tomado de paixão pela encantadora princesa Europa assim que a viu colhendo flores na praia, o deus grego Zeus elaborou um astuto plano. Transformado em touro, Zeus se aproximou dela e deixou-se acariciar. O touro parecia tão amigável que Europa subiu em seu dorso. O animal então avançou para o mar, levando a moça. Após chegarem a uma praia longínqua, Zeus transformou-se novamente em um jovem e prometeu proteger Europa em sua nova terra, batizada com o seu nome. O ardil funcionou e o casal teve três filhos.

Parece que os gregos apreciavam intrigas e peripécias. O enevoado Monte Olimpo era uma espécie de mundo melodramático. Os deuses que aí habitavam armavam ciladas uns contra os outros e sempre demonstravam fraquezas, particularmente em relação à beleza do sexo oposto. Para alcançar seus interesses, formavam alianças, lutavam e até matavam.

Estavam longe de ser perfeitos. Suas características humanas ajudam a explicar por que os mitos da Grécia antiga ainda nos satisfazem: se os deuses apresentam falhas humanas, então os homens podem se persuadir de que são capazes de ser como os deuses.

Mas isso não basta. Por que é tão fácil aceitar essa mitologia? Em parte, porque certas funções de nosso cérebro insistem em impor ordem e propósito nas coisas que o cercam e que, de outra forma, seriam enigmáticas. Por mais racionais que tentemos ser, nossos cérebros não podem resistir ao ímpeto de adotar relatos metafísicos.

Explicando o inexplicável
Os mitos são muito mais do que melodramas. As culturas antigas usavam essas histórias fabulosas para explicar os misteriosos fenômenos naturais que determinavam sua existência. Os egípcios invocavam centenas de divindades que controlavam o destino do rio Nilo e de seus povos. As águas do rio e as cheias anuais presidiam suas idéias sobre a criação, a morte e o renascimento. Segundo as crenças da época, quando a vida surgiu o oceano primordial Nun ocupava todo o Universo. Assim como os deuses criaram a vida com as águas do Nun, as cheias do Nilo fertilizaram as terras habitadas por maravilhosos animais e plantas.

As formas iniciais de práticas religiosas e espirituais datam de pelo menos 40 mil anos atrás, período que muitos pesquisadores associam à emergência do comportamento humano moderno. Várias pinturas de cavernas e escavações do período sugerem que esses povos acreditavam em poderosas forças sobrenaturais passíveis de serem invocadas em seu favor. Baseados em descobertas feitas em sítios arqueológicos como o de Qafzeh, em Israel, pesquisadores apontam que os humanos anatomicamente modernos realizavam funerais e outros ritos em período ainda mais remoto, há mais de 90 mil anos. Outros pesquisadores sustentam que os neandertais também desenvolveram um sistema de mitos e crenças religiosas.

É claro que há enorme variação entre os sistemas míticos de diferentes culturas humanas, mas todos oferecem respostas às mesmas questões fundamentais. Foi essa a conclusão alcançada pelo mitólogo americano Joseph Campbell antes de morrer em 1987. Durante décadas, Campbell pesquisou os motivos comuns de inúmeras lendas e religiões de sociedades antigas e modernas, incluindo gregos, romanos, egípcios, asiáticos e nórdicos.

Campbell apontou a existência de três atributos. Em primeiro lugar, o mito envolve uma questão existencial sobre a morte e o nascimento ou criação do mundo. Em segundo lugar, o mito contém enigmas suscitados por contradições insuperáveis: criação e destruição, vida e morte, deuses e homens. Por fim, o mito tenta reconciliar esses pólos opostos e assim atenuar nossos temores.

Histórias necessárias
Com o tempo, os relatos míticos passaram a fazer parte das crenças e religiões, influenciando, ainda hoje, o modo como os povos vivem e compreendem o mundo. Esse saber tradicional é parte de nossa cultura, razão pela qual ele ainda persiste, mesmo em sociedades progressistas e tecnológicas.

Mas talvez isso não seja tudo. No final da década de 90, o radiologista e pesquisador da religião Andrew Newberg e o psiquiatra Eugene G. d’Aquili, ambos da Universidade da Pensilvânia, começaram a estudar as fontes cerebrais dos sentimentos religiosos. Em 2001, Newberg publicou inovadores resultados (D’Aquili falecera) baseados no monitoramento da atividade cerebral de monges em meditação e de freiras franciscanas em prece.

Quando as pessoas estudadas estavam em estado de profunda contemplação religiosa, os pesquisadores registraram atividade drasticamente reduzida numa parte específica do lobo parietal. Essa região é responsável pela orientação espacial e pelo senso do próprio corpo: é ela que nos torna consciente de onde nosso corpo termina e o resto do mundo começa, permitindo assim a clara distinção entre nós e todo o resto.

Newberg e D’Aquili postularam que os sentimentos religiosos têm base neurológica, pois a ausência de bombardeamento neuronal na região parietal parecia associada à sensação de êxtase espiritual. Eles concluíram que o impulso religioso - o anseio de experiência metafísica - estava inscrito no cérebro.

Alguns pesquisadores apontam que os mitos podem ter outro fundamento biológico. Humanos, ao contrário dos animais, têm capacidade de abstração, o que permite antecipar ameaças. As respostas fisiológicas do medo podem ser desencadeadas simplesmente mediante a representação de um perigo, que prepara o corpo para “lutar ou fugir”. Essa capacidade também permite a atribuição de sentido ao sofrimento e à morte. Por exemplo, podemos raciocinar que vale a pena suportar a dor causada por uma vacina, já que os benefícios de jamais contrair a doença compensam.

Reunindo essas observações, D’Aquili cunhou o termo “imperativo cognitivo” para descrever essa função do cérebro de dar significado às coisas. Temos um desejo de ordem e sentido que é biologicamente condicionado. Diante de qualquer situação ou processo, não podemos deixar de atribuir-lhes algum propósito. Os fisiologistas Michael E. McCullough, da Universidade de Miami, e David B. Larson (recentemente falecido), então no Instituto Nacional para Pesquisa em Saúde, estenderam esse conceito ao que chamaram de anseio ontológico: a necessidade de compreender a natureza fundamental do mundo em vez de simplesmente aceitá-la como é. Segundo essa hipótese, o imperativo cognitivo força nosso cérebro a pensar incessantemente, de tal forma que não podemos deixar de elaborar relatos e mitos que expliquem os mistérios que nos rodeiam.

Causa e efeito cósmicos
A capacidade de construir explicações para os fenômenos é chamada por Newberg de “operador causal”. Trata-se de uma das oito funções analíticas gerais do cérebro, que Newberg e d’Aquili denominaram “operadores cognitivos”. Quando um operador está ativo, várias regiões do cérebro são envolvidas. Juntos, os oito operadores regulam o funcionamento da mente humana. Embora ainda controverso, esse esquema ganha aceitação cada vez maior.

O operador causal interpreta a realidade como uma cadeia de causas e efeitos. Se a campainha está tocando, provavelmente alguém está na porta. Se chover, a rua ficará molhada. Estimula a curiosidade, nos motivando a decifrar os mistérios e permitindo que elaboremos explicações empíricas para os processos naturais. Mas o operador também tenta criar relações de causa e efeito para enigmas metafísicos como a morte e a criação do Universo. As pessoas que sofrem de certos tipos de lesão no cérebro não conseguem vincular nem mesmo os eventos mais simples às suas causas.

Os outros sete operadores cognitivos proporcionam contexto para o operador causal. O operador holístico permite que percebamos o mundo como um todo. Graças a ele, compreendemos imediatamente e sem esforço que uma configuração de folhas, troncos e galhos constitui uma árvore. A atividade no lobo parietal direito é a base desse operador. O operador reducionista funciona de modo inverso, permitindo a decomposição do todo em suas partes componentes. Sua base é o hemisfério esquerdo, mais analítico. O operador de abstração deriva conceitos gerais de fatos individuais, possibilitando, por exemplo, que classifiquemos bassês, pastores e cockers em uma única categoria: cães. Estudos recentes de imageamento indicam que essa função está baseada no lobo parietal esquerdo.

O operador existencial nos dá a sensação de que os dados provenientes dos sentidos e processados pelo cérebro têm base na realidade. Essa função está, provavelmente, baseada no sistema límbico. O operador emocional também fica nessa parte: vincula as percepções aos sentimentos e constitui a base de nossa capacidade de pensar e julgar racionalmente.

O operador quantitativo avalia tamanho, quantidade, tempo, distância e calcula matematicamente. O operador binário nos ajuda a impor ordem aos mais variados fenômenos do meio circundante, medindo o espaço e o tempo por meio de noções opostas: em cima e embaixo, direita e esquerda, dentro e fora, antes e depois. Esse operador está localizado no lobo parietal inferior; pacientes com lesões nessa área não podem identificar os opostos de palavras ou objetos.

Para Newberg e D’Aquili, o operador binário desempenha papel crucial na formação e persistência dos mitos. Além de nos ajudar a reduzir a complexidade das situações, fornece uma heurística simples e rápida para nossa orientação ao elaborar os elementos centrais do mito: bem e mal, nascimento e morte, céu e terra, isolamento e integração.

Expandindo a conexão entre operadores cognitivos e sistemas de crença, Newberg e outros pesquisadores sustentam que certas áreas do cérebro cumprem papel fundamental na experiência religiosa. Embora essa perspectiva ainda seja controversa, parece claro que a capacidade de pensar por meio das noções de causa e efeito seria impossível sem uma determinada estruturação funcional do lobo parietal. Provavelmente, os seres humanos procuram explicações para os mistérios do mundo simplesmente porque o cérebro tem essa capacidade.

O autorO autor

Klaus Manhart é sociólogo, filósofo da ciência e escritor free-lance em Munique.
- Tradução de Alexandre Massella

Para conhecer mais
O poder do mito. Joseph Campbell, Palas Atena, 1993.

Cerebral blood flow during meditative prayer: preliminary findings and methodological issues. Andrew Newberg et al., em Perceptual and Motor Skills, vol. 97, no 2, págs. 625-630, 2003.

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