11 lições sobre carreira que aprendi assistindo Chef’s Table

Marcelo Guerra

Tenho assistido a série da Netflix Chef’s Table e cada vez acho mais interessante! Não, ela não ensina nenhuma receita. O programa basicamente não é sobre comida, mas sobre carreira. Retrata os chefs mais criativos e bem-sucedidos da atualidade, em suas biografias até o sucesso. É uma coleção de cases de carreiras, e observei algumas características em comum que podem servir para orientar carreiras em qualquer área de trabalho. Nem todos passaram pelos mesmos passos, mas a maioria representada nos programas, sim.


Acreditar no que faz e apostar no seu sonho

  1. Estudo: Todos dedicaram-se muito a estudar desde o momento em que escolheram trabalhar com gastronomia. Estudo formal, em cursos e faculdades, mas também informal, resgatando livros de receitas.
  2. Prática com alguém mais experiente: Todos buscaram estágios ou trabalhos como aprendizes em restaurantes de boa comida. Colaram em chefs mais experientes e buscaram reproduzir o seu trabalho, até a perfeição. Nem sempre estagiaram em restaurantes de ponta, mas onde cada um acreditava na qualidade da comida e na experiência do chef.
  3. Sair do local de origem: A maioria estudou ou trabalhou como estagiário ou aprendiz em outras cidades, geralmente grandes centros gastronômicos, como Paris ou Nova York.
  4. Voltar para o local de origem: Quase todos retornaram para suas cidades de origem e arranjaram empregos em restaurantes locais, alguns à beira do precipício da falência. Um deles morava numa cidade entre o nada e coisa nenhuma na Suécia, um ponto altamente improvável para um restaurante que, sob sua direção, tornou-se um dos 10 melhores restaurantes do mundo. Outros abriram seus próprios restaurantes, desde o início seguindo a visão que trouxeram de seus estudos e estágios.
  5. Insucesso inicial: Até onde assisti, só um começou fazendo sucesso. Os outros que já assisti começaram com restaurantes vazios, sem críticas positivas (a maioria sem crítica alguma). A resposta para esse insucesso inicial variou bastante. Alguns faziam mudanças regulares na organização do trabalho e no cardápio, enquanto outros insistiram no que acreditavam desde o início. A maior parte deles sentiu desânimo e pensou em desistir.
  6. Acreditar no que faz e apostar no seu sonho: O desânimo não foi suficiente para superar a confiança no próprio trabalho e a imagem de um sonho que cada um perseguia. Alguns mencionam a frustração por saber que estavam fazendo boa comida e, mesmo assim, as mesas estavam vazias. Todos tiveram determinação para seguir em frente, superando as mesas e bolsos vazios.
  7. Trabalhar com uma equipe competente, responsável e que acredita no sonho: muito da competência dos chefs retratados se baseia na formação de uma equipe que partilha do entusiasmo pelo sonho, e mete a mão na massa, trabalhando de forma competente e responsável. A palavra da moda para isso é SINERGIA.
  8. Usar produtos de qualidade: quando o seu trabalho envolve um produto, esse produto não pode ser meia-boca. Os chefs buscam as melhores matérias primas para transformá-las em deliciosas obras de arte.
  9. Preferir produtos regionais: meio que uma continuação do item anterior, além de ter os produtos mais frescos, valoriza a economia local e cria uma rede confiável dentro da própria comunidade, e contribui com a preservação do meio ambiente, com menos mercadorias viajando pelo planeta.
  10. Releitura de receitas tradicionais: os chefs saíram de suas cidades, estudaram gastronomia, estagiaram com chefs experientes e começaram repetindo o que aprenderam, mas aos poucos foram modificando essa bagagem, acreditando na sua intuição e, principalmente, resgatando livros antigos e fazendo releituras para tornar mais modernas as receitas, criando novos pratos a partir de pratos tradicionais. O chef sueco, por exemplo, cria alimentos em conserva que são os principais atrativos para o seu restaurante.
  11. A voz da criança interior: por fim ficou o mais importante. O traço comum a TODOS os chefs que assisti é a CRIATIVIDADE, alimentada pelas lembranças de criança, pelos sabores, pelas mesas de domingo, pela comida da avó. Transformar uma lembrança prazerosa em novos pratos é dividir e eternizar o prazer vivido na infância. O exemplo mais marcante dessa criança que toma conta da cozinha é o chef italiano que brigava com o irmão pelo cantinho da lasanha da avó, aquele cantinho que ficava meio torrado. Ele criou um prato que é somente a ponta tostada da lasanha, e é um dos grandes sucessos do seu restaurante.

O sucesso na carreira é buscado por todos nós e, independente da profissão de cada um, a jornada de um profissional de sucesso pode servir de lição para detectar o que posso mudar na minha carreira para alcançar esse sucesso.

A gente precisa ser escutado

Marcelo Guerra

Aproveitei o feriado para assistir alguns filmes. Dentre eles, vi um afegão, muito interessante, chamado PEDRA DE PACIÊNCIA, e aproveitei para rever um francês que gostei muito e já indiquei para várias pessoas, A FAMÍLIA BÉLIER. Decidi rever por causa do tema do primeiro. (O texto contém spoilers, mas não afetam a experiência de assistir os filmes).

Os filmes apresentam inúmeros contrastes, como o ambiente rural bucólico X a cidade destruída pela guerra, as preocupações de uma adolescente europeia X o desejo de um mínimo de autonomia da mulher afegã. No entanto, ambos mostram uma necessidade universal não satisfeita: a necessidade de alguém ser escutado, de poder revelar sua história e suas aspirações às pessoas próximas sem medo de condenação, críticas ou humilhação.


A necessidade de alguém ser escutado, de poder revelar sua história e suas aspirações às pessoas próximas sem medo de condenação, críticas ou humilhação.

PEDRA DE PACIÊNCIA é a história de uma mulher afegã, vivendo em meio à guerra, tendo que cuidar do marido em estado vegetativo por causa de uma bala na nuca. Ela começa a falar com ele, a princípio queixando-se da situação de abandono em que estão, sem atendimento médico, sem dinheiro, sem família, às moscas. E quando eu digo às moscas, é também literalmente, porque sempre aparecem muitas moscas no filme.

Aos poucos, ela vai contando sua história ao marido que está ali sem expressar nenhuma reação. Conta os seus medos, suas aspirações, como foi a sua percepção do noivado e do casamento. Conta de como se sentiu decepcionada por ter se casado sem a presença do noivo, devido à guerra. Nessa ocasião, o noivo foi representado por seu punhal, um símbolo de virilidade,  poder e honra, o que é bastante significativo tendo em conta a descrição que a mulher faz de sua rude vida em comum e de suas relações sexuais, descritas como relações sem afeto, completamente de mão única. À medida em que vai se abrindo para esse homem de quem ela na verdade sabe muito pouco, ela vai demonstrando maior preocupação e cuidado com ele.

A protagonista lhe conta sobre sua infância, sobre o pouco cuidado e acolhimento que o pai dedicava a si e à sua irmã mais velha, muito menos do que às suas codornas. Fala da subjugação da mulher numa cultura islâmica fundamentalista, do seu valor como moeda de troca, e de como isso a perturbava. Por fim, conta até seus segredos mais íntimos, que poderiam ameaçar sua própria vida.

Em meio à violência da guerra, ela conhece um homem com quem ela pode ter alguma troca, que escuta seus desejos e de quem ela escuta a história. O final do filme exibe alguma esperança de redenção em meio à dor.

A FAMÍLIA BÉLIER se passa no interior da França, e a protagonista é uma adolescente que ajuda os pais na fazenda em que vivem e frequenta a escola, com todas as questões próprias a esse contexto. O detalhe é que seus pais e seu irmão são surdos-mudos, e ela faz a ligação da família com os fornecedores e compradores, com o mundo em geral. Num paralelo, o filme vai mostrando o nascimento e crescimento de um bezerro da fazenda, que ela batizou de Obama, por ser diferente do restante do rebanho.

Na escola, ela precisa escolher uma disciplina de artes e se decide por entrar para o coral, para se aproximar de um garoto por quem ela tinha algum interesse. Logo o professor percebe que ela possui uma voz excelente e sugere que ela participe de um concurso para fazer parte de um importante coral em Paris. O que havia sido uma decisão sem interesse real na música traz um dilema que vai afetar toda a sua vida e de sua família.

Por não escutar, a princípio seus pais não valorizam seu interesse pela música, mas ao se darem conta da repercussão que o seu canto provoca nas pessoas, deixam um pouco de lado seus interesses e dificuldades pessoais para ajudá-la a realizar-se. O filme é uma metáfora meio óbvia da eterna queixa dos adolescentes de que “ninguém me escuta”. Neste caso, não escutam mesmo.


É o interesse real pelo que o outro tem a dizer que cria vínculos entre nós.

É a escuta que permite que as pessoas se conectem de verdade, muito além de curtidas e compartilhamentos. É o interesse real pelo que o outro tem a dizer que cria vínculos entre nós. Não é uma escuta motivada por curiosidade ou desejo de julgamento, mas uma escuta de histórias, daquilo que pensa e sente aquele que fala, o que lhe motiva, o que lhe causa dor e desconforto, quais são suas aspirações. Aquilo que torna alguém humano, em resumo.


A quem você pode escutar hoje?

As psicoterapias fazem dessa escuta uma importante profissão, e têm ajudado muitas pessoas desde que Freud descobriu o Inconsciente. Nesse caso, é uma escuta qualificada, com uma técnica própria a cada modalidade de psicoterapia. Mas a escuta verdadeira não deve se limitar aos consultórios, ela deve permear os relacionamentos humanos, sejam amorosos,entre pais e filhos ou entre amigos. Uma vez, um pastor me disse numa conversa que Jó, da história do Velho Testamento, no auge das desgraças que lhe aconteceram, recebeu a visita de amigos que simplesmente se sentaram ao seu lado por sete dias para se solidarizar e escutar o que ele tivesse vontade de dizer. Eles não foram para sugerir nada, para criticar nada, só para estar ao seu lado e lhe emprestar os ouvidos. Acredito que estamos perdendo essa capacidade da escuta e precisamos reaprendê-la para que a rede de nossas conexões humanas possa ser novamente tecida. A quem você pode escutar hoje?

Vivência: Treinando o Olhar

No trabalho terapêutico e na educação a Observação e o Sentido são os dois pilares. A Observação busca no exterior o que o Sentido vai elaborar no interior. Goethe, por meio dos seus escritos científicos, elaborou uma metodologia de observação dos fenômenos de grande valor para aqueles que buscam desenvolver a compreensão de sua clientela, sejam pacientes ou alunos.

Esta vivência é um primeiro contato com essa metodologia de forma prática e objetiva, através da observação de plantas. É dirigida a profissionais da saúde ou da educação, ou mesmo a leigos que desejam conhecer uma maneira pouco usual de observar tudo o que nos cerca, sejam pessoas, objetos, seres da natureza ou fatos.

LOCAL: Clínica CEFISA – Rua Trajano de Almeida, 57, Nova Friburgo – Tels: (22) 2522-3411 ou (22)2523-3512

DATA: 31 de março de 2018, de 9h às 16h, com intervalo para o almoço

PREÇO: R$150,00, inclui o material e lanche

FACILITADOR: Marcelo Guerra, médico homeopata e acupunturista, terapeuta biográfico formado pela Escola Livre de Estudos Biográficos de MG.

INSCRIÇÕES: https://goo.gl/a2k2AZ

Quaresma é tempo de ação

Marcelo Guerrahttp://marceloguerra.com.br/

O cristianismo reserva 40 dias do ano para a preparação para a Páscoa, e chama esse período de Quaresma. Estes 40 dias simbolizam os 40 dias que Cristo passou meditando e orando no deserto. É um período de recolhimento e antigamente de jejum e penitência. Hoje passa geralmente despercebido no nosso calendário. Porém, a quaresma pode ser um tempo de reflexão e de transformações na sua vida.

Nosso psiquismo encontra expressão pelo pensamento, pelo sentimento e pela vontade que gera ação. O equilíbrio entre o pensar, o sentir e o agir conduz a uma vida psiquicamente harmoniosa, onde a depressão e a ansiedade não encontram refúgio. Os três estão interligados e influenciam-se mutuamente. Quando modificamos nosso pensar, pela meditação, por exemplo, passamos a sentir de uma maneira diferente e percebemos a sutileza de nossos sentimentos. E nossas ações também sofrem alterações, com essa mudança que começou no pensar.

Quando tomamos mais consciência de nossos sentimentos, percebemos o quanto eles mexem com nossos pensamentos e nos fazem agir como escravos de emoções que nos tomam, e conseguimos ter maior controle sobre a reação que os sentimentos nos causam.

Dos três, o agir é geralmente o mais prejudicado nos nossos dias de excesso de informações e compromissos, em que a imagem que exibimos nas redes sociais é muito mais importante do que a essência daquilo que somos. O que mais fazemos é reagir a algo que nos é solicitado, e é com muita dificuldade que conseguimos colocar a força de nossa vontade numa ação voluntária.

Por isso, a oportunidade de exercer nossa vontade de forma voluntária por 40 dias pode trazer grandes (ou ainda que sejam pequenas) transformações ao nosso pensar e ao nosso sentir. Dominar a própria vontade, através da renúncia a algo que lhe é caro é um exercício de fortalecimento da própria vontade.

Esta mudança no agir pode levar à mudança de como percebemos nossos sentimentos e de como pensamos, e é um recurso que está ao alcance de qualquer um de nós, basta agir.

(Marcelo Guerra)

Panorama Biográfico no Rio de Janeiro

Olhar para frente e planejar o futuro!

Estamos vivendo uma crise econômica e política que tem influenciado na forma como sentimos a vida. São sombras do mundo exterior que nos levam a confrontar as nossas próprias, causando desesperança e desânimo. O caminho para a saída pode estar na sua própria biografia.

Através do Panorama Biográfico, você poderá rever a sua história sob um ponto de vista do todo até o momento presente. Esta visão panorâmica de sua biografia lhe permitirá perceber o sentido que permeia e organiza os fatos mais importantes que você viveu. Conhecer este sentido é o primeiro passo para planejar os seus próximos passos de uma maneira coerente com ele. O sentido é o fruto de nossas aspirações mais profundas. Quando agimos de acordo com nossas aspirações, aliviamos a angústia e a depressão, e podemos crescer como pessoas. Este é um trabalho cujo maior benefício é poder planejar o futuro de acordo com ‘quem sou eu’ ao invés de ‘li um livro que diz que devo ser assim’. Reconhecer suas qualidades únicas e trabalhar o seu desenvolvimento a partir delas é o objetivo do Panorama Biográfico.