{"id":298,"date":"2009-09-12T20:44:49","date_gmt":"2009-09-12T22:44:49","guid":{"rendered":"http:\/\/terapiabiografica.com.br\/blog\/?p=298"},"modified":"2009-09-12T20:44:49","modified_gmt":"2009-09-12T22:44:49","slug":"o-mestre-eckhart-mistica-e-escolastica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/terapiabiografica.com.br\/blog\/2009\/09\/o-mestre-eckhart-mistica-e-escolastica\/","title":{"rendered":"O MESTRE ECKHART: M\u00cdSTICA   E   ESCOL\u00c1STICA"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-299\" title=\"Mestre Eckhart\" src=\"http:\/\/terapiabiografica.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/09\/m_4a6b85ee82e0d471a5978e9e65d536d6.jpg\" alt=\"Mestre Eckhart\" width=\"167\" height=\"204\" \/><br \/>\nTamb\u00e9m na alta escol\u00e1stica, espiritualidade do intelecto e do cora\u00e7\u00e3o \u2014 a m\u00edstica, andam juntas. E esta n\u00e3o \u00e9, como muitas vezes se cr\u00ea, um dom\u00ednio totalmente diferente, mas algo de conexo e aparentado. Assim, se as Sumas desenvolvem mais largamente s\u00f3 o m\u00e9todo racional, isso o foi por motivos did\u00e1ticos e n\u00e3o significa n\u00e3o fosse poss\u00edvel, na realidade, uma unidade viva entre pensamento conceptual e sentimento religioso. Exatamente com Echardo, o m\u00edstico por excel\u00eancia, pode-se ver como &#8220;\u2019escol\u00e1stica. e m\u00edstica em subst\u00e2ncia concordam\u201d (B. Seeberg). Para conhecermos a escol\u00e1stica devemos conhecer Echardo, e para conhecermos Echardo \u00e9 mister conhecer a escol\u00e1stica.<\/p>\n<p>V i d a<\/p>\n<p>Mestre Echardo (Meister Eckhart \u2014 1260-1327), origin\u00e1rio dos Echardos de Hackheim, foi membro da ordem dominicana, estudou em Paris, veio a ser Mestre em teologia, ocupou mais tarde uma posi\u00e7\u00e3o de relevo na sua ordem visitando, por isso, v\u00e1rios conventos. Nessa ocasi\u00e3o fez aquelas pr\u00e9dicas que o celebrizaram e contribu\u00edram para o desenvolver-se de um novo movimento m\u00edstico. Por curto tempo ensinou em Paris e, ao fim de sua vida, tamb\u00e9m em Col\u00f4nia. Nos \u00faltimos anos levantaram-se d\u00favidas sobre a ortodoxia, em mat\u00e9ria de f\u00e9, dos seus escritos. Eram procedentes, parte, dos franciscauos, parte, da sua pr\u00f3pria ordem. O arcebispo de Col\u00f4nia dirigiu o processo eclesi\u00e1stico contra ele. Echardo defendeu-se e apelou ao Papa (o escrito da defesa foi descoberto e \u00e9 rico de informa\u00e7\u00f5es sobre a conduta do Mestre). Dois anos depois da sua morte teve, n\u00e3o obstante o processo, lugar a condena\u00e7\u00e3o de 2S teses da sua doutrina. A Igreja na sua senten\u00e7a reconheceu expressamente ter sido o Mestre bona fide Nenhuma resist\u00eancia ofereceu Echardo contra a Igreja.\u00a0\u00a0 No\u00a0 escrito\u00a0 da sua defesa\u00a0 est\u00e1 dito:\u00a0\u00a0 &#8220;Tudo quanto nos meus escritos e palavras \u00e9 falso, sem ter eu disso ci\u00eancia, estou sempre pronto a ceder a um melhor sentido\u2026 Pois errar posso eu, mas ser herege, isso n\u00e3o o posso; pois errar \u00e9 do intelecto, mas ser herege \u00e9 por vontade&#8221;.<\/p>\n<p>Obras<\/p>\n<p>A maior parte das obras de Echardo s\u00e3o em latim e versam quest\u00f5es teol\u00f3gico-filos\u00f3ficas. A obra principal \u00e9 o incompleto Opus tripartitum. V\u00eam depois as Quaestiones Parisienses. Muita cousa ainda est\u00e1 in\u00e9dita. Enquanto n\u00e3o se publicar tudo n\u00e3o se pode fazer ju\u00edzo definitivo sobre Echardo. Entre as obras em alem\u00e3o se colocam em primeiro lugar as suas Pr\u00e9dicas. Conservam-se em c\u00f3pias. \u2014 Edi\u00e7\u00f5es: J. Quint, Die \u00dcberlieferung der deutschen Predigten Meister Eckharts (1932). A edi\u00e7\u00e3o de Pfiffer (1857) \u00e9 defeituosa. A tradu\u00e7\u00e3o von B\u00fcttner \u00e9 reconhecidamente m\u00e1. Em via de publica\u00e7\u00e3o: Magistri Echardi. opera latina. Ed. Instit. S. Sabinae in urbe, Leipzig (1934 ss.); e Meister Eckhart. Die lateinische und deutschen Werke, Ed. feita por ordem da Deutsche Forschungsgemeinschaft, Stuttgart (1936 ss.).<\/p>\n<p>Bibliografia<\/p>\n<p>O. Karrer, Meister Eckart. Das System seiner religi\u00f6sen Lehre und Lebensuceisheit. Textbuch aus den gedruckten Quellen, mit Einf\u00fchrimg (1926). M. Grabmann, Neu aufgefundene Pariser Quaestionem Meister Eckharts und ikre Stellung in seinem geistigen Entwicklungs-gange. (Abhandlugen der Bayr. Akad. der Wissenschaften, M\u00fcnchen, 1927). G. Della Volpe, II misticismo speculativo di maestro Eckhart nei suoi rapporti storici (1930). Al. Dempf, Meister Eckhart (1934). Herma Piesch, Meister Eckharts Ethik (1985). W. Bange, Meister Eckarts Lebre vorn g\u00f2ttlicheii und geschopflichen Seiti (1987). H. Eeelixg, Meister Eckharts Mystik (1947). Studien num Mythus des 20. Jahrhunderts\u00a0\u00a0 (1934).<\/p>\n<p>a)\u00a0\u00a0\u00a0 Bases\u00a0\u00a0 espirituais<\/p>\n<p>?) Neoplatonismo. \u2014 \u00c9 necess\u00e1rio, sobretudo com Echardo, indicar as bases do seu pensamento. \u00c9, primeiro, o neo-platonismo e o seu c\u00edrculo de id\u00e9ias, como Echardo o recebeu dos\u00a0 Padres,\u00a0 sobretudo\u00a0 de\u00a0 Agostinho,\u00a0 do\u00a0 PseudoDion\u00edsio,\u00a0 de M\u00e1ximo Confessor; e, depois, de Eri\u00fagena, da escola de Chartres, da filosofia \u00e1rabe, do Liber de causis, do de intelligentiis e, mais que tudo, de Alberto e da sua escola.<\/p>\n<p>?) A escol\u00e1stica. \u2014 Mas t\u00e3o decisivo, ao menos, para o pensamento de Echardo \u00e9 a teologia escol\u00e1stica, principalmente Tom\u00e1s de Aquino. Basta lan\u00e7ar um olhar sobre os lugares aduzidos no Textbuch de Karr, para logo verificar essa influ\u00eancia, pelas muitas cita\u00e7\u00f5es de Tom\u00e1s. Tamb\u00e9m o Coment\u00e1rio das Senten\u00e7as, ree\u00e9m-descoberto por .T. Ivoch, move-se nessa mesma linha. Muita cousa, que int\u00e9rpretes mal informados de Echardo tomaram como pante\u00edsmo e arrog\u00e2ncia n\u00f3rdica, \u00e9 patrim\u00f4nio da doutrina escol\u00e1stica da Trindade, da gra\u00e7a e da especula\u00e7\u00e3o sobre o togou que, passando pelos Padres, se estende at\u00e9 Pilo Judeu.<\/p>\n<p>?) A m\u00edstica. \u2014 E finalmente Echardo vive da m\u00edstica, dos Victorinos, de Roberto de Deutz, Bernardo de Claraval. Tamb\u00e9m daquela coerente m\u00edstica que, nos claustros alem\u00e3es dos s\u00e9cs. 12 e 13, constitu\u00edram um intens\u00edssimo movimento espiritual, e de que s\u00e3o representantes not\u00e1veis Hildegarda de Bingen, Gertrudes a Grande, Matilde de Magdehurgo, Matilde de Hackeborn e outras. Conforme o mostra o projeto de reforma franciscana, no concilio lugdunense de 1274, esses c\u00edrculos m\u00edsticos sempre se ocuparam com a especula\u00e7\u00e3o escol\u00e1stica. A influ\u00eancia de Echardo, nos claustros de religiosas, n\u00e3o foi a \u00fanica a propulsionar essas aspira\u00e7\u00f5es. Sabemos, pelas obras dos m\u00edsticos alem\u00e3es, rec\u00e9m-descobertas por Grabmann, que tamb\u00e9m Jo\u00e3o de Sterngassen, Gerardo de Sterngassen, Nicolau de Estrasburgo e as suas m\u00edsticas se fundam em Tom\u00e1s. Aqui a escol\u00e1stica, que penetra essa m\u00edstica, n\u00e3o \u00e9, como se pensou, um &#8220;rolo laminador que esmagou o sentido religioso at\u00e9 lamin\u00e1-lo e extingui-lo&#8221;.<\/p>\n<p>b)\u00a0\u00a0\u00a0 Deus<\/p>\n<p>?) Deus como pensamento puro. \u2014 Na doutrina de Deus Echardo sobretudo p\u00f5e em relevo que, sobre Deus, sempre devemos dizer antes o que ele n\u00e3o \u00e9, que o que \u00e9. Por isso o designa como puro de qualquer elemento criado. Como o diria um absoluto idealista? Mas tamb\u00e9m Arist\u00f3teles, que Echardo conhece muito bem, assim caracterizou Deus; e Tom\u00e1s diz igualmente que em Deus intelecto e ess\u00eancia se identificam; e para Alberto Deus \u00e9 o intellectus universalites agens, produzindo, como tal, a primeira Intelig\u00eancia. Donde o poder dizer Echardo, como o pr\u00f3logo do Evangelho de S. Jo\u00e3o, que, pelo Verbum, que \u00e9 um verbum mentis, tudo foi feito. Por onde se v\u00ea que as atribui\u00e7\u00f5es da teologia negativa, como j\u00e1 o tinha percebido o PseudoDion\u00edsio, encerram contudo um conhecimento de valor positivo.<\/p>\n<p>?) Deus como plenitude do ser. \u2014 Deus \u00e9, assim, a plenitude do ser; todo ser dele procede. &#8220;\u00c9 sem d\u00favida o terem dele o ser todos os seres, como tudo quanto \u00e9 branco pela brancura o \u00e9&#8221; (Qu. Par. p\u00e1g. 11, Meiner). Ou: &#8220;Deus tudo criou, n\u00e3o no sentido de as criaturas existirem fora ou ao lado dele, como se d\u00e1 com as obras dos art\u00edfices; mas Deus chamou todas do nada, do n\u00e3o-ser, para o ser, de modo que todas nele o achassem, recebessem e tivessem&#8221;\u2019 (1. c. 16).<\/p>\n<p>??) O ser como id\u00e9ia. \u2014 Agora vemos em que sentido Deus \u00e9 a plenitude do ser: ele encerra as id\u00e9ias de todos os seres; criando-os, cria o ser e, em tanto, \u00e9 imanente ao ser. Aqui revive a velha doutrina das Id\u00e9ias, mas sem ter a iman\u00eancia nenhuma acep\u00e7\u00e3o pante\u00edsta. As Id\u00e9ias existem por participa\u00e7\u00e3o e \u00e9 muito exato que o ser colocado no espa\u00e7o e no tempo o \u00e9 por participa\u00e7\u00e3o. Pelo que acaba de ser dito se conclui que Deus \u00e9 pensamento e pensar, n\u00e3o ser; pois, \u00e9 o Logos, expressivo das id\u00e9ias, ao passo que &#8220;ser&#8221; deve designar o criado. Mas se se tomar o &#8220;ser&#8221; pela ess\u00eancia metaf\u00edsica, pela Id\u00e9ia das cousas, ent\u00e3o Deus, como a origem e a plenitude das Id\u00e9ias, \u00e9 o ser absoluto e, nesse sentido, Echardo designa Deus como o ser (1. c. 7, 17).<\/p>\n<p>??) As Id\u00e9ias e o Filho de Deus. \u2014 O pensamento predileto de Echardo \u00e9 o de identificar as Id\u00e9ias com o Filho de Deus. &#8220;Ele \u00e9 o Verbo do Pai. Com a mesma palavra o Pai se exprime a si mesmo, toda a natureza divina e tudo o que Deus \u00e9, assim como o conhece e o conhece tal como ele \u00e9\u2026 Exprimindo o Verbo, exprime-se a si mesmo e todas as cousas numa outra Pessoa e lhe d\u00e1 a mesma natureza que ele j\u00e1 tem; e exprime todos os esp\u00edritos dotados de raz\u00e3o, nesse verbo, como a imagem, i. \u00e9. o, de conformidade com a Id\u00e9ia, essencialmente igual, na medida em que a imagem e interior, imanente&#8221;\u00a0 (1. Pred., ed. Quint, p\u00e1g. 15, 9).\u00a0\u00a0 Aqui h\u00e1 um certo vacilar do pensamento; pois Eckhardo, continuando, acentua fortemente o ser criado da Id\u00e9ia, a sua &#8220;ilumina\u00e7\u00e3o&#8221;, portanto a sua participa\u00e7\u00e3o. (Tamb\u00e9m no Areopagita o pensamento da participa\u00e7\u00e3o serve para exprimir o ens ab alio). Mas o Filho, segundo a teologia de Echardo, n\u00e3o pode ser criado. Ora, tomando-se a filia\u00e7\u00e3o das Id\u00e9ias literalmente, como os te\u00f3logos escol\u00e1sticos estavam habituados a faz\u00ea-lo, surge logo o perigo de dissipar-se a distin\u00e7\u00e3o entre Deus e o mundo. Mas talvez n\u00e3o se deve tomar em sentido literal o que foi intencionado apenas como imagem e com o fim especial de o tornar sens\u00edvel.<\/p>\n<p>?) A exist\u00eancia de Deus. \u2014 Podemos tocar com as m\u00e3os o platonismo crist\u00e3o do nosso Mestre, quando indaga se Deus existe. A sua resposta \u00e9 a seguinte: &#8220;O ser \u00e9 o ser de Deus&#8221; (esse est essentia Dei sive Deus; igitur Deum esse, verum aeternum est; igitur Deus est: Quaest. Par.; p\u00e1g. 14, 1 ss.). Assim como as cousas brancas n\u00e3o s\u00e3o brancas sem a brandira, assim as cousas existentes n\u00e3o existem sem Deus (13, 10). Sem ele o ser seria nada. Ainda uma vez, isto n\u00e3o \u00e9 pante\u00edsmo, mas a aplica\u00e7\u00e3o ao mundo existente da id\u00e9ia da ???????. Mas como? De um lado adverte Echardo, apoiado na teoria das Id\u00e9ias, que as cousas existem em Deus e Deus nelas, s\u00f3 quanto ao seu ser &#8220;essencial&#8221;, i. \u00e9, ideal, exemplar. Mas agora ouvimos que tamb\u00e9m o ser esp\u00e1cio-temporal participa de Deus; pois, quando fala da exist\u00eancia \u00e9 isso o que pensa. Mas de fato n\u00e3o \u00e9 assim; mas ent\u00e3o de novo faz ele real\u00e7ar nas cousas o ser essencial, ideal ou propriamente ser e, neste sentido, Deus lhes \u00e9 imanente. V\u00ea ele o mundo com os olhos de Plat\u00e3o. E quando pensa no ser colocado no espa\u00e7o e no tempo, como tal, d\u00e1-lhe ent\u00e3o claramente o nome de criatura, e esta \u00e9 &#8220;mortal&#8221;.<\/p>\n<p>c)\u00a0\u00a0\u00a0 O\u00a0\u00a0\u00a0 bem<\/p>\n<p>?) Fim da \u00c9tica. \u2014 Echardo revela bem o que \u00e9 quando vem a tratar de quest\u00f5es \u00e9ticas. O que neste dom\u00ednio ensina \u00e9 uma doutrina da perfei\u00e7\u00e3o crist\u00e3; e o que a\u00ed sobretudo lhe importa \u00e9 impregnar a vida desse ideal, a tal ponto, que se torna por sua vez gerador de vida. Quer ele ser mestre n\u00e3o de ler, mas de viver. A pr\u00e1tica lhe \u00e9 mais importante que a teoria.\u00a0\u00a0\u00a0 &#8220;Assim, \u00e9 melhor dar de comer a quem tem fome, do que entregar-se a uma prolongada contempla\u00e7\u00e3o interna. E fosse algu\u00e9m arrebatado como S. Paulo e soubesse de um doente necessitado do seu aux\u00edlio, eu julgaria muito melhor que deixasse por amor o \u00eaxtase e servisse o necessitado com amor tanto maior&#8221;. O seu pensamento \u00e9 aqui un\u00edssono com o do seu grande confrade Tom\u00e1s de Aquino: &#8220;S. Tom\u00e1s ensina que sempre o amor ativo vale mais que o contemplativo, quando o amor ativo dissemina o que colheu na contempla\u00e7\u00e3o&#8221; (Karrer, 1. c. 390 ss.).\u00a0\u00a0 A \u00e9tica de Echardo obedece ao lema \u2014\u00a0\u00a0 &#8220;unidade com o ser uno&#8221;. Isto quer dizer participa\u00e7\u00e3o amorosa e cognitiva do supremo bem e da sua perfei\u00e7\u00e3o. Praticamente significa conformidade do nosso pensamento e vontade com Deus. Evidentemente, por amor do supremo bem e da perfei\u00e7\u00e3o objetiva como tal. Echardo \u00e9 um moralista de inten\u00e7\u00e3o normativa e n\u00e3o precisa ser purificado da tacha de nenhuma moral interessada.<\/p>\n<p>?) Via para a perfei\u00e7\u00e3o. \u2014 A via para esta unidade \u00e9 a do nascimento de Deus no homem. Esta id\u00e9ia muitas vezes versada \u00e9 a id\u00e9ia central de toda a filosofia do Mestre. Podemos distinguir um duplo nascimento.<\/p>\n<p>??) O nascimento de Deus como morada do Esp\u00edrito Santo. \u2014 Uma n\u00e3o \u00e9 outra, sen\u00e3o o que a teologia escol\u00e1stica sempre denominou a habita\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo na alma do justo. A doutrina da gra\u00e7a j\u00e1 tinha, apoiada na B\u00edblia, assinalado que a gra\u00e7a de Cristo nos torna filhos de Deus, templos do Esp\u00edrito Santo, onde Deus tem a sua morada; a express\u00e3o para o significar, de que agora Echardo se serve \u00e9 &#8220;ser nascido&#8221;. Como este nascimento de Deus constitui uma doa\u00e7\u00e3o e uma gra\u00e7a, n\u00e3o pode haver aqui nada de pante\u00edsmo.<\/p>\n<p>??)\u00a0\u00a0\u00a0 A gera\u00e7\u00e3o\u00a0 de Deus como gera\u00e7\u00e3o \u00edntima trinit\u00e1ria.<\/p>\n<p>\u2014\u00a0\u00a0 Mas Echardo conhece um segundo nascimento: \u00e9 quando diz que a alma \u00e9 o lugar desse nascimento divino que se processa e completa em Deus mesmo desde a eternidade. &#8220;O Pai gera o Filho como seu igual\u2026 Mas digo ainda mais: Ele o gerou na minha alma\u2026 Nesta gera\u00e7\u00e3o espiram o Pai e o Filho o Esp\u00edrito Santo\u2026 Tudo o que o Pai pode realizar ele gera no Filho a fim de o Filho o gerar na alma\u2026 Assim a alma se torna uma divina morada da eterna divindade&#8221; (Pfeiffer, 205, 165, 215).\u00a0\u00a0 Mas se esta gera\u00e7\u00e3o trinit\u00e1ria \u00edntima se consuma na minha alma, ent\u00e3o Echardo acrescenta conseq\u00fcentemente: &#8220;Eu sou uma causa de Deus ser o que \u00e9; pois se eu n\u00e3o existisse n\u00e3o existiria Deus&#8221; (PfeifFer, 2S3). Afirma\u00e7\u00e3o esta \u00f3tima a provocar uma err\u00f4nea interpreta\u00e7\u00e3o pante\u00edsta! Mas o em que Echardo pensa \u00e9 na id\u00e9ia de n\u00f3s mesmos, no &#8220;modo n\u00e3o-gerado pelo qual somos eternos e devemos perdurar eternos&#8221; (1. c). &#8220;Pois se a criatura n\u00e3o existia em si mesma, como agora, \u00e9 que existia antes do come\u00e7o do mundo em Deus e na sua mente&#8221; (Pfeiffer, 488). Todas as cousas existem em Deus sob essa forma ideal de ser; mais imediatamente em Deus Padre: &#8220;No centro da Paternidade\u2026 existem todas as folhinhas de relva, a madeira e a pedra e todas as cousas&#8221; (PFeifFer, 332). Aqui reaparecem as praeconceptiones divinae, a &#8220;realidade preconcebida&#8221;, como se exprime Echardo na seq\u00fcela do PseudoDio-n\u00edsio; em suma, todo o mundus intelligibilis. E se Deus gera o Filho como seu Verbo, em quem ele se exprime com todas as realidades nele inclusas; ou, como &#8220;a imagem e, portanto, como o seu ser eterno que nela est\u00e1, que \u00e9 a sua forma permanente em si mesmo&#8221; (1. a), ent\u00e3o somos &#8220;n\u00f3s&#8221; evidentemente a causa de Deus. Mas essa cansa n\u00e3o \u00e9 o nosso n\u00f3s criado, sen\u00e3o a id\u00e9ia do nosso eu existente na mente divina, nem mais nem menos do que nele existem todas as demais id\u00e9ias constitutivas da ess\u00eancia de Deus. Nada disto nos deve admirar, pois tudo n\u00e3o passa de uma aplica\u00e7\u00e3o das especula\u00e7\u00f5es sobre o Logos, tradicionais desde Eilo. Para a \u00e9tica de Echardo estas id\u00e9ias assumem grande import\u00e2ncia, pois delas resultam para cada homem uma imagem em Deus, um eu eterno e, melhor, um ego archetypus, nossa medida e nossa lei eterna. Isso debuxa um leito para a corrente dos atos do nosso ser pessoal e da nossa vida, que a reconduz ao oceano da divindade donde ela outrora derivou.<\/p>\n<p>??) Scintilla animae. \u2014 Mas como se manifesta em n\u00f3s esse mundo das id\u00e9ias e do eu ideal existente no Verbo eterno? Echardo diz: temos um acesso imediato para ele na scintilla animae, ou castelo da Alma ou arca mentia, como tamb\u00e9m lhe chama. Muito se escreveu a este respeito, talvez muito inutilmente, o que tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 para admirar. Mas o decisivo nisso tudo \u00e9 a id\u00e9ia da participa\u00e7\u00e3o. Echardo sabe o que h\u00e1 de divino no homem. Cr\u00ea com Agostinho, que Deus nos \u00e9 mais \u00edntimo que n\u00f3s mesmos. Esta palavra de Agostinho deveria ter sido a melhor elucida\u00e7\u00e3o da scintilla animae.<\/p>\n<p>Mas Echardo conhece tamb\u00e9m a diferen\u00e7a entre o humano e o divino. Por isso declara ao escrito da sua defesa: Se a alma fosse apenas isso, ent\u00e3o seria incriada. Mas participando de Deus, nela permanece o divino, a scintilla animae; \u00e9 pois criada, por participar de Deus e n\u00e3o ser divina. Na linguagem do Aquinate isto quereria, mais rigorosamente, significar a Synteresis ou o habitus principiorum (cf. sup. 158 s.); na da filosofia moderna dos valores, o sentimento do valor. \u00c9 esse o ponto em que o homem, meio-termo entre dois mundos, tem a consci\u00eancia de ser algo pertencente a Deus por uma aut\u00eantica participa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>??) Cristo \u2014 Uma segunda e mais intuitiva via para o nosso melhor eu, Echardo a encontra em Cristo, em quem o Verbo se fez carne. Ambos esses caminhos tamb\u00e9m os trilharia o CUSANO, que os aprendeu de Echardo.<\/p>\n<p>d)\u00a0\u00a0\u00a0 I n f 1 u \u00ea n c i a<\/p>\n<p>Echardo veio a ser o que realmente queria ser \u2014 um mestre na vida. Suas id\u00e9ias encontram acolhida no mais amplo c\u00edrculo de pessoas. Sua ordem, evitando-lhe as proposi\u00e7\u00f5es censuradas, prosseguiu, com muitos dos seus membros, na mesma linha do seu esp\u00edrito. Os dois mais importantes foram os seguintes. JO\u00c3O Tauder (+ 1361) em torno de quem se reuniram os amigos de Deus, seculares e regalares atra\u00eddos pela m\u00edstica, sobretudo n\u00f3s conventos renanos de religiosas; a sua for\u00e7a de vontade e de vida interior produziu ainda impress\u00e3o sobre Lutero. Depois, Henr\u00edque Suso (+ 1366), o cantor da eterna sabedoria; nele especula\u00e7\u00e3o e sentimento mutuamente se fecundam, como \u00e9 t\u00edpico da m\u00edstica escol\u00e1stica. Na linha m\u00edstica de EChardo se colocam al\u00e9m disto a Teologia alem\u00e3 escrita por Lutero e as obras de Jo\u00e3o RUSbr\u00f3quio (Jo\u00e3o van Ruysbroek) (+ 1381), cujo disc\u00edpulo, Geegroote fundou a Congrega\u00e7\u00e3o dos Irm\u00e3os da Vida Comum.\u00a0 Num dos seus conventos, em Deventer, foi educado o jovem<br \/>\nNlCOLAU DE CUSA.\u00a0\u00a0\u00a0 No\u00a0 S\u00e9culo 19 FRANCISCO VON BaaDER de novo chamou\u00a0\u00a0 a\u00a0 aten\u00e7\u00e3o\u00a0 para\u00a0\u00a0 Echardo,\u00a0\u00a0 como\u00a0\u00a0 o\u00a0 esp\u00edrito\u00a0 central da m\u00edstica medieval.\u00a0\u00a0 Hegel ent\u00e3o o exaltou como o herdeiro da especula\u00e7\u00e3o&#8221;\u2019.\u00a0\u00a0 A descoberta das suas obras latinas por H. DeNifle rasgou novos horizontes para as investiga\u00e7\u00f5es\u00a0 modernas sobre ele.<\/p>\n<p>Fonte:\u00a0 HIST\u00d3RIA DA FILOSOFIA NA IDADE M\u00c9DIA, Johannes HIRSCHBERGER<\/p>\n<div class=\"sharedaddy sd-sharing-enabled\"><div class=\"robots-nocontent sd-block sd-social sd-social-icon-text sd-sharing\"><h3 class=\"sd-title\">Compartilhe isso:<\/h3><div class=\"sd-content\"><ul><li class=\"share-print\"><a rel=\"nofollow noopener noreferrer\" data-shared=\"\" class=\"share-print sd-button share-icon\" href=\"https:\/\/terapiabiografica.com.br\/blog\/2009\/09\/o-mestre-eckhart-mistica-e-escolastica\/\" target=\"_blank\" title=\"Clique para imprimir\" ><span>Imprimir<\/span><\/a><\/li><li class=\"share-email\"><a rel=\"nofollow noopener noreferrer\" data-shared=\"\" class=\"share-email sd-button share-icon\" href=\"mailto:?subject=%5BPost%20compartilhado%5D%20O%20MESTRE%20ECKHART%3A%20M%C3%8DSTICA%20%20%20E%20%20%20ESCOL%C3%81STICA&body=https%3A%2F%2Fterapiabiografica.com.br%2Fblog%2F2009%2F09%2Fo-mestre-eckhart-mistica-e-escolastica%2F&share=email\" target=\"_blank\" title=\"Clique para enviar um link por e-mail para um amigo\" data-email-share-error-title=\"Voc\u00ea tem algum e-mail configurado?\" data-email-share-error-text=\"Se voc\u00ea est\u00e1 tendo problemas para compartilhar por e-mail, \u00e9 poss\u00edvel que voc\u00ea n\u00e3o tenha configurado o e-mail para seu navegador. 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E esta n\u00e3o \u00e9, como muitas vezes se cr\u00ea, um dom\u00ednio totalmente diferente, mas algo de conexo e aparentado. Assim, se as Sumas desenvolvem mais largamente s\u00f3 o m\u00e9todo racional, isso o foi por motivos did\u00e1ticos e n\u00e3o significa n\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n<div class=\"sharedaddy sd-sharing-enabled\"><div class=\"robots-nocontent sd-block sd-social sd-social-icon-text sd-sharing\"><h3 class=\"sd-title\">Compartilhe isso:<\/h3><div class=\"sd-content\"><ul><li class=\"share-print\"><a rel=\"nofollow noopener noreferrer\" data-shared=\"\" class=\"share-print sd-button share-icon\" href=\"https:\/\/terapiabiografica.com.br\/blog\/2009\/09\/o-mestre-eckhart-mistica-e-escolastica\/\" target=\"_blank\" title=\"Clique para imprimir\" ><span>Imprimir<\/span><\/a><\/li><li class=\"share-email\"><a rel=\"nofollow noopener noreferrer\" data-shared=\"\" class=\"share-email sd-button share-icon\" href=\"mailto:?subject=%5BPost%20compartilhado%5D%20O%20MESTRE%20ECKHART%3A%20M%C3%8DSTICA%20%20%20E%20%20%20ESCOL%C3%81STICA&body=https%3A%2F%2Fterapiabiografica.com.br%2Fblog%2F2009%2F09%2Fo-mestre-eckhart-mistica-e-escolastica%2F&share=email\" target=\"_blank\" title=\"Clique para enviar um link por e-mail para um amigo\" data-email-share-error-title=\"Voc\u00ea tem algum e-mail configurado?\" data-email-share-error-text=\"Se voc\u00ea est\u00e1 tendo problemas para compartilhar por e-mail, \u00e9 poss\u00edvel que voc\u00ea n\u00e3o tenha configurado o e-mail para seu navegador. 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