{"id":45,"date":"2007-11-16T10:45:27","date_gmt":"2007-11-16T13:45:27","guid":{"rendered":"http:\/\/terapiabiografica.com.br\/blog\/2007\/11\/16\/uma-escuta-atenta-da-depressao\/"},"modified":"2007-11-16T10:45:27","modified_gmt":"2007-11-16T13:45:27","slug":"uma-escuta-atenta-da-depressao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/terapiabiografica.com.br\/blog\/2007\/11\/uma-escuta-atenta-da-depressao\/","title":{"rendered":"UMA ESCUTA ATENTA DA DEPRESS\u00c3O"},"content":{"rendered":"<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0.49cm\" align=\"center\"><font face=\"Arial, sans-serif\"><font style=\"font-size: 13pt\" size=\"4\"><em><strong>Uma tarde com James Hillman<\/strong><\/em><\/font><\/font><\/p>\n<p style=\"margin: 0.49cm 1.27cm\" align=\"right\"> <font face=\"Arial, sans-serif\"><em><strong>por John S\u00f6derlund<\/strong><\/em><\/font><\/p>\n<p style=\"margin: 0.49cm 1.27cm; text-align: center\"><a href=\"http:\/\/terapiabiografica.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2007\/11\/depression1.jpg\" title=\"depression1.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/terapiabiografica.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2007\/11\/depression1.jpg\" alt=\"depression1.jpg\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm\"><font face=\"Arial, sans-serif\"><font size=\"2\">Esta entrevista foi traduzida mediante autoriza\u00e7\u00e3o de seu autor. O original em ingl\u00eas pode ser acessado em <\/font><\/font><font color=\"#0000ff\"><u><a href=\"http:\/\/newtherapist.com\/hillman8.html\" target=\"_blank\"><font face=\"Arial, sans-serif\"><font size=\"2\">newtherapist.com\/hillman8.html<\/font><\/font><\/a><\/u><\/font><font face=\"Arial, sans-serif\"><font size=\"2\">.<\/font><\/font><\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm\">\u201c<font face=\"Arial, sans-serif\"><font size=\"2\">N\u00e3o, 90 por cento do tempo eu n\u00e3o permito que as pessoas me fotografem,\u201d responde James Hillman bruscamente.<\/font><\/font><\/p>\n<p><font face=\"Arial, sans-serif\"><font size=\"2\">\u201cSer\u00e1 que isto poderia ser parte dos 10 por cento,\u201d eu me arrisco, dando um sorriso na dire\u00e7\u00e3o do homem de apar\u00eancia comum sentado na ponta de sua cadeira atr\u00e1s da mesa, posicionada no centro do palco.<\/font><\/font><\/p>\n<p><font face=\"Arial, sans-serif\"><font size=\"2\">\u201cN\u00e3o, definitivamente n\u00e3o,\u201d ele responde, bufando e desviando o olhar antes que o meu sorriso pudesse intervir para suavizar a pancada.<br \/>\nEu me viro rapidamente, constrangido e furioso pela sensa\u00e7\u00e3o de ter tomado um fora brutal, e sumo no meio dos dois mil ou mais membros da plat\u00e9ia que esperavam ansiosamente pelo discurso de Hillman.<br \/>\nEste \u00e9 o piece de resistance no menu junguiano da Confer\u00eancia Evolution of Psychotherapy de 2000, uma reuni\u00e3o de gurus da psicoterapia e alguns milhares de clientes bajuladores que v\u00e3o beber at\u00e9 a \u00faltima gota das palavras de seus \u201cmestres\u201d.<\/font><\/font><\/p>\n<p><font face=\"Arial, sans-serif\"><font size=\"2\">\u201cQuem ele pensa que \u00e9,\u201d eu resmungo para mim mesmo silenciosamente enquanto me sento no fundo do audit\u00f3rio e espero sua fala.<\/font><\/font><\/p>\n<p><font face=\"Arial, sans-serif\"><font size=\"2\">\u201cA psicologia junguiana diz respeito, acima de tudo, \u00e0 atitude,\u201d ele come\u00e7a. \u201cLogo, o trabalho todo est\u00e1 em compreender esta atitude em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 psique, ou \u00e0 alma. A quest\u00e3o \u00e9: \u2018O que \u00e9 que a psique est\u00e1 fazendo ao apresentar o paciente com uma depress\u00e3o?\u2019\u201d<\/font><\/font><\/p>\n<p><font face=\"Arial, sans-serif\"><font size=\"2\">Este \u00e9 o Hillman cl\u00e1ssico, brincando com o controverso e escorregadio tema da alma, com o qual mereceu um pouco de aten\u00e7\u00e3o recente no seu livro O C\u00f3digo do Ser. Escute relaxadamente e \u00e9 atraente e empolgante. Preste muita aten\u00e7\u00e3o e ele apresenta mais buracos do que um queijo su\u00ed\u00e7o, eu penso, ainda ferido.<\/font><\/font><\/p>\n<p><font face=\"Arial, sans-serif\"><font size=\"2\">\u201cAo inv\u00e9s de ver a depress\u00e3o como uma disfun\u00e7\u00e3o, ela \u00e9 um fen\u00f4meno funcional. Paralisa-te, acalma-te, deixa-te terrivelmente infeliz. Ent\u00e3o voc\u00ea sabe que ela funciona,\u201d explica Hillman, falando devagar e deliberadamente o bastante para um texto escrito \u00e0 m\u00e3o, transcrito palavra por palavra.<\/font><\/font><\/p>\n<p><font face=\"Arial, sans-serif\"><font size=\"2\">Voc\u00ea est\u00e1 fazendo uma liga\u00e7\u00e3o causal entre a epidemia da depress\u00e3o no final do s\u00e9culo XX e o estilo de vida que adotamos nas na\u00e7\u00f5es industriais do primeiro mundo, eu penso junto com algumas outras centenas de terapeutas extasiados?<\/font><\/font><\/p>\n<p><font face=\"Arial, sans-serif\"><font size=\"2\">\u201cSe a hist\u00f3ria \u00e9 meramente a repeti\u00e7\u00e3o de uma est\u00f3ria, ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 necessariamente causal. Na vis\u00e3o de Jung, a causalidade \u00e9 algo mais formal,\u201d ele contra-ataca intuitivamente, desviando-se de um entendimento claro de onde est\u00e1 indo.<\/font><\/font><\/p>\n<p><font face=\"Arial, sans-serif\"><font size=\"2\">A consci\u00eancia \u00e9 \u201cunilateral\u201d na psicologia de Jung. Esta vis\u00e3o unilateral que retemos do mundo \u00e9 complicada com a chegada de \u201coutras partes\u201d, continua Hillman, \u201caquelas deixadas do lado de fora da sala principal, que entram pela porta dos fundos.<\/font><\/font><\/p>\n<p><font face=\"Arial, sans-serif\"><font size=\"2\">E o que entrou, passou despercebido pela consci\u00eancia, n\u00e3o est\u00e1 l\u00e1 com a inten\u00e7\u00e3o criminosa t\u00edpica de quem entra pela porta dos fundos, mas veio para perturbar o programa unilateral que a consci\u00eancia tinha a inten\u00e7\u00e3o de perseguir. Este intruso \u00e9 um agente de mudan\u00e7a a servi\u00e7o da busca de sentido que vai al\u00e9m do sentido que a consci\u00eancia pode nos oferecer, eu penso, enquanto Hillman d\u00e1 uma pausa, permitindo aos seus ouvintes posicionar as pe\u00e7as desconectadas do quebra-cabe\u00e7a em seus lugares corretos sem nenhuma pe\u00e7a de conex\u00e3o. Mas as partes que faltam s\u00e3o facilmente posicionadas por sua plat\u00e9ia atenta, absorvendo-as.<\/font><\/font><\/p>\n<p><font face=\"Arial, sans-serif\"><font size=\"2\">\u201cOs fatos acima mencionados s\u00e3o a ess\u00eancia da atitude junguiana para o que vem \u00e0 tona na sua vida e na de seus pacientes,\u201d resume.<\/font><\/font><\/p>\n<p><font face=\"Arial, sans-serif\"><font size=\"2\">A epidemia da depress\u00e3o<\/font><\/font><\/p>\n<p><font face=\"Arial, sans-serif\"><font size=\"2\">Os jornais nos dizem que h\u00e1 muito mais depress\u00e3o \u00e0 nossa volta do que imaginamos, que ela \u00e9 end\u00eamica em nossa cultura, a maior reclama\u00e7\u00e3o apresentada na pr\u00e1tica m\u00e9dica, nos diz Hillman novamente, resumindo alguns anos de estat\u00edsticas e proje\u00e7\u00f5es de sa\u00fade mental superficiais.<\/font><\/font><\/p>\n<p><font face=\"Arial, sans-serif\"><font size=\"2\">\u201cTemos que fazer alguma coisa sobre a depress\u00e3o!\u201d ele diz, imitando provocativamente a principal resposta psiqui\u00e1trica aos pacientes que apresentam sintomas de depress\u00e3o.<br \/>\n\u00c9 claro, eu penso, relembrando algumas proje\u00e7\u00f5es recentes que acreditam que a depress\u00e3o ir\u00e1 defasar a for\u00e7a de trabalho nas pr\u00f3ximas duas d\u00e9cadas.<\/font><\/font><\/p>\n<p><font face=\"Arial, sans-serif\"><font size=\"2\">Um dos principais crit\u00e9rios diagn\u00f3sticos para a depress\u00e3o, aponta Hillman, \u00e9 se sentir deprimido a maior parte do dia, praticamente todos os dias, durante duas semanas pelo menos.<\/font><\/font><\/p>\n<p><font face=\"Arial, sans-serif\"><font size=\"2\">\u201c\u00c8 o mesmo que colocar uma doen\u00e7a cr\u00f4nica na categoria de uma doen\u00e7a [?] aguda. Temos que perceber a natureza man\u00edaca daquele diagn\u00f3stico, de que qualquer coisa que dure mais do que duas semanas em nossa cultura \u00e9 longo demais\u201d, ele diz.<\/font><\/font><\/p>\n<p><font face=\"Arial, sans-serif\"><font size=\"2\">\u201cEsta \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o totalmente man\u00edaca. Eu tenho que falar continuamente com voc\u00eas para voc\u00eas n\u00e3o se entediarem,\u201d ele grita para a plat\u00e9ia. \u201cEu fico em frente ao meu fax, dou-lhe umas pancadas e digo: \u2018Por que demora tanto para estas malditas coisas passarem?\u2019\u201d Soltamos uma gargalhada enquanto duas outras pe\u00e7as do quebra-cabe\u00e7a de Hillman se encaixam.<\/font><\/font><\/p>\n<p><font face=\"Arial, sans-serif\"><font size=\"2\">O que a maioria dos americanos reclama \u00e9 de n\u00e3o ter tempo suficiente nem sono suficiente. Man\u00edacos n\u00e3o precisam dormir nem comer. Podemos nos sentar durante o dia inteiro na frente do computador, despenteados, nus como um doente em uma ala isolada do hospital. Ent\u00e3o, onde \u00e9 que a depress\u00e3o, a lentid\u00e3o, se encaixam? Como \u00e9 que Saturno entra, a n\u00e3o ser for\u00e7ando sua entrada?<br \/>\nA economia da depress\u00e3o<\/font><\/font><\/p>\n<p><font face=\"Arial, sans-serif\"><font size=\"2\">O custo direto da depress\u00e3o responde por apenas uma pequena parte das despesas m\u00e9dicas m\u00e9dias de uma pessoa, ele continua, mas nossa oposi\u00e7\u00e3o fren\u00e9tica \u00e0 depress\u00e3o e o que isto representa tem uma grande semelhan\u00e7a em nossos temores econ\u00f4micos dominantes hoje em dia.<br \/>\nFalamos de uma depress\u00e3o econ\u00f4mica. Nos preocupamos com a crise de energia em termos econ\u00f4micos e com a inibi\u00e7\u00e3o da vontade em nossos pacientes. Ponderamos sobre a amea\u00e7a da polui\u00e7\u00e3o mundial enquanto nossos pacientes depressivos ruminam sobre suas fantasias de que seu interior est\u00e1 se tornando negro, de que est\u00e3o sendo envenenados. Tememos o desemprego e a caracter\u00edstica dominante dos indiv\u00edduos depressivos \u00e9 que eles n\u00e3o conseguem levantar para ir trabalhar, aponta Hillman.<\/font><\/font><\/p>\n<p><font face=\"Arial, sans-serif\"><font size=\"2\">Duas vezes mais mulheres do que homens de todos os grupos raciais est\u00e3o propensos a sofrer de depress\u00e3o, ele continua.<br \/>\n\u201cA cultura man\u00edaca \u00e9 fundamentalmente uma cultura da testosterona. Isto come\u00e7ou no s\u00e9culo XIX, as mulheres eram as portadoras de uma enorme quantidade de sintomas, que elas apresentavam aos m\u00e9dicos\u201d.<\/font><\/font><\/p>\n<p><font face=\"Arial, sans-serif\"><font size=\"2\">\u201cHoje em dia esta depress\u00e3o ultrapassou os limites que tinha no come\u00e7o da psiquiatria. Est\u00e1 na juventude, nas crian\u00e7as, e o termo \u00e9 usado muito amplamente. Mas \u00e9 muito importante se voltar para que tipo de experi\u00eancia aquela pessoa (que sofre de depress\u00e3o) est\u00e1 passando.\u201d<\/font><\/font><\/p>\n<p><font face=\"Arial, sans-serif\"><font size=\"2\">\u201cNa pr\u00e1tica, as pessoas dizerem que est\u00e3o deprimidas \u00e9 insuficiente, n\u00e3o \u00e9 o bastante. Eu quero saber o que, onde, como, quais s\u00e3o os correlatos f\u00edsicos, o que voc\u00ea come, o que acontece quando voc\u00ea est\u00e1 naquela cadeira e quando voc\u00ea se levanta da cadeira. Quero saber um monte de coisas sobre seu corpo.\u201d<\/font><\/font><\/p>\n<p><font face=\"Arial, sans-serif\"><font size=\"2\">\u00c9 saber o que aquela experi\u00eancia depressiva est\u00e1 lhe dizendo como cl\u00ednico, eu penso, se distanciando do diagn\u00f3stico e chegando ao \u00e2mago da experi\u00eancia. Eu divago momentaneamente e penso a respeito do hor\u00e1rio man\u00edaco que mantenho h\u00e1 tanto tempo, relembrando como me sinto quando diminuo a velocidade por um minuto. Sinto-me bem por perceber o momento, eu penso, enquanto volto para a lista dos correlatos depressivos de Hillman.<\/font><\/font><\/p>\n<p><font face=\"Arial, sans-serif\"><font size=\"2\">\u201cCabelos secos, respira\u00e7\u00e3o curta, suspiros freq\u00fcentes, um tom diminu\u00eddo ou nulo para tudo, sonol\u00eancia e semblante sofrido, com uma seriedade diferente da ansiedade. Isto \u00e9 muito importante. Tudo parece t\u00e3o pesado, opressivo. Os romanos a chamavam gravitas, ela pertence a Saturno,\u201d ele continua.<\/font><\/font><\/p>\n<p><font face=\"Arial, sans-serif\"><font size=\"2\">\u201cEm seu treinamento voc\u00ea provavelmente escutou que a depress\u00e3o \u00e9 pior durante a manh\u00e3. Porque \u00e9 que a depress\u00e3o \u00e9 pior durante a manh\u00e3? O que \u00e9 que isto diz a respeito do dia no qual voc\u00ea est\u00e1 entrando? Ser\u00e1 que \u00e9 porque n\u00e3o tem um tom menor na m\u00fasica que tocam no r\u00e1dio de manh\u00e3, porque voc\u00ea tem que acompanhar o nascer do sol? Temos que encontrar algum sentido nas coisas que observamos.\u201d<br \/>\nEnt\u00e3o, qual \u00e9 o sentido que voc\u00ea encontra nisso, eu penso, ficando um pouco impaciente com o ritmo no qual ele est\u00e1 se movendo. Novamente, quase intuitivamente, Hillman sugere um intervalo e, na volta, liga um v\u00eddeo para passar um document\u00e1rio brit\u00e2nico, entitulado \u201cKind of Blue\u201d. Hillman \u00e9 um dos primeiros entrevistados do document\u00e1rio.<\/font><\/font><\/p>\n<p><font face=\"Arial, sans-serif\"><font size=\"2\">\u201cUma das coisas que voc\u00ea n\u00e3o quer ser \u00e9 interrompido,\u201d ele diz, agora com 6 metros de altura e em cores extremamente n\u00edtidas na tela, um vulto aparecendo gradualmente para a plat\u00e9ia.<\/font><\/font><\/p>\n<p><font face=\"Arial, sans-serif\"><font size=\"2\">\u201cVoc\u00ea pode continuar, continuar, continuar na base de caf\u00e9 e estimulantes. Quando voc\u00ea assiste os her\u00f3is na TV eles nunca se cansam. (Mas) a lentid\u00e3o \u00e9 b\u00e1sica para a no\u00e7\u00e3o de melancolia desde a sua primeira origem. A mania \u00e9 com frequ\u00eancia descrita na psiquiatria como a aus\u00eancia de tristeza. Perda significa perder o que se foi. N\u00f3s queremos mudar mas n\u00e3o queremos perder. Sem tempo para a perda n\u00e3o temos tempo para a alma,\u201d ele diz retornando ao ponto.<\/font><\/font><\/p>\n<p><font face=\"Arial, sans-serif\"><font size=\"2\">\u201cA melancolia nos leva a um lugar onde podemos ver mais claramente as ess\u00eancias da vida,\u201d diz Jules Cashford, um escritor, ao entrevistador.<\/font><\/font><\/p>\n<p><font face=\"Arial, sans-serif\"><font size=\"2\">A alma conhece o caos da cultura em que vivemos. De alguma forma, se voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 de luto, voc\u00ea est\u00e1 desconectado do mundo. Ent\u00e3o, a depress\u00e3o subjacente \u00e9 uma adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 condi\u00e7\u00e3o obscura do mundo, explica Hillman. Toda vez que algu\u00e9m cai em depress\u00e3o todo mundo vem ressuscit\u00e1-lo, e temos as drogas e a terapia convulsiva para trat\u00e1-lo. Na vida comum, apenas nos levantamos e nos movemos novamente para evitar a depress\u00e3o, ele continua.<\/font><\/font><\/p>\n<p><font face=\"Arial, sans-serif\"><font size=\"2\">O filme acaba, Hillman encolhe novamente ao seu tamanho normal e retoma a fala ao vivo. \u201cEste filme foi considerado muito lento para a plat\u00e9ia americana, conseq\u00fcentemente, foi rejeitado pela PBS. Este filme pode ser parte da evolu\u00e7\u00e3o da psicoterapia,\u201d ele graceja, convidando o p\u00fablico \u00e0s perguntas.<\/font><\/font><\/p>\n<p><font face=\"Arial, sans-serif\"><font size=\"2\">Um membro da plat\u00e9ia profere timidamente que ele luta para reconciliar o humanista existencial com o cientista nele mesmo quando se depara com um cliente deprimido. Ser\u00e1 que eu ataco a depress\u00e3o de uma maneira h\u00e1bil ou me sento com as quest\u00f5es existenciais desconfort\u00e1veis que a depress\u00e3o levanta?<\/font><\/font><\/p>\n<p><font face=\"Arial, sans-serif\"><font size=\"2\">A quest\u00e3o aborrece o Hillman impressionista: \u201cEu sugiro que voc\u00ea se sente com seu humanista existencial e seu cientista e que voc\u00eas tr\u00eas tentem chegar a uma conclus\u00e3o,\u201d ele retruca. O questionador se encolhe de volta em seu assento.<\/font><\/font><\/p>\n<p><font face=\"Arial, sans-serif\"><font size=\"2\">\u201cIsto n\u00e3o \u00e9 instrumentalismo, n\u00e3o \u00e9 uma t\u00e9cnica que estou ensinando para voc\u00eas usarem. Voc\u00eas n\u00e3o v\u00e3o persistir na esperan\u00e7a. Voc\u00eas v\u00e3o manter a f\u00e9, e um dos caminhos da terapia que parecem mais \u00fateis n\u00e3o \u00e9 que voc\u00ea fa\u00e7a alguma coisa, mas que voc\u00ea mantenha o contato. Voc\u00ea \u00e9 um acompanhante cr\u00f4nico, consistente, ao inv\u00e9s de ser um terapeuta que faz alguma coisa contra o problema,\u201d ele diz.<\/font><\/font><\/p>\n<p><font face=\"Arial, sans-serif\"><font size=\"2\">\u201cO que acontece \u00e9 que voc\u00ea se torna ativado pelo sil\u00eancio ou a ca\u00edda. Contra a paralisia existem os m\u00e9todos super ativos de tratamento. A terapia eletroconvulsiva foi desenvolvida por um italiano que tamb\u00e9m desenvolveu fus\u00edveis para aeronaves,\u201d ele diz como que contando um segredo. \u201cNa hist\u00f3ria do tratamento da depress\u00e3o, havia o dunking stool (t\u00e9cnica de tortura onde se afogava a v\u00edtima), a purga\u00e7\u00e3o da b\u00edlis negra do intestino, tentativas de chocar o paciente. Todas estas tentativas representam o \u00f3dio ou a agress\u00e3o contra o que a depress\u00e3o representa no paciente.\u201d<\/font><\/font><\/p>\n<p><font face=\"Arial, sans-serif\"><font size=\"2\">Mas Hillman n\u00e3o censura o tratamento du jour para a depress\u00e3o &#8211; psicofarmacologia.<\/font><\/font><\/p>\n<p><font face=\"Arial, sans-serif\"><font size=\"2\">\u201cN\u00e3o existem raz\u00f5es para n\u00e3o tirarmos vantagem das medica\u00e7\u00f5es. O importante \u00e9 a sua atitude perante isto, como voc\u00ea mant\u00e9m aquele dem\u00f4nio em seu lugar para que n\u00e3o tome conta de voc\u00ea.\u201d O truque, ele reitera, \u00e9 manter o foco no que o paciente est\u00e1 sentindo, pensando, e imaginando.<\/font><\/font><\/p>\n<p><font face=\"Arial, sans-serif\"><font size=\"2\">\u201cN\u00e3o tenho a inten\u00e7\u00e3o de achar maneiras de acabar com a depress\u00e3o. A depress\u00e3o traz a lentid\u00e3o, um movimento contr\u00e1rio \u00e0 mania, intimidade. Ela abre a porta a algum tipo de beleza. Logo, parece haver algo l\u00e1 dentro al\u00e9m da forma como voc\u00ea, o ego, enxerga,\u201d ele conclui, completando uma imagem tosca e impressionista de um dos mais valiosos iconoclastas do mundo, que \u00e9 muito mais valiosa do que aquela que pode ter sido apreendida pela minha c\u00e2mera.<\/font><\/font><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\"><font face=\"Arial Unicode MS, sans-serif\"><font face=\"Arial, sans-serif\"><font size=\"2\">Tradu\u00e7\u00e3o de Gustavo Gerhein<\/font><\/font> <\/font><\/p>\n<div class=\"sharedaddy sd-sharing-enabled\"><div class=\"robots-nocontent sd-block sd-social sd-social-icon-text sd-sharing\"><h3 class=\"sd-title\">Compartilhe isso:<\/h3><div class=\"sd-content\"><ul><li class=\"share-print\"><a rel=\"nofollow noopener noreferrer\" data-shared=\"\" class=\"share-print sd-button share-icon\" href=\"https:\/\/terapiabiografica.com.br\/blog\/2007\/11\/uma-escuta-atenta-da-depressao\/\" target=\"_blank\" title=\"Clique para imprimir\" ><span>Imprimir<\/span><\/a><\/li><li class=\"share-email\"><a rel=\"nofollow noopener noreferrer\" data-shared=\"\" class=\"share-email sd-button share-icon\" href=\"mailto:?subject=%5BPost%20compartilhado%5D%20UMA%20ESCUTA%20ATENTA%20DA%20DEPRESS%C3%83O&body=https%3A%2F%2Fterapiabiografica.com.br%2Fblog%2F2007%2F11%2Fuma-escuta-atenta-da-depressao%2F&share=email\" target=\"_blank\" title=\"Clique para enviar um link por e-mail para um amigo\" data-email-share-error-title=\"Voc\u00ea tem algum e-mail configurado?\" data-email-share-error-text=\"Se voc\u00ea est\u00e1 tendo problemas para compartilhar por e-mail, \u00e9 poss\u00edvel que voc\u00ea n\u00e3o tenha configurado o e-mail para seu navegador. Talvez seja necess\u00e1rio voc\u00ea mesmo criar um novo e-mail.\" data-email-share-nonce=\"300a20e832\" data-email-share-track-url=\"https:\/\/terapiabiografica.com.br\/blog\/2007\/11\/uma-escuta-atenta-da-depressao\/?share=email\"><span>E-mail<\/span><\/a><\/li><li class=\"share-facebook\"><a rel=\"nofollow noopener noreferrer\" data-shared=\"sharing-facebook-45\" class=\"share-facebook sd-button share-icon\" href=\"https:\/\/terapiabiografica.com.br\/blog\/2007\/11\/uma-escuta-atenta-da-depressao\/?share=facebook\" target=\"_blank\" title=\"Clique para compartilhar no Facebook\" ><span>Facebook<\/span><\/a><\/li><li class=\"share-twitter\"><a rel=\"nofollow noopener noreferrer\" data-shared=\"sharing-twitter-45\" class=\"share-twitter sd-button share-icon\" href=\"https:\/\/terapiabiografica.com.br\/blog\/2007\/11\/uma-escuta-atenta-da-depressao\/?share=twitter\" target=\"_blank\" title=\"Clique para compartilhar no Twitter\" ><span>Twitter<\/span><\/a><\/li><li class=\"share-tumblr\"><a rel=\"nofollow noopener noreferrer\" data-shared=\"\" class=\"share-tumblr sd-button share-icon\" href=\"https:\/\/terapiabiografica.com.br\/blog\/2007\/11\/uma-escuta-atenta-da-depressao\/?share=tumblr\" target=\"_blank\" title=\"Clique para compartilhar no Tumblr\" ><span>Tumblr<\/span><\/a><\/li><li class=\"share-linkedin\"><a rel=\"nofollow noopener noreferrer\" data-shared=\"sharing-linkedin-45\" class=\"share-linkedin sd-button share-icon\" href=\"https:\/\/terapiabiografica.com.br\/blog\/2007\/11\/uma-escuta-atenta-da-depressao\/?share=linkedin\" target=\"_blank\" title=\"Clique para compartilhar no LinkedIn\" ><span>LinkedIn<\/span><\/a><\/li><li class=\"share-reddit\"><a rel=\"nofollow noopener noreferrer\" data-shared=\"\" class=\"share-reddit sd-button share-icon\" href=\"https:\/\/terapiabiografica.com.br\/blog\/2007\/11\/uma-escuta-atenta-da-depressao\/?share=reddit\" target=\"_blank\" title=\"Clique para compartilhar no Reddit\" ><span>Reddit<\/span><\/a><\/li><li class=\"share-pinterest\"><a rel=\"nofollow noopener noreferrer\" data-shared=\"sharing-pinterest-45\" class=\"share-pinterest sd-button share-icon\" href=\"https:\/\/terapiabiografica.com.br\/blog\/2007\/11\/uma-escuta-atenta-da-depressao\/?share=pinterest\" target=\"_blank\" title=\"Clique para compartilhar no Pinterest\" ><span>Pinterest<\/span><\/a><\/li><li class=\"share-pocket\"><a rel=\"nofollow noopener noreferrer\" data-shared=\"\" class=\"share-pocket sd-button share-icon\" href=\"https:\/\/terapiabiografica.com.br\/blog\/2007\/11\/uma-escuta-atenta-da-depressao\/?share=pocket\" target=\"_blank\" title=\"Clique para compartilhar no Pocket\" ><span>Pocket<\/span><\/a><\/li><li class=\"share-end\"><\/li><\/ul><\/div><\/div><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; Uma tarde com James Hillman por John S\u00f6derlund &nbsp; Esta entrevista foi traduzida mediante autoriza\u00e7\u00e3o de seu autor. O original em ingl\u00eas pode ser acessado em newtherapist.com\/hillman8.html. &nbsp; \u201cN\u00e3o, 90 por cento do tempo eu n\u00e3o permito que as pessoas me fotografem,\u201d responde James Hillman bruscamente. \u201cSer\u00e1 que isto poderia ser parte dos [&hellip;]<\/p>\n<div class=\"sharedaddy sd-sharing-enabled\"><div class=\"robots-nocontent sd-block sd-social sd-social-icon-text sd-sharing\"><h3 class=\"sd-title\">Compartilhe isso:<\/h3><div class=\"sd-content\"><ul><li class=\"share-print\"><a rel=\"nofollow noopener noreferrer\" data-shared=\"\" class=\"share-print sd-button share-icon\" href=\"https:\/\/terapiabiografica.com.br\/blog\/2007\/11\/uma-escuta-atenta-da-depressao\/\" target=\"_blank\" title=\"Clique para imprimir\" ><span>Imprimir<\/span><\/a><\/li><li class=\"share-email\"><a rel=\"nofollow noopener noreferrer\" data-shared=\"\" class=\"share-email sd-button share-icon\" href=\"mailto:?subject=%5BPost%20compartilhado%5D%20UMA%20ESCUTA%20ATENTA%20DA%20DEPRESS%C3%83O&body=https%3A%2F%2Fterapiabiografica.com.br%2Fblog%2F2007%2F11%2Fuma-escuta-atenta-da-depressao%2F&share=email\" target=\"_blank\" title=\"Clique para enviar um link por e-mail para um amigo\" data-email-share-error-title=\"Voc\u00ea tem algum e-mail configurado?\" data-email-share-error-text=\"Se voc\u00ea est\u00e1 tendo problemas para compartilhar por e-mail, \u00e9 poss\u00edvel que voc\u00ea n\u00e3o tenha configurado o e-mail para seu navegador. Talvez seja necess\u00e1rio voc\u00ea mesmo criar um novo e-mail.\" data-email-share-nonce=\"300a20e832\" data-email-share-track-url=\"https:\/\/terapiabiografica.com.br\/blog\/2007\/11\/uma-escuta-atenta-da-depressao\/?share=email\"><span>E-mail<\/span><\/a><\/li><li class=\"share-facebook\"><a rel=\"nofollow noopener noreferrer\" data-shared=\"sharing-facebook-45\" class=\"share-facebook sd-button share-icon\" href=\"https:\/\/terapiabiografica.com.br\/blog\/2007\/11\/uma-escuta-atenta-da-depressao\/?share=facebook\" target=\"_blank\" title=\"Clique para compartilhar no Facebook\" ><span>Facebook<\/span><\/a><\/li><li class=\"share-twitter\"><a rel=\"nofollow noopener noreferrer\" data-shared=\"sharing-twitter-45\" class=\"share-twitter sd-button share-icon\" href=\"https:\/\/terapiabiografica.com.br\/blog\/2007\/11\/uma-escuta-atenta-da-depressao\/?share=twitter\" target=\"_blank\" title=\"Clique para compartilhar no Twitter\" ><span>Twitter<\/span><\/a><\/li><li class=\"share-tumblr\"><a rel=\"nofollow noopener noreferrer\" data-shared=\"\" class=\"share-tumblr sd-button share-icon\" href=\"https:\/\/terapiabiografica.com.br\/blog\/2007\/11\/uma-escuta-atenta-da-depressao\/?share=tumblr\" target=\"_blank\" title=\"Clique para compartilhar no Tumblr\" ><span>Tumblr<\/span><\/a><\/li><li class=\"share-linkedin\"><a rel=\"nofollow noopener noreferrer\" data-shared=\"sharing-linkedin-45\" class=\"share-linkedin sd-button share-icon\" href=\"https:\/\/terapiabiografica.com.br\/blog\/2007\/11\/uma-escuta-atenta-da-depressao\/?share=linkedin\" target=\"_blank\" title=\"Clique para compartilhar no LinkedIn\" ><span>LinkedIn<\/span><\/a><\/li><li class=\"share-reddit\"><a rel=\"nofollow noopener noreferrer\" data-shared=\"\" class=\"share-reddit sd-button share-icon\" href=\"https:\/\/terapiabiografica.com.br\/blog\/2007\/11\/uma-escuta-atenta-da-depressao\/?share=reddit\" target=\"_blank\" title=\"Clique para compartilhar no Reddit\" ><span>Reddit<\/span><\/a><\/li><li class=\"share-pinterest\"><a rel=\"nofollow noopener noreferrer\" data-shared=\"sharing-pinterest-45\" class=\"share-pinterest sd-button share-icon\" href=\"https:\/\/terapiabiografica.com.br\/blog\/2007\/11\/uma-escuta-atenta-da-depressao\/?share=pinterest\" target=\"_blank\" title=\"Clique para compartilhar no Pinterest\" ><span>Pinterest<\/span><\/a><\/li><li class=\"share-pocket\"><a rel=\"nofollow noopener noreferrer\" data-shared=\"\" class=\"share-pocket sd-button share-icon\" href=\"https:\/\/terapiabiografica.com.br\/blog\/2007\/11\/uma-escuta-atenta-da-depressao\/?share=pocket\" target=\"_blank\" title=\"Clique para compartilhar no Pocket\" ><span>Pocket<\/span><\/a><\/li><li class=\"share-end\"><\/li><\/ul><\/div><\/div><\/div>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_is_tweetstorm":false,"jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":[]},"categories":[8,21],"tags":[42],"class_list":["post-45","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-comportamento","category-psicoterapia","tag-depressao"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7JME-J","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/terapiabiografica.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/terapiabiografica.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/terapiabiografica.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/terapiabiografica.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/terapiabiografica.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=45"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/terapiabiografica.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/terapiabiografica.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=45"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/terapiabiografica.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=45"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/terapiabiografica.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=45"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}