{"id":71,"date":"2008-02-20T16:50:52","date_gmt":"2008-02-20T18:50:52","guid":{"rendered":"http:\/\/terapiabiografica.com.br\/blog\/2008\/02\/20\/a-experiencia-de-estar-perdido-psicologia-de-lost\/"},"modified":"2008-02-20T16:50:52","modified_gmt":"2008-02-20T18:50:52","slug":"a-experiencia-de-estar-perdido-psicologia-de-lost","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/terapiabiografica.com.br\/blog\/2008\/02\/a-experiencia-de-estar-perdido-psicologia-de-lost\/","title":{"rendered":"A Experi\u00eancia de Estar Perdido &#8211; Psicologia de Lost"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><a href=\"http:\/\/terapiabiografica.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/02\/normal_lost.jpg\" title=\"normal_lost.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/terapiabiografica.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/02\/normal_lost.jpg\" alt=\"normal_lost.jpg\" \/><\/a><\/p>\n<p>Daniel Wood<\/p>\n<table border=\"0\" cellpadding=\"0\" cellspacing=\"0\" width=\"100%\">\n<tr>\n<td width=\"100%\">&nbsp;<\/td>\n<td align=\"right\" valign=\"top\" width=\"12\"><\/td>\n<\/tr>\n<\/table>\n<p style=\"text-indent: 34pt; text-align: justify\"><span style=\"font-family: Arial\">Quando fui convidado por Joyce Werres a escrever um artigo para o IJRS, senti-me um pouco desconcertado. Para determinar alguma medida do meu desconcerto \u2013 \u00e9 de rir, mas \u00e9 verdade, o fato de que nunca sabemos a exata extens\u00e3o em que estamos perdidos; caso contr\u00e1rio seria muito f\u00e1cil reencontrar o caminho \u2013 tenho de confessar que n\u00e3o pude responder imediatamente ao convite com um &#8220;sim&#8221;, ou algo mais concreto, como &#8220;Sim, e tenho precisamente algo preparado para essa ocasi\u00e3o&#8221;.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/span><span style=\"font-family: Arial\">N\u00e3o podia dizer plenamente meu &#8220;sim&#8221;. Tenho alguns artigos escritos por minha conta, h\u00e1 alguns anos que pratico esse exerc\u00edcio de escrita. Mas n\u00e3o pensei de imediato em publicar nada que tivesse escrito antes, lido ou n\u00e3o por outrem. Achei que o tema devia vir por si, algo que contribu\u00edsse para o momento que estou vivendo \u2013 pois, outra confiss\u00e3o: escrevo bem e com paix\u00e3o quando o tema se apossa de mim, e considero isso uma coisa bem \u00e0 moda de quem se interessa por Carl Gustav Jung e a imensa profundidade e extens\u00e3o de sua obra.<\/span><span style=\"font-family: Arial\">\u00a0<\/span><br \/>\n<script><!-- D([\"mb\",\"u003cp styleu003d\"text-indent:34pt;text-align:justify\"u003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003eN\u00e3on\u00e9, pois uma quest\u00e3o de dizer que sei precisamente o que se sucede.nExistem lampejos: por exemplo, uso de mim o pouco que sei quando estounescrevendo \u2013 escrevo com paix\u00e3o, mas isso n\u00e3o quer dizer que escrevoncomo se estivesse cavando um po\u00e7o na Lua enquanto pulo carnaval emnMarte a bordo de uma nave que se dirige a Saturno, e o \u00faltimo per\u00edodonn\u00e3o foi escrito metaforicamente.u003c\/spanu003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003e\u00a0u003c\/spanu003eu003c\/pu003eu003cbru003enu003cp styleu003d\"text-indent:34pt;text-align:justify\"u003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003eEstansemana estou muito sob a influ\u00eancia da quest\u00e3o que permeia a obra denPhilip K. Dick, e considero algo muito pr\u00f3prio da psicologia complexanesse cont\u00ednuo ato de perguntar o que \u00e9 real e o que \u00e9 ilus\u00f3rio, emnconjun\u00e7\u00e3o com u0026quot;o que \u00e9 que constitui um aut\u00eantico humanou0026quot;. Est\u00e1 viva emnminha mente a tradu\u00e7\u00e3o que acabei de terminar (h\u00e1 apenas dois dias) dontexto em que Dick,nconsiderado um dos maiores autores de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica do s\u00e9culo XXn(parece-me que um dos pr\u00eamios que recebeu postumamente foi de u0026quot;onmaioru0026quot;), em cuja obra se baseou o cinema ao filmar u003ciu003eBlade Runneru003c\/iu003e u003ciu003e(Ca\u00e7ador de Andr\u00f3ides), O Pagamento, Screamers, Impostor, Total Recall (O Vingador do Futuro), Scanner Darklyu003c\/iu003e.nUma olhada pela Internet e encontrei pelo menos um curta-metragemnbaseado em hist\u00f3rias desse escritor. Mas, desconfio sinceramente quentemas como u003ciu003eMatrixu003c\/iu003e e u003ciu003eCidade das Sombras (Dark City)u003c\/iu003e, ou mesmo u003ciu003eO Show de Trumanu003c\/iu003e, foram baseados, em algum grau, no pensamento inovador que Philip tem ao abordar as duas quest\u00f5es que o afligem.u003c\/spanu003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003e\u00a0u003c\/spanu003eu003c\/pu003ennnu003cbru003enu003cp styleu003d\"text-indent:34pt;text-align:justify\"u003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003eTamb\u00e9mn\u00e9 poss\u00edvel pensar de outro modo, reconhecendo, como de costume, que anrevolu\u00e7\u00e3o que o pensamento junguiano representa para a humanidade est\u00e1nmuito longe de ser delimitada. Outra s\u00e9rie de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica que feznmuito sucesso na d\u00e9cada de 1990 foi \",1] );  \/\/--><\/script><\/p>\n<p style=\"text-indent: 34pt; text-align: justify\"><span style=\"font-family: Arial\">N\u00e3o \u00e9, pois uma quest\u00e3o de dizer que sei precisamente o que se sucede. Existem lampejos: por exemplo, uso de mim o pouco que sei quando estou escrevendo \u2013 escrevo com paix\u00e3o, mas isso n\u00e3o quer dizer que escrevo como se estivesse cavando um po\u00e7o na Lua enquanto pulo carnaval em Marte a bordo de uma nave que se dirige a Saturno, e o \u00faltimo per\u00edodo n\u00e3o foi escrito metaforicamente.<\/span><span style=\"font-family: Arial\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-indent: 34pt; text-align: justify\"><span style=\"font-family: Arial\">Esta semana estou muito sob a influ\u00eancia da quest\u00e3o que permeia a obra de Philip K. Dick, e considero algo muito pr\u00f3prio da psicologia complexa esse cont\u00ednuo ato de perguntar o que \u00e9 real e o que \u00e9 ilus\u00f3rio, em conjun\u00e7\u00e3o com &#8220;o que \u00e9 que constitui um aut\u00eantico humano&#8221;. Est\u00e1 viva em minha mente a tradu\u00e7\u00e3o que acabei de terminar (h\u00e1 apenas dois dias) do texto em que Dick, considerado um dos maiores autores de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica do s\u00e9culo XX (parece-me que um dos pr\u00eamios que recebeu postumamente foi de &#8220;o maior&#8221;), em cuja obra se baseou o cinema ao filmar <em>Blade Runner<\/em> <em>(Ca\u00e7ador de Andr\u00f3ides), O Pagamento, Screamers, Impostor, Total Recall (O Vingador do Futuro), Scanner Darkly<\/em>. Uma olhada pela Internet e encontrei pelo menos um curta-metragem baseado em hist\u00f3rias desse escritor. Mas, desconfio sinceramente que temas como <em>Matrix<\/em> e <em>Cidade das Sombras (Dark City)<\/em>, ou mesmo <em>O Show de Truman<\/em>, foram baseados, em algum grau, no pensamento inovador que Philip tem ao abordar as duas quest\u00f5es que o afligem.<\/span><span style=\"font-family: Arial\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-indent: 34pt; text-align: justify\"><span style=\"font-family: Arial\">Tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel pensar de outro modo, reconhecendo, como de costume, que a revolu\u00e7\u00e3o que o pensamento junguiano representa para a humanidade est\u00e1 muito longe de ser delimitada. Outra s\u00e9rie de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica que fez muito sucesso na d\u00e9cada de 1990 foi <script><!-- D([\"mb\",\"u003ciu003eBabylon 5u003c\/iu003e, cujo autor (J. M. Straczynski) interessava-se explicatamente por Jung.u003c\/spanu003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003e\u00a0u003c\/spanu003eu003c\/pu003eu003cbru003enu003cp styleu003d\"text-indent:34pt;text-align:justify\"u003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003eRomancesns\u00e3o escritos, falseando a vida de Jung; mas cont\u00e1-la de modo imprecisone \u00e0s vezes at\u00e9 desonesto n\u00e3o \u00e9 privil\u00e9gio dos escritores \u2013 alguns, quense intitulam bi\u00f3grafos, tamb\u00e9m o fazem dando tonalidades obscuras analgo cuja multiplicidade, estrutura e funcionamento precisa sernexaminado mais detidamente do que pelo simples olhar de uma sociedadende consumo, uma configura\u00e7\u00e3o social que est\u00e1 acostumada a devorar asncoisas antes mesmo de ser capaz de saber as conseq\u00fc\u00eancias dessendesenfreado apetite.u003c\/spanu003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003e\u00a0u003c\/spanu003eu003c\/pu003eu003cbru003enu003cp styleu003d\"text-indent:34pt;text-align:justify\"u003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003eH\u00e1nalguns anos isso me faz selecionar continuamente, receoso, o que leio.nAssim pensando, cheguei em minha casa para encontrar uma s\u00e9rie de TVnempilhada ao lado de minha televis\u00e3o. Fizera o aluguel da s\u00e9rie Lost,nque tanto lugar recebe dos meios televisivos e jornal\u00edsticos nos diasnde hoje, sendo chamada, ao lado de Ronaldinho, de u0026quot;fen\u00f4menou0026quot;.u003c\/spanu003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003e\u00a0u003c\/spanu003eu003c\/pu003eu003cbru003enu003cp styleu003d\"text-indent:34pt;text-align:justify\"u003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003eRonaldinho \u00e9 um fen\u00f4meno por correr atr\u00e1s da bola com maestria, embora n\u00e3o seja muito bom quando se trata de trabalhar em equipe. Ans\u00e9rie u0026quot;Lostu0026quot;, contudo, mostra um bando de gente perdida. Um v\u00f4o que senperde ao sobrevoar, desviado de sua rota, uma ilha perdida num lugarnqualquer. Sem r\u00e1dio, sem tev\u00ea, sem jornal. Os personagens parecemnsobreviventes ao acaso, o que pensar\u00edamos numa situa\u00e7\u00e3o dessas \u00e0nprimeira vista: o v\u00f4o n\u00e3o foi fretado, s\u00e3o pessoas que por raz\u00f5esndesconhecidas e em apar\u00eancia n\u00e3o-congruentes foram parar lado a ladonnos assentos de um v\u00f4o cuja miss\u00e3o era atravessar o oceano, saindo danAustr\u00e1lia, que os americanos chamam de u0026quot;down underu0026quot;. Na pr\u00f3pria s\u00e9rienos autores fazem quest\u00e3o de explicar, em um dos epis\u00f3dios, o motivo denescolherem (al\u00e9m dos custos) a Austr\u00e1lia como ponto de partida daquelenv\u00f4o com uma anedota: u0026quot;elesu0026quot; (os norte-americanos) chamam a Austr\u00e1lia denu0026quot;down underu0026quot; porque \u00e9 u0026quot;o mais pr\u00f3ximo que se pode chegar do inferno semncair neleu0026quot;\",1] );  \/\/--><\/script><em>Babylon 5<\/em>, cujo autor (J. M. Straczynski) interessava-se explicatamente por Jung.<\/span><span style=\"font-family: Arial\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-indent: 34pt; text-align: justify\"><span style=\"font-family: Arial\">Romances s\u00e3o escritos, falseando a vida de Jung; mas cont\u00e1-la de modo impreciso e \u00e0s vezes at\u00e9 desonesto n\u00e3o \u00e9 privil\u00e9gio dos escritores \u2013 alguns, que se intitulam bi\u00f3grafos, tamb\u00e9m o fazem dando tonalidades obscuras a algo cuja multiplicidade, estrutura e funcionamento precisa ser examinado mais detidamente do que pelo simples olhar de uma sociedade de consumo, uma configura\u00e7\u00e3o social que est\u00e1 acostumada a devorar as coisas antes mesmo de ser capaz de saber as conseq\u00fc\u00eancias desse desenfreado apetite.<\/span><span style=\"font-family: Arial\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-indent: 34pt; text-align: justify\"><span style=\"font-family: Arial\">H\u00e1 alguns anos isso me faz selecionar continuamente, receoso, o que leio. Assim pensando, cheguei em minha casa para encontrar uma s\u00e9rie de TV empilhada ao lado de minha televis\u00e3o. Fizera o aluguel da s\u00e9rie Lost, que tanto lugar recebe dos meios televisivos e jornal\u00edsticos nos dias de hoje, sendo chamada, ao lado de Ronaldinho, de &#8220;fen\u00f4meno&#8221;.<\/span><span style=\"font-family: Arial\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-indent: 34pt; text-align: justify\"><span style=\"font-family: Arial\">Ronaldinho \u00e9 um fen\u00f4meno por correr atr\u00e1s da bola com maestria, embora n\u00e3o seja muito bom quando se trata de trabalhar em equipe. A s\u00e9rie &#8220;Lost&#8221;, contudo, mostra um bando de gente perdida. Um v\u00f4o que se perde ao sobrevoar, desviado de sua rota, uma ilha perdida num lugar qualquer. Sem r\u00e1dio, sem tev\u00ea, sem jornal. Os personagens parecem sobreviventes ao acaso, o que pensar\u00edamos numa situa\u00e7\u00e3o dessas \u00e0 primeira vista: o v\u00f4o n\u00e3o foi fretado, s\u00e3o pessoas que por raz\u00f5es desconhecidas e em apar\u00eancia n\u00e3o-congruentes foram parar lado a lado nos assentos de um v\u00f4o cuja miss\u00e3o era atravessar o oceano, saindo da Austr\u00e1lia, que os americanos chamam de &#8220;down under&#8221;. Na pr\u00f3pria s\u00e9rie os autores fazem quest\u00e3o de explicar, em um dos epis\u00f3dios, o motivo de escolherem (al\u00e9m dos custos) a Austr\u00e1lia como ponto de partida daquele v\u00f4o com uma anedota: &#8220;eles&#8221; (os norte-americanos) chamam a Austr\u00e1lia de &#8220;down under&#8221; porque \u00e9 &#8220;o mais pr\u00f3ximo que se pode chegar do inferno sem cair nele&#8221;<script><!-- D([\"mb\",\"u003csupu003e1u003c\/supu003e. Eu j\u00e1 vira esta express\u00e3o noutro filme denfic\u00e7\u00e3o u0026quot;estonteanteu0026quot;, esse tipo de fic\u00e7\u00e3o que nos faz perder o rumo dasncoisas de chofre. Foi em u0026quot;O Cubo Zerou0026quot;u003csupu003e2u003c\/supu003e. Um personagemndesapareceu; ao se fazer men\u00e7\u00e3o a ele, perguntando onde se encontra,nrespondem: u0026quot;down underu0026quot;, mas o letreiro da legenda em portugu\u00eas diz:nu0026quot;Austr\u00e1liau0026quot;. Nada faz supor que aquele personagem tinha ido \u00e0nAustr\u00e1lia. Ele estava morto, embora isso ainda n\u00e3o fosse revelado.nConstata-se a partir disso que u0026quot;down underu0026quot; tamb\u00e9m pode significar anoutra alus\u00e3o \u00e0 morte \u2013 pois, como se diz em portugu\u00eas, u0026quot;l\u00e1 embaixou0026quot;ntamb\u00e9m pode significar u0026quot;debaixo da terrau0026quot;.u003c\/spanu003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003e\u00a0u003c\/spanu003eu003c\/pu003eu003cbru003enu003cp styleu003d\"text-indent:34pt;text-align:justify\"u003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003eEstar, por\u00e9m, u0026quot;l\u00e1 embaixou0026quot;, remete a um lugar que a civiliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 acostumada a pensar. N\u00e3o em termos de u003ciu003emapa mundiu003c\/iu003e,npois n\u00f3s estamos u0026quot;aqui embaixou0026quot;, ou pelo menos \u00e9 que dizemos quandonapontamos no mapa nossa localiza\u00e7\u00e3o. O Sul do Brasil em particular, denonde agora escrevo, est\u00e1 u0026quot;aqui embaixou0026quot; no mapa do mundo, no mapa donBrasil, no mapa da Am\u00e9rica do Sul.u003c\/spanu003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003e\u00a0u003c\/spanu003eu003c\/pu003eu003cbru003enu003cp styleu003d\"text-indent:34pt;text-align:justify\"u003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003eMasnu0026quot;embaixou0026quot; \u00e9 uma posi\u00e7\u00e3o que sempre se refere a algo que se sup\u00f5e u0026quot;emncimau0026quot;. Costuma-se supor que a consci\u00eancia \u00e9 uma inst\u00e2ncia superior,nest\u00e1 acima do resto do corpo se a consideramos situada na cabe\u00e7a. E seno mundo estiver espetado num palito invis\u00edvel, como uma dessas ma\u00e7\u00e3snsendo assada ao fogo, poder-se-ia supor que a parte de baixo \u00e9 essa emnque estamos como na conven\u00e7\u00e3o do mapa \u2013 eles o fizeram, eles u0026quot;l\u00e1 emncimau0026quot; o fizeram, ent\u00e3o, parece natural, eles suporem que o lugar ondenest\u00e3o suas cabe\u00e7as, n\u00e3o as nossas, seja u0026quot;em cimau0026quot;. Mas se a m\u00e3o quensegura o espeto estiver virada para baixo, ent\u00e3o o lugar no mapa em quenestamos u0026quot;embaixou0026quot; na verdade \u00e9 u0026quot;em cimau0026quot;.\",1] );  \/\/--><\/script><sup>1<\/sup>. Eu j\u00e1 vira esta express\u00e3o noutro filme de fic\u00e7\u00e3o &#8220;estonteante&#8221;, esse tipo de fic\u00e7\u00e3o que nos faz perder o rumo das coisas de chofre. Foi em &#8220;O Cubo Zero&#8221;<sup>2<\/sup>. Um personagem desapareceu; ao se fazer men\u00e7\u00e3o a ele, perguntando onde se encontra, respondem: &#8220;down under&#8221;, mas o letreiro da legenda em portugu\u00eas diz: &#8220;Austr\u00e1lia&#8221;. Nada faz supor que aquele personagem tinha ido \u00e0 Austr\u00e1lia. Ele estava morto, embora isso ainda n\u00e3o fosse revelado. Constata-se a partir disso que &#8220;down under&#8221; tamb\u00e9m pode significar a outra alus\u00e3o \u00e0 morte \u2013 pois, como se diz em portugu\u00eas, &#8220;l\u00e1 embaixo&#8221; tamb\u00e9m pode significar &#8220;debaixo da terra&#8221;.<\/span><span style=\"font-family: Arial\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-indent: 34pt; text-align: justify\"><span style=\"font-family: Arial\">Estar, por\u00e9m, &#8220;l\u00e1 embaixo&#8221;, remete a um lugar que a civiliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 acostumada a pensar. N\u00e3o em termos de <em>mapa mundi<\/em>, pois n\u00f3s estamos &#8220;aqui embaixo&#8221;, ou pelo menos \u00e9 que dizemos quando apontamos no mapa nossa localiza\u00e7\u00e3o. O Sul do Brasil em particular, de onde agora escrevo, est\u00e1 &#8220;aqui embaixo&#8221; no mapa do mundo, no mapa do Brasil, no mapa da Am\u00e9rica do Sul.<\/span><span style=\"font-family: Arial\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-indent: 34pt; text-align: justify\"><span style=\"font-family: Arial\">Mas &#8220;embaixo&#8221; \u00e9 uma posi\u00e7\u00e3o que sempre se refere a algo que se sup\u00f5e &#8220;em cima&#8221;. Costuma-se supor que a consci\u00eancia \u00e9 uma inst\u00e2ncia superior, est\u00e1 acima do resto do corpo se a consideramos situada na cabe\u00e7a. E se o mundo estiver espetado num palito invis\u00edvel, como uma dessas ma\u00e7\u00e3s sendo assada ao fogo, poder-se-ia supor que a parte de baixo \u00e9 essa em que estamos como na conven\u00e7\u00e3o do mapa \u2013 eles o fizeram, eles &#8220;l\u00e1 em cima&#8221; o fizeram, ent\u00e3o, parece natural, eles suporem que o lugar onde est\u00e3o suas cabe\u00e7as, n\u00e3o as nossas, seja &#8220;em cima&#8221;. Mas se a m\u00e3o que segura o espeto estiver virada para baixo, ent\u00e3o o lugar no mapa em que estamos &#8220;embaixo&#8221; na verdade \u00e9 &#8220;em cima&#8221;.<script><!-- D([\"mb\",\"u003c\/spanu003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003e\u00a0u003c\/spanu003eu003c\/pu003eu003cbru003enu003cp styleu003d\"text-indent:34pt;text-align:justify\"u003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003eTudon\u00e9 uma quest\u00e3o de perspectiva, o modo de perceber a realidade, e Jungnsabia perfeitamente bem disso, pois escreveu a respeito e salientou denv\u00e1rios modos essa circunst\u00e2ncia. Einstein tamb\u00e9m falou sobre o assunto,nembora em outros termos, e n\u00e3o tendo em vista, num primeiro momento, anperspectiva ps\u00edquica do universo. Para Einstein as linhas de campongravitacionais que cingem o universo e fazem com que ele estejandependurado em cord\u00f5es invis\u00edveis n\u00e3o t\u00eam rela\u00e7\u00e3o imediata com anpsique. A Teoria da Relatividade, tanto em sua parte geral quanto emnsua parte especial, explica a quest\u00e3o da perspectiva de uma maneirandiferente da abordagem junguiana, mas fala de coisas muito pr\u00f3ximas \u00e0npsicologia complexa. A F\u00edsica tamb\u00e9m discute a realidade \u2013 imposs\u00edvelnseria se n\u00e3o o fizesse, pois, se os gregos buscavam a u003ciu003ephysisu003c\/iu003e, n\u00e3o \u00e9 por acaso que tamb\u00e9m investigavam u003ciu003epsycheu003c\/iu003e como um dos elementos estreitamente relacionados ao elemento primordial do universo. Se a u003ciu003ephysisu003c\/iu003e est\u00e1 na gera\u00e7\u00e3o do universo, a u003ciu003epsycheu003c\/iu003e, sendo alma, \u00e9 a u0026quot;subst\u00e2nciau0026quot; que anima o universo, como \u00e9 vento sob as asas da borboleta \u2013 e a\u00ed a no\u00e7\u00e3o de u003ciu003epsycheu003c\/iu003e por vezes se confunde com a no\u00e7\u00e3o de u003ciu003epneumau003c\/iu003e, como hoje as religi\u00f5es confundem, eventualmente, alma com esp\u00edrito.u003c\/spanu003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003e\u00a0u003c\/spanu003eu003c\/pu003ennnu003cbru003enu003cp styleu003d\"text-indent:34pt;text-align:justify\"u003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003eN\u00e3on\u00e9 \u00e0 toa que Jung e Pauli colaboraram tanto. O conceito densincronicidade n\u00e3o \u00e9 uma inven\u00e7\u00e3o como, por exemplo, o autom\u00f3vel angasolina. \u00c9 uma descoberta. \u00c9 a retirada de uma ponta do v\u00e9u de \u00cdsis,nque recobre todas as coisas. Uma parte do v\u00e9u de Maya que se desfaz,npara de novo recobrir a u003ciu003everdadeu003c\/iu003e.u003c\/spanu003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003e\u00a0u003c\/spanu003eu003c\/pu003eu003cbru003enu003cp styleu003d\"text-indent:34pt;text-align:justify\"u003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003eComo n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa, em u003ciu003eLostu003c\/iu003e,nque os personagens se encontram u0026quot;ao acasou0026quot; e mais tarde osnacontecimentos, em plano triplo (passado, presente e futuro sensuperp\u00f5em nas cenas) v\u00e3o oferecendo raz\u00f5es para deixar claro que ondenn\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o aparente existe uma trama profunda cujos ramos s\u00f3 deixamnperceber grada\u00e7\u00f5es em n\u00edveis.\",1] );  \/\/--><\/script><\/span><span style=\"font-family: Arial\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-indent: 34pt; text-align: justify\"><span style=\"font-family: Arial\">Tudo \u00e9 uma quest\u00e3o de perspectiva, o modo de perceber a realidade, e Jung sabia perfeitamente bem disso, pois escreveu a respeito e salientou de v\u00e1rios modos essa circunst\u00e2ncia. Einstein tamb\u00e9m falou sobre o assunto, embora em outros termos, e n\u00e3o tendo em vista, num primeiro momento, a perspectiva ps\u00edquica do universo. Para Einstein as linhas de campo gravitacionais que cingem o universo e fazem com que ele esteja dependurado em cord\u00f5es invis\u00edveis n\u00e3o t\u00eam rela\u00e7\u00e3o imediata com a psique. A Teoria da Relatividade, tanto em sua parte geral quanto em sua parte especial, explica a quest\u00e3o da perspectiva de uma maneira diferente da abordagem junguiana, mas fala de coisas muito pr\u00f3ximas \u00e0 psicologia complexa. A F\u00edsica tamb\u00e9m discute a realidade \u2013 imposs\u00edvel seria se n\u00e3o o fizesse, pois, se os gregos buscavam a <em>physis<\/em>, n\u00e3o \u00e9 por acaso que tamb\u00e9m investigavam <em>psyche<\/em> como um dos elementos estreitamente relacionados ao elemento primordial do universo. Se a <em>physis<\/em> est\u00e1 na gera\u00e7\u00e3o do universo, a <em>psyche<\/em>, sendo alma, \u00e9 a &#8220;subst\u00e2ncia&#8221; que anima o universo, como \u00e9 vento sob as asas da borboleta \u2013 e a\u00ed a no\u00e7\u00e3o de <em>psyche<\/em> por vezes se confunde com a no\u00e7\u00e3o de <em>pneuma<\/em>, como hoje as religi\u00f5es confundem, eventualmente, alma com esp\u00edrito.<\/span><span style=\"font-family: Arial\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-indent: 34pt; text-align: justify\"><span style=\"font-family: Arial\">N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que Jung e Pauli colaboraram tanto. O conceito de sincronicidade n\u00e3o \u00e9 uma inven\u00e7\u00e3o como, por exemplo, o autom\u00f3vel a gasolina. \u00c9 uma descoberta. \u00c9 a retirada de uma ponta do v\u00e9u de \u00cdsis, que recobre todas as coisas. Uma parte do v\u00e9u de Maya que se desfaz, para de novo recobrir a <em>verdade<\/em>.<\/span><span style=\"font-family: Arial\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-indent: 34pt; text-align: justify\"><span style=\"font-family: Arial\">Como n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa, em <em>Lost<\/em>, que os personagens se encontram &#8220;ao acaso&#8221; e mais tarde os acontecimentos, em plano triplo (passado, presente e futuro se superp\u00f5em nas cenas) v\u00e3o oferecendo raz\u00f5es para deixar claro que onde n\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o aparente existe uma trama profunda cujos ramos s\u00f3 deixam perceber grada\u00e7\u00f5es em n\u00edveis.<script><!-- D([\"mb\",\"u003c\/spanu003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003e\u00a0u003c\/spanu003eu003c\/pu003eu003cbru003enu003cp styleu003d\"text-indent:34pt;text-align:justify\"u003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003eA cada n\u00edvel de profundidade, descobre-se mais e mais complexidade. Em u003ciu003eflashbacksu003c\/iu003e que mostram os passageiros do v\u00f4o 815 da u003ciu003eOceanicu003c\/iu003e,num ou outro passageiro recebe o primeiro plano; enquanto isso, outrosnque aparecem no plano de fundo tamb\u00e9m s\u00e3o sobreviventes do desastre donv\u00f4o 815. Equivale a dizer que, de um modo ou de outro, seus u0026quot;destinosu0026quot;nestavam sempre se cruzando, at\u00e9 esse momento crucial em que s\u00e3o todosnreunidos numa ilha u0026quot;perdidau0026quot;. Antes estavam s\u00f3 no mesmo mundo, umnplaneta u0026quot;perdidou0026quot;, mas n\u00e3o u0026quot;no meiou0026quot; do Universo \u2013 os astr\u00f4nomos danatualidade declaram de maneira praticamente un\u00e2nime que estamosu003csupu003e3u003c\/supu003e\u00a0penduradosnnuma das pontas da Via L\u00e1ctea. No entanto, desconfio que, se fossendepender do julgamento da pol\u00edtica vigente no mundo, a Via L\u00e1cteanapareceria no hemisf\u00e9rio superior dos mapas estelares.u003c\/spanu003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003e\u00a0u003c\/spanu003eu003c\/pu003eu003cbru003enu003cp styleu003d\"text-indent:34pt;text-align:justify\"u003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003e\u00c9nverdade. De certo modo, estamos perdidos. Perdidos no mesmo mundo, umanilha no grande oceano do infinito. Tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o a n\u00f3s mesmos:nsomos consci\u00eancia m\u00ednima, luz de vela, no meio desse luzeiro imenso,nque teimamos em interpretar como escurid\u00e3o, que \u00e9 a psique.u003c\/spanu003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003e\u00a0u003c\/spanu003eu003c\/pu003eu003cbru003enu003cp styleu003d\"text-indent:34pt;text-align:justify\"u003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003eDental modo que s\u00f3 pode fazer sucesso estrondoso uma abordagem quenevidencia, a todo o momento, como estamos perdidos, como acabamos nosnencontrando uns aos outros e \u00e9 esse ato de reconhecer nossos pontos emncomum, nossos pontos de conex\u00e3o, que d\u00e1 tanto sentido a nossasnamizades, \u00e0s nossas afinidades, e ilumina os caminhos da vida,napresentando sinais por onde podemos ir tateando com nossas pequenasnvelas atrav\u00e9s da penumbra.u003c\/spanu003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003e\u00a0u003c\/spanu003eu003c\/pu003eu003cbru003enu003cp styleu003d\"text-indent:34pt;text-align:justify\"u003e\",1] );  \/\/--><\/script><\/span><span style=\"font-family: Arial\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-indent: 34pt; text-align: justify\"><span style=\"font-family: Arial\">A cada n\u00edvel de profundidade, descobre-se mais e mais complexidade. Em <em>flashbacks<\/em> que mostram os passageiros do v\u00f4o 815 da <em>Oceanic<\/em>, um ou outro passageiro recebe o primeiro plano; enquanto isso, outros que aparecem no plano de fundo tamb\u00e9m s\u00e3o sobreviventes do desastre do v\u00f4o 815. Equivale a dizer que, de um modo ou de outro, seus &#8220;destinos&#8221; estavam sempre se cruzando, at\u00e9 esse momento crucial em que s\u00e3o todos reunidos numa ilha &#8220;perdida&#8221;. Antes estavam s\u00f3 no mesmo mundo, um planeta &#8220;perdido&#8221;, mas n\u00e3o &#8220;no meio&#8221; do Universo \u2013 os astr\u00f4nomos da atualidade declaram de maneira praticamente un\u00e2nime que estamos<sup>3<\/sup>\u00a0pendurados numa das pontas da Via L\u00e1ctea. No entanto, desconfio que, se fosse depender do julgamento da pol\u00edtica vigente no mundo, a Via L\u00e1ctea apareceria no hemisf\u00e9rio superior dos mapas estelares.<\/span><span style=\"font-family: Arial\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-indent: 34pt; text-align: justify\"><span style=\"font-family: Arial\">\u00c9 verdade. De certo modo, estamos perdidos. Perdidos no mesmo mundo, uma ilha no grande oceano do infinito. Tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o a n\u00f3s mesmos: somos consci\u00eancia m\u00ednima, luz de vela, no meio desse luzeiro imenso, que teimamos em interpretar como escurid\u00e3o, que \u00e9 a psique.<\/span><span style=\"font-family: Arial\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-indent: 34pt; text-align: justify\"><span style=\"font-family: Arial\">De tal modo que s\u00f3 pode fazer sucesso estrondoso uma abordagem que evidencia, a todo o momento, como estamos perdidos, como acabamos nos encontrando uns aos outros e \u00e9 esse ato de reconhecer nossos pontos em comum, nossos pontos de conex\u00e3o, que d\u00e1 tanto sentido a nossas amizades, \u00e0s nossas afinidades, e ilumina os caminhos da vida, apresentando sinais por onde podemos ir tateando com nossas pequenas velas atrav\u00e9s da penumbra.<\/span><span style=\"font-family: Arial\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-indent: 34pt; text-align: justify\"><script><!-- D([\"mb\",\"u003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003eDental maneira que temos a ilus\u00e3o de que n\u00e3o estamos perdidos, pois nosnencontramos. Topamo-nos, \u00e9 verdade, de modo relativo. S\u00e3o refer\u00eancias.nTemo-las entre uns e outros. Somos brasileiros ou n\u00e3o, ga\u00fachos ou n\u00e3o,nparanaenses ou n\u00e3o, entendemos essa ou aquela l\u00edngua, nascemos neste ounnaquele dia, nesta ou naquela hora, e tudo isso \u00e9 absolutamentenrelativo. N\u00e3o me parece que questionemos nossa exist\u00eancia, isto \u00e9, senescrevo isso, se leio isso, \u00e9 porque existo. N\u00e3o parece que sonho anescrita, ou que a escrita me sonha lendo. Mas os leitores que conhecem u003ciu003eMem\u00f3rias, Sonhos e Reflex\u00f5esu003c\/iu003enh\u00e3o de se lembrar da vis\u00e3o de Jung de que ele era a vis\u00e3o de um iogue,ne que esse iogue, ao parar de meditar, cessaria sua (a de Jung)nexist\u00eancia. \u00c9 o que diz Philip Dick: se Deus nos pensa, existimos. SenDeus parar de nos pensar, deixamos de ser, coisa bastante estranha parano pensamento que se cr\u00ea u0026quot;no topo do mundou0026quot;, mas um tanto natural paranquem sabe que est\u00e1 u0026quot;embaixou0026quot;.u003c\/spanu003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003e\u00a0u003c\/spanu003eu003c\/pu003eu003cbru003enu003cp styleu003d\"text-indent:34pt;text-align:justify\"u003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003eAlgunsnse atrevem a pensar que, se n\u00e3o pensamos em Deus, ele n\u00e3o existe. Masnisso ou \u00e9 uma fal\u00e1cia, um exerc\u00edcio inconseq\u00fcente de ret\u00f3rica, ou umnconvite \u00e0 possess\u00e3o e, por que n\u00e3o, \u00e0 loucura tamb\u00e9m, caso denNietzsche, segundo consta.u003c\/spanu003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003e\u00a0u003c\/spanu003eu003c\/pu003eu003cbru003enu003cp styleu003d\"text-indent:34pt;text-align:justify\"u003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003eN\u00e3on\u00e9 poss\u00edvel matar a Deus sem ter \u2013 antes disso \u2013 de enfrentar asnconseq\u00fc\u00eancias de, pelo menos, perder-se, para, se for poss\u00edvel onreencontro, descobrir que de fato, como disseram os antigos, Deus \u00e9nimortal e tamb\u00e9m (embora n\u00e3o apenas) por isso \u00e9 Deus.u003c\/spanu003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003e\u00a0u003c\/spanu003eu003c\/pu003eu003cbru003enu003cp styleu003d\"text-indent:34pt;text-align:justify\"u003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003eEstarnperdido tamb\u00e9m pode ser sin\u00f4nimo de estar \u00e0 beira do inferno, l\u00e1nembaixo. A loucura tem algo de semelhante a isso, podemos pensar nesteninstante. Quando Jung faz a met\u00e1fora de que \u00e9 uma consci\u00eancia m\u00ednima,numa vela que deve ser tomada com muito cuidado para permitir iluminarnna escurid\u00e3o, tem essa no\u00e7\u00e3o imprecisa que temos \u2013 os estudantes danpsique \u2013 de que os limites entre loucura e sanidade s\u00e3o bastante t\u00eanues.\",1] );  \/\/--><\/script><span style=\"font-family: Arial\">De tal maneira que temos a ilus\u00e3o de que n\u00e3o estamos perdidos, pois nos encontramos. Topamo-nos, \u00e9 verdade, de modo relativo. S\u00e3o refer\u00eancias. Temo-las entre uns e outros. Somos brasileiros ou n\u00e3o, ga\u00fachos ou n\u00e3o, paranaenses ou n\u00e3o, entendemos essa ou aquela l\u00edngua, nascemos neste ou naquele dia, nesta ou naquela hora, e tudo isso \u00e9 absolutamente relativo. N\u00e3o me parece que questionemos nossa exist\u00eancia, isto \u00e9, se escrevo isso, se leio isso, \u00e9 porque existo. N\u00e3o parece que sonho a escrita, ou que a escrita me sonha lendo. Mas os leitores que conhecem <em>Mem\u00f3rias, Sonhos e Reflex\u00f5es<\/em> h\u00e3o de se lembrar da vis\u00e3o de Jung de que ele era a vis\u00e3o de um iogue, e que esse iogue, ao parar de meditar, cessaria sua (a de Jung) exist\u00eancia. \u00c9 o que diz Philip Dick: se Deus nos pensa, existimos. Se Deus parar de nos pensar, deixamos de ser, coisa bastante estranha para o pensamento que se cr\u00ea &#8220;no topo do mundo&#8221;, mas um tanto natural para quem sabe que est\u00e1 &#8220;embaixo&#8221;.<\/span><span style=\"font-family: Arial\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-indent: 34pt; text-align: justify\"><span style=\"font-family: Arial\">Alguns se atrevem a pensar que, se n\u00e3o pensamos em Deus, ele n\u00e3o existe. Mas isso ou \u00e9 uma fal\u00e1cia, um exerc\u00edcio inconseq\u00fcente de ret\u00f3rica, ou um convite \u00e0 possess\u00e3o e, por que n\u00e3o, \u00e0 loucura tamb\u00e9m, caso de Nietzsche, segundo consta.<\/span><span style=\"font-family: Arial\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-indent: 34pt; text-align: justify\"><span style=\"font-family: Arial\">N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel matar a Deus sem ter \u2013 antes disso \u2013 de enfrentar as conseq\u00fc\u00eancias de, pelo menos, perder-se, para, se for poss\u00edvel o reencontro, descobrir que de fato, como disseram os antigos, Deus \u00e9 imortal e tamb\u00e9m (embora n\u00e3o apenas) por isso \u00e9 Deus.<\/span><span style=\"font-family: Arial\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-indent: 34pt; text-align: justify\"><span style=\"font-family: Arial\">Estar perdido tamb\u00e9m pode ser sin\u00f4nimo de estar \u00e0 beira do inferno, l\u00e1 embaixo. A loucura tem algo de semelhante a isso, podemos pensar neste instante. Quando Jung faz a met\u00e1fora de que \u00e9 uma consci\u00eancia m\u00ednima, uma vela que deve ser tomada com muito cuidado para permitir iluminar na escurid\u00e3o, tem essa no\u00e7\u00e3o imprecisa que temos \u2013 os estudantes da psique \u2013 de que os limites entre loucura e sanidade s\u00e3o bastante t\u00eanues.<script><!-- D([\"mb\",\"u003c\/spanu003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003e\u00a0u003c\/spanu003eu003c\/pu003eu003cbru003enu003cp styleu003d\"text-indent:34pt;text-align:justify\"u003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003ePodemos,nali\u00e1s, pensar que a loucura n\u00e3o existe. Ent\u00e3o, desaparecem os limites.nMas se pensarmos que a loucura \u00e9 um dos graus da realidadeu003csupu003e4u003c\/supu003e, tamb\u00e9m poderemos ter graus de sanidadeu003csupu003e5u003c\/supu003e\u00a0comonsendo degraus que ocupamos na escada que visa nos levar ao que em tesenalmejamos: sermos autenticamente humanos, n\u00e3o estarmos mais perdidos,nsermos capazes de localizar com precis\u00e3o nosso lugar e nossa ess\u00eanciann\u00e3o s\u00f3 no espa\u00e7o e no tempo, mas em rela\u00e7\u00e3o ao que sabemos de n\u00f3snmesmos e dos outros, semelhantes ou n\u00e3o. Mas a loucura existe na medidanem que somos capazes de atribuir, mesmo com todo o sentido de que somosncapazes, a n\u00f3s ou a outrem essa coisa u003ciu003enonsenseu003c\/iu003e de cavar buracos na Lua enquanto se pula carnaval em Marte no meio de uma viagem a Saturnou003csupu003e6u003c\/supu003e. \u00c9 que, com tudo que podemos compreender tamb\u00e9m podemos nos recusar, conscientemente ou n\u00e3o, a faz\u00ea-lo.u003c\/spanu003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003e\u00a0u003c\/spanu003eu003c\/pu003ennnu003cbru003enu003cp styleu003d\"text-indent:34pt;text-align:justify\"u003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003eEnt\u00e3onatribuir um nome ao outro mant\u00e9m nosso lugar seguro: u0026quot;\u00e9 loucou0026quot;, u0026quot;est\u00e1nperdidou0026quot;, fica u0026quot;l\u00e1 embaixou0026quot;. Ou seja, u0026quot;n\u00e3o \u00e9 comigou0026quot;. S\u00e3o eles quenest\u00e3o u003ciu003eLostu003c\/iu003e, eu estou aqui, sentado confortavelmente nanfrente da televis\u00e3o, comendo pizza, tomando refrigerante. Do que ser\u00e1nfeito esse tempero? Cenas dos pr\u00f3ximos cap\u00edtulos. Cenas dos cap\u00edtulosnanteriores.u003c\/spanu003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003e\u00a0u003c\/spanu003eu003c\/pu003eu003cbru003enu003cp styleu003d\"text-indent:34pt;text-align:justify\"u003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003e\u00c9 tamb\u00e9m por isso que u003ciu003eLostu003c\/iu003enfaz sentido. N\u00e3o apenas porque descreve metaforicamente a situa\u00e7\u00e3o donmundo hoje, mas porque sempre se pode pensar que o que est\u00e1 ali n\u00e3o \u00e9nverdade, enquanto eu, que tenho o controle remoto nas m\u00e3os, sou dono danverdade, tenha ou n\u00e3o que trabalhar amanh\u00e3, tenha ou n\u00e3o que dar umnsentido e uma conclus\u00e3o minimamente interessantes ao que escrevo, pensone vivo. Eu \u00e9 que existo, eles n\u00e3o. A menos que eles possam me ver nantev\u00ea e me desligar com o controle remoto, mas isso \u00e9 um absurdo.\",1] );  \/\/--><\/script><\/span><span style=\"font-family: Arial\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-indent: 34pt; text-align: justify\"><span style=\"font-family: Arial\">Podemos, ali\u00e1s, pensar que a loucura n\u00e3o existe. Ent\u00e3o, desaparecem os limites. Mas se pensarmos que a loucura \u00e9 um dos graus da realidade<sup>4<\/sup>, tamb\u00e9m poderemos ter graus de sanidade<sup>5<\/sup>\u00a0como sendo degraus que ocupamos na escada que visa nos levar ao que em tese almejamos: sermos autenticamente humanos, n\u00e3o estarmos mais perdidos, sermos capazes de localizar com precis\u00e3o nosso lugar e nossa ess\u00eancia n\u00e3o s\u00f3 no espa\u00e7o e no tempo, mas em rela\u00e7\u00e3o ao que sabemos de n\u00f3s mesmos e dos outros, semelhantes ou n\u00e3o. Mas a loucura existe na medida em que somos capazes de atribuir, mesmo com todo o sentido de que somos capazes, a n\u00f3s ou a outrem essa coisa <em>nonsense<\/em> de cavar buracos na Lua enquanto se pula carnaval em Marte no meio de uma viagem a Saturno<sup>6<\/sup>. \u00c9 que, com tudo que podemos compreender tamb\u00e9m podemos nos recusar, conscientemente ou n\u00e3o, a faz\u00ea-lo.<\/span><span style=\"font-family: Arial\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-indent: 34pt; text-align: justify\"><span style=\"font-family: Arial\">Ent\u00e3o atribuir um nome ao outro mant\u00e9m nosso lugar seguro: &#8220;\u00e9 louco&#8221;, &#8220;est\u00e1 perdido&#8221;, fica &#8220;l\u00e1 embaixo&#8221;. Ou seja, &#8220;n\u00e3o \u00e9 comigo&#8221;. S\u00e3o eles que est\u00e3o <em>Lost<\/em>, eu estou aqui, sentado confortavelmente na frente da televis\u00e3o, comendo pizza, tomando refrigerante. Do que ser\u00e1 feito esse tempero? Cenas dos pr\u00f3ximos cap\u00edtulos. Cenas dos cap\u00edtulos anteriores.<\/span><span style=\"font-family: Arial\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-indent: 34pt; text-align: justify\"><span style=\"font-family: Arial\">\u00c9 tamb\u00e9m por isso que <em>Lost<\/em> faz sentido. N\u00e3o apenas porque descreve metaforicamente a situa\u00e7\u00e3o do mundo hoje, mas porque sempre se pode pensar que o que est\u00e1 ali n\u00e3o \u00e9 verdade, enquanto eu, que tenho o controle remoto nas m\u00e3os, sou dono da verdade, tenha ou n\u00e3o que trabalhar amanh\u00e3, tenha ou n\u00e3o que dar um sentido e uma conclus\u00e3o minimamente interessantes ao que escrevo, penso e vivo. Eu \u00e9 que existo, eles n\u00e3o. A menos que eles possam me ver na tev\u00ea e me desligar com o controle remoto, mas isso \u00e9 um absurdo.<script><!-- D([\"mb\",\"u003c\/spanu003eu003c\/pu003eu003cbru003enu003cp styleu003d\"text-indent:34pt;text-align:justify\"u003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003eNonentanto, a mente infantil \u00e9 capaz de crer nisso. Crer que Deus \u00e9 donondo controle remoto que pode desligar todas as hist\u00f3rias em todas asntelevis\u00f5es, ou que o detentor da suprema realidade \u00e9 aquele que podenderradeiramente determinar se existimos ou n\u00e3o, e se vivemos os tr\u00easntempos ou apenas um deles, se seremos fen\u00f4meno ou n\u00e3o. Pelo menosnachamos que s\u00f3 a mente infantil \u00e9 capaz disso.u003c\/spanu003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003e\u00a0u003c\/spanu003eu003c\/pu003eu003cbru003enu003cp styleu003d\"text-indent:34pt;text-align:justify\"u003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003ePode-senpensar que s\u00e3o divaga\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas de um diletante, talvez algu\u00e9mnque leu demais ou de menos, e n\u00e3o chegou \u00e0 conclus\u00e3o alguma \u2013 ali\u00e1s,ndif\u00edcil chegar a qualquer conclus\u00e3o simplesmente lendo.u003c\/spanu003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003e\u00a0u003c\/spanu003eu003c\/pu003eu003cbru003enu003cp styleu003d\"text-indent:34pt;text-align:justify\"u003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003e\u00c9 preciso viver, \u00e9 preciso escrever no livro da vida, \u00e9 preciso no livro da vida se u003ciu003einscreveru003c\/iu003e.u003c\/spanu003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003e\u00a0u003c\/spanu003eu003c\/pu003ennnu003cbru003enu003cp styleu003d\"text-indent:34pt;text-align:justify\"u003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003ePornisso Jung reputava t\u00e3o vital para o ser e a individua\u00e7\u00e3o as rotinas danvida, essa circunst\u00e2ncia de ter algo a que se agarrar, essa refer\u00eanciana partir da qual podemos nos determinar como humanos aut\u00eanticos, quenPhilip Dick faz quest\u00e3o de citar em seu texto u003ciu003eComo Construir Um Universo Que N\u00e3o Se Despeda\u00e7a Dois Dias Depois.u003c\/iu003eu003c\/spanu003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003e\u00a0u003c\/spanu003eu003c\/pu003eu003cbru003enu003cp styleu003d\"text-indent:34pt;text-align:justify\"u003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003eTer uma fam\u00edlia, algu\u00e9m a quem amamos; uma miss\u00e3o na vida; um cachorro, talvez um urso de pel\u00facia. \u00c9 outro aspecto de u003ciu003eLostu003c\/iu003encujos personagens sentem falta, a rotina da vida cotidiana. No entanto,nem Roma, fazer como os romanos. \u00c9 preciso adaptar-se \u00e0 vida tamb\u00e9m,ncriando rotinas. Quanto ao cachorro, Jung cita, quando fala da u003ciu003eparticipation mistiqueu003c\/iu003e:nu0026quot;voc\u00ea e seu cachorro no escurou0026quot;. Ter algu\u00e9m (ou algo) a quem (ou aonqual) se agarrar mesmo na escurid\u00e3o \u2013 embora possamos pensar que nonescuro \u00e9 muito f\u00e1cil criar participa\u00e7\u00e3o m\u00edstica com o que quer que seja.\",1] );  \/\/--><\/script><\/span><\/p>\n<p style=\"text-indent: 34pt; text-align: justify\"><span style=\"font-family: Arial\">No entanto, a mente infantil \u00e9 capaz de crer nisso. Crer que Deus \u00e9 dono do controle remoto que pode desligar todas as hist\u00f3rias em todas as televis\u00f5es, ou que o detentor da suprema realidade \u00e9 aquele que pode derradeiramente determinar se existimos ou n\u00e3o, e se vivemos os tr\u00eas tempos ou apenas um deles, se seremos fen\u00f4meno ou n\u00e3o. Pelo menos achamos que s\u00f3 a mente infantil \u00e9 capaz disso.<\/span><span style=\"font-family: Arial\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-indent: 34pt; text-align: justify\"><span style=\"font-family: Arial\">Pode-se pensar que s\u00e3o divaga\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas de um diletante, talvez algu\u00e9m que leu demais ou de menos, e n\u00e3o chegou \u00e0 conclus\u00e3o alguma \u2013 ali\u00e1s, dif\u00edcil chegar a qualquer conclus\u00e3o simplesmente lendo.<\/span><span style=\"font-family: Arial\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-indent: 34pt; text-align: justify\"><span style=\"font-family: Arial\">\u00c9 preciso viver, \u00e9 preciso escrever no livro da vida, \u00e9 preciso no livro da vida se <em>inscrever<\/em>.<\/span><span style=\"font-family: Arial\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-indent: 34pt; text-align: justify\"><span style=\"font-family: Arial\">Por isso Jung reputava t\u00e3o vital para o ser e a individua\u00e7\u00e3o as rotinas da vida, essa circunst\u00e2ncia de ter algo a que se agarrar, essa refer\u00eancia a partir da qual podemos nos determinar como humanos aut\u00eanticos, que Philip Dick faz quest\u00e3o de citar em seu texto <em>Como Construir Um Universo Que N\u00e3o Se Despeda\u00e7a Dois Dias Depois.<\/em><\/span><span style=\"font-family: Arial\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-indent: 34pt; text-align: justify\"><span style=\"font-family: Arial\">Ter uma fam\u00edlia, algu\u00e9m a quem amamos; uma miss\u00e3o na vida; um cachorro, talvez um urso de pel\u00facia. \u00c9 outro aspecto de <em>Lost<\/em> cujos personagens sentem falta, a rotina da vida cotidiana. No entanto, em Roma, fazer como os romanos. \u00c9 preciso adaptar-se \u00e0 vida tamb\u00e9m, criando rotinas. Quanto ao cachorro, Jung cita, quando fala da <em>participation mistique<\/em>: &#8220;voc\u00ea e seu cachorro no escuro&#8221;. Ter algu\u00e9m (ou algo) a quem (ou ao qual) se agarrar mesmo na escurid\u00e3o \u2013 embora possamos pensar que no escuro \u00e9 muito f\u00e1cil criar participa\u00e7\u00e3o m\u00edstica com o que quer que seja.<script><!-- D([\"mb\",\"u003c\/spanu003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003e\u00a0u003c\/spanu003eu003c\/pu003eu003cbru003enu003cp styleu003d\"text-indent:34pt;text-align:justify\"u003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003ePornisso tamb\u00e9m encontramos proje\u00e7\u00f5es: encontramos no mundo os aspectos quennos permitem fazer nele nossas almas, \u00e0 semelhan\u00e7a do que Hillmanndisse, que u0026quot;o mundo \u00e9 lugar de fazer almau0026quot;.u003c\/spanu003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003e\u00a0u003c\/spanu003eu003c\/pu003eu003cbru003enu003cp styleu003d\"text-indent:34pt;text-align:justify\"u003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003eReconhecemo-nosntamb\u00e9m no mundo, para que possamos nos reconhecer em n\u00f3s mesmos:nperdidos, para que possamos nos descobrir. A Ora\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Francisco denAssis \u00e9 neste aspecto uma li\u00e7\u00e3o de sabedoria: u0026quot;Que eu procure mais...u0026quot;nfazer do que ser feito \u2013 amar que ser amado, compreender que serncompreendido. Levar a luz \u00e0s trevas, a esperan\u00e7a ao desespero. Serncapaz de viver a realidade e n\u00e3o a ilus\u00e3o, e ser capaz de manifestar,nna ilus\u00e3o, a realidade. Coisas t\u00e3o simples quando escritas e t\u00e3onincrivelmente dif\u00edceis na realidade.u003c\/spanu003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003e\u00a0u003c\/spanu003eu003c\/pu003eu003cbru003enu003cp styleu003d\"text-indent:34pt;text-align:justify\"u003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003eu0026quot;Poisn\u00e9 morrendo que se vive...u0026quot;, porque, ao chegar l\u00e1 embaixo, ou nosnlimites dessa situa\u00e7\u00e3o, com freq\u00fc\u00eancia surge uma oportunidadenmaravilhosa, algo que, dado um m\u00ednimo de percep\u00e7\u00e3o, nos i\u00e7a de volta aonlimiar da consci\u00eancia e nos permite retornar \u00e0 vida. Perdidos, poisnprecisamos ser encontrados.u003c\/spanu003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003e\u00a0u003c\/spanu003eu003c\/pu003eu003cbru003enu003cp styleu003d\"text-indent:34pt;text-align:justify\"u003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003eAssim \u00e9 que u003ciu003eLostu003c\/iu003en\u00e9 um apelo, um chamado de e para o homem moderno. N\u00e3o \u00e9 para os que j\u00e1nsabem se sustentar e viver de si mesmos: os personagens s\u00e3o tontos dancidade moderna que mal sabem o que fazer no mato: um m\u00e9dico que n\u00e3onconsegue reconhecer nas plantas \u00e0 sua volta as subst\u00e2ncias de que anmedicina depende; um construtor que encontra uma paisagem nua, mas n\u00e3onquer construir nela, quer voltar para a u0026quot;civiliza\u00e7\u00e3ou0026quot;, onde tudo j\u00e1nparece estar constru\u00eddo. N\u00e3o h\u00e1 um padre, n\u00e3o sabem sequer fazer umnritual f\u00fanebre, o que equivale a dizer que n\u00e3o t\u00eam respeito suficientenpelos mortos, e isso tamb\u00e9m que nossa sociedade perdeu a liga\u00e7\u00e3o comnseu pr\u00f3prio passado.\",1] );  \/\/--><\/script><\/span><span style=\"font-family: Arial\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-indent: 34pt; text-align: justify\"><span style=\"font-family: Arial\">Por isso tamb\u00e9m encontramos proje\u00e7\u00f5es: encontramos no mundo os aspectos que nos permitem fazer nele nossas almas, \u00e0 semelhan\u00e7a do que Hillman disse, que &#8220;o mundo \u00e9 lugar de fazer alma&#8221;.<\/span><span style=\"font-family: Arial\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-indent: 34pt; text-align: justify\"><span style=\"font-family: Arial\">Reconhecemo-nos tamb\u00e9m no mundo, para que possamos nos reconhecer em n\u00f3s mesmos: perdidos, para que possamos nos descobrir. A Ora\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Francisco de Assis \u00e9 neste aspecto uma li\u00e7\u00e3o de sabedoria: &#8220;Que eu procure mais&#8230;&#8221; fazer do que ser feito \u2013 amar que ser amado, compreender que ser compreendido. Levar a luz \u00e0s trevas, a esperan\u00e7a ao desespero. Ser capaz de viver a realidade e n\u00e3o a ilus\u00e3o, e ser capaz de manifestar, na ilus\u00e3o, a realidade. Coisas t\u00e3o simples quando escritas e t\u00e3o incrivelmente dif\u00edceis na realidade.<\/span><span style=\"font-family: Arial\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-indent: 34pt; text-align: justify\"><span style=\"font-family: Arial\">&#8220;Pois \u00e9 morrendo que se vive&#8230;&#8221;, porque, ao chegar l\u00e1 embaixo, ou nos limites dessa situa\u00e7\u00e3o, com freq\u00fc\u00eancia surge uma oportunidade maravilhosa, algo que, dado um m\u00ednimo de percep\u00e7\u00e3o, nos i\u00e7a de volta ao limiar da consci\u00eancia e nos permite retornar \u00e0 vida. Perdidos, pois precisamos ser encontrados.<\/span><span style=\"font-family: Arial\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-indent: 34pt; text-align: justify\"><span style=\"font-family: Arial\">Assim \u00e9 que <em>Lost<\/em> \u00e9 um apelo, um chamado de e para o homem moderno. N\u00e3o \u00e9 para os que j\u00e1 sabem se sustentar e viver de si mesmos: os personagens s\u00e3o tontos da cidade moderna que mal sabem o que fazer no mato: um m\u00e9dico que n\u00e3o consegue reconhecer nas plantas \u00e0 sua volta as subst\u00e2ncias de que a medicina depende; um construtor que encontra uma paisagem nua, mas n\u00e3o quer construir nela, quer voltar para a &#8220;civiliza\u00e7\u00e3o&#8221;, onde tudo j\u00e1 parece estar constru\u00eddo. N\u00e3o h\u00e1 um padre, n\u00e3o sabem sequer fazer um ritual f\u00fanebre, o que equivale a dizer que n\u00e3o t\u00eam respeito suficiente pelos mortos, e isso tamb\u00e9m que nossa sociedade perdeu a liga\u00e7\u00e3o com seu pr\u00f3prio passado.<script><!-- D([\"mb\",\"u003c\/spanu003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003e\u00a0u003c\/spanu003eu003c\/pu003eu003cbru003enu003cp styleu003d\"text-indent:34pt;text-align:justify\"u003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003eH\u00e1 em u003ciu003eLost u003c\/iu003edoisnhomens que sabem fazer muitas coisas: um era paral\u00edtico na sociedadenmoderna; vivia amarrado a uma cadeira de rodas, enganado pelo pr\u00f3prionpai e pela pr\u00f3pria m\u00e3eu003csupu003e7u003c\/supu003e, trabalhando em uma f\u00e1brica dencaixas de papel, sonhando em ser um grande explorador, um ca\u00e7ador e umns\u00e1bio, coisa que se torna ao se encontrar na ilha, um rei, com um olhonem terra de cegos. O outro, um iraquiano, ex-torturador na GuardanRepublicana do Iraque, aprendeu em seu of\u00edcio de guerra a refletirnsobre o valor da vida e do amor; parece por vezes ter mais considera\u00e7\u00e3onpelo ser humano do que os u0026quot;civilizadosu0026quot;. \u00c9 dos \u00e1rabes que vem denresgate a u003ciu003ealquimiau003c\/iu003e, de descoberta a u003ciu003e\u00e1lgebrau003c\/iu003e, de inven\u00e7\u00e3o o u003ciu003ealgarismou003c\/iu003enentre outros objetos das ci\u00eancias cuja perspectiva inicial foi perdidande vista pela civiliza\u00e7\u00e3o fragment\u00e1ria que esqueceu o rumo e caiu, emnpleno v\u00f4o, rumo a uma ilha onde \u00e9 obrigat\u00f3rio reconhecer que n\u00e3o \u00e9nposs\u00edvel viver s\u00f3. H\u00e1 uma mulher, coreana, que sabe cultivar plantas, enserve de elo entre o oriente e o ocidente. Seu marido, coreano tamb\u00e9m,n\u00e9 o \u00fanico que parece saber alguma coisa sobre a pesca. Ambosnrepresentam, relutantemente, liga\u00e7\u00f5es entre o homem e a natureza \u2013 osnocidentais falam de ecologia, mas sua cultura \u00e9 aquela que mais sendistancia dela.u003c\/spanu003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003e\u00a0u003c\/spanu003eu003c\/pu003eu003cbru003enu003cp styleu003d\"text-indent:34pt;text-align:justify\"u003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003eTaisnpersonagens sugerem que aquilo que em nossa civiliza\u00e7\u00e3o pode darncondi\u00e7\u00f5es de conhecimento de si mesmo est\u00e1 engessado. A exemplo disso onm\u00e9dico, que \u00e9 o l\u00edder da turma toda, est\u00e1 constantemente envolto emnquest\u00f5es que o fazem questionar sua pr\u00f3pria capacidade de decidir,ntanto quanto a de crer. \u00c9 que a ci\u00eancia tamb\u00e9m est\u00e1 engessando ancriatividade humana, na medida em que constr\u00f3i impedimentos \u00e0 f\u00e9, poisntoda cria\u00e7\u00e3o parte de um ato de f\u00e9. Se o ser humano n\u00e3o puder ter onnuminoso como elemento fundamental de sua exist\u00eancia, ser\u00e1 dif\u00edcilnjustificar qualquer de seus inventos.\",1] );  \/\/--><\/script><\/span><span style=\"font-family: Arial\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-indent: 34pt; text-align: justify\"><span style=\"font-family: Arial\">H\u00e1 em <em>Lost <\/em>dois homens que sabem fazer muitas coisas: um era paral\u00edtico na sociedade moderna; vivia amarrado a uma cadeira de rodas, enganado pelo pr\u00f3prio pai e pela pr\u00f3pria m\u00e3e<sup>7<\/sup>, trabalhando em uma f\u00e1brica de caixas de papel, sonhando em ser um grande explorador, um ca\u00e7ador e um s\u00e1bio, coisa que se torna ao se encontrar na ilha, um rei, com um olho em terra de cegos. O outro, um iraquiano, ex-torturador na Guarda Republicana do Iraque, aprendeu em seu of\u00edcio de guerra a refletir sobre o valor da vida e do amor; parece por vezes ter mais considera\u00e7\u00e3o pelo ser humano do que os &#8220;civilizados&#8221;. \u00c9 dos \u00e1rabes que vem de resgate a <em>alquimia<\/em>, de descoberta a <em>\u00e1lgebra<\/em>, de inven\u00e7\u00e3o o <em>algarismo<\/em> entre outros objetos das ci\u00eancias cuja perspectiva inicial foi perdida de vista pela civiliza\u00e7\u00e3o fragment\u00e1ria que esqueceu o rumo e caiu, em pleno v\u00f4o, rumo a uma ilha onde \u00e9 obrigat\u00f3rio reconhecer que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel viver s\u00f3. H\u00e1 uma mulher, coreana, que sabe cultivar plantas, e serve de elo entre o oriente e o ocidente. Seu marido, coreano tamb\u00e9m, \u00e9 o \u00fanico que parece saber alguma coisa sobre a pesca. Ambos representam, relutantemente, liga\u00e7\u00f5es entre o homem e a natureza \u2013 os ocidentais falam de ecologia, mas sua cultura \u00e9 aquela que mais se distancia dela.<\/span><span style=\"font-family: Arial\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-indent: 34pt; text-align: justify\"><span style=\"font-family: Arial\">Tais personagens sugerem que aquilo que em nossa civiliza\u00e7\u00e3o pode dar condi\u00e7\u00f5es de conhecimento de si mesmo est\u00e1 engessado. A exemplo disso o m\u00e9dico, que \u00e9 o l\u00edder da turma toda, est\u00e1 constantemente envolto em quest\u00f5es que o fazem questionar sua pr\u00f3pria capacidade de decidir, tanto quanto a de crer. \u00c9 que a ci\u00eancia tamb\u00e9m est\u00e1 engessando a criatividade humana, na medida em que constr\u00f3i impedimentos \u00e0 f\u00e9, pois toda cria\u00e7\u00e3o parte de um ato de f\u00e9. Se o ser humano n\u00e3o puder ter o numinoso como elemento fundamental de sua exist\u00eancia, ser\u00e1 dif\u00edcil justificar qualquer de seus inventos.<script><!-- D([\"mb\",\"u003c\/spanu003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003e\u00a0u003c\/spanu003eu003c\/pu003eu003cbru003enu003cp styleu003d\"text-indent:34pt;text-align:justify\"u003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003eIssontamb\u00e9m faz lembrar o Egito, cuja civiliza\u00e7\u00e3o durou milhares de anos: onn\u00fameno era o elemento fundamental, central, da constru\u00e7\u00e3o danciviliza\u00e7\u00e3o eg\u00edpcia. Ali\u00e1s, os grandes monumentos da hist\u00f3rianrepresentam n\u00e3o o que h\u00e1 de cotidiano e banal no homem, mas o que est\u00e1nmuito al\u00e9m da aspira\u00e7\u00e3o di\u00e1ria. S\u00e3o representantes das u0026quot;esferas fixasu0026quot;nem torno das quais gira o universo, segundo Hermes Trismegistus; s\u00e3ontamb\u00e9m elementos a priori, n\u00e3o fun\u00e7\u00f5es, mas coisas anteriores mesmo \u00e0snid\u00e9ias; s\u00e3o geradores de id\u00e9ias, u003ciu003eideaisu003c\/iu003e; u003ciu003earqu\u00e9tiposu003c\/iu003e, fundamentos da vida.u003c\/spanu003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003e\u00a0u003c\/spanu003eu003c\/pu003eu003cbru003enu003cp styleu003d\"text-indent:34pt;text-align:justify\"u003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003eOnapelo de Jung est\u00e1 mais vivo do que nunca. \u00c9 preciso conferir a todosnos atos da vida o fundamento ps\u00edquico, para que as coisas sejam aquilonque na verdade s\u00e3o, isto \u00e9, representantes do ser e facilitadores dondevir.u003c\/spanu003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003e\u00a0u003c\/spanu003eu003c\/pu003eu003cbru003enu003cpu003eu003cspan styleu003d\"font-family:Arial\"u003eE pareceu-me, enfim, que estas est\u00e3o entre as principais raz\u00f5es do sucesso u0026quot;fenom\u00eanicou0026quot; de u003ciu003eLostu003c\/iu003e:n\u00e9 que por tr\u00e1s do fen\u00f4meno est\u00e1 o n\u00fameno, e este impulsiona \u00e0quele, semno qual o fen\u00f4meno, destitu\u00eddo de alma, torna-se, no m\u00e1ximo, simplesnu0026quot;coincid\u00eanciau0026quot;. Em u003ciu003eLostu003c\/iu003e a princ\u00edpio parece n\u00e3o havernn\u00fameno entre os sobreviventes do v\u00f4o que caiu, mas h\u00e1 a floresta, anilha, o oceano, os perigos, e todos paulatinamente se revelamninterrelacionados, al\u00e9m do presente, com o passado dos sobreviventes enseus destinos. Pois parece ser preciso destacar para o ser humano umansitua\u00e7\u00e3o que lhe ofere\u00e7a um deslocamento em rela\u00e7\u00e3o ao seu cotidianonpara que possa perceber, nas entrelinhas, o que tamb\u00e9m est\u00e1 presente noncotidiano, mas que \u00e9 t\u00e3o invis\u00edvel, porque estamos perceptivamentenembotados em rela\u00e7\u00e3o a nossa vida di\u00e1ria, e esse embotamento \u00e9 t\u00e3onend\u00eamico, t\u00e3o subjacente a esta nossa sociedade, que o u0026quot;mal do s\u00e9culou0026quot;n\u2013 segundo se dizia no in\u00edcio do ano 2000 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 depress\u00e3o \u2013 n\u00e3onfoi resolvido, nem sequer foi conhecido como elemento necess\u00e1rio \u00e0ntransforma\u00e7\u00e3o social. \",1] );  \/\/--><\/script><\/span><span style=\"font-family: Arial\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-indent: 34pt; text-align: justify\"><span style=\"font-family: Arial\">Isso tamb\u00e9m faz lembrar o Egito, cuja civiliza\u00e7\u00e3o durou milhares de anos: o n\u00fameno era o elemento fundamental, central, da constru\u00e7\u00e3o da civiliza\u00e7\u00e3o eg\u00edpcia. Ali\u00e1s, os grandes monumentos da hist\u00f3ria representam n\u00e3o o que h\u00e1 de cotidiano e banal no homem, mas o que est\u00e1 muito al\u00e9m da aspira\u00e7\u00e3o di\u00e1ria. S\u00e3o representantes das &#8220;esferas fixas&#8221; em torno das quais gira o universo, segundo Hermes Trismegistus; s\u00e3o tamb\u00e9m elementos a priori, n\u00e3o fun\u00e7\u00f5es, mas coisas anteriores mesmo \u00e0s id\u00e9ias; s\u00e3o geradores de id\u00e9ias, <em>ideais<\/em>; <em>arqu\u00e9tipos<\/em>, fundamentos da vida.<\/span><span style=\"font-family: Arial\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-indent: 34pt; text-align: justify\"><span style=\"font-family: Arial\">O apelo de Jung est\u00e1 mais vivo do que nunca. \u00c9 preciso conferir a todos os atos da vida o fundamento ps\u00edquico, para que as coisas sejam aquilo que na verdade s\u00e3o, isto \u00e9, representantes do ser e facilitadores do devir.<\/span><span style=\"font-family: Arial\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial\">E pareceu-me, enfim, que estas est\u00e3o entre as principais raz\u00f5es do sucesso &#8220;fenom\u00eanico&#8221; de <em>Lost<\/em>: \u00e9 que por tr\u00e1s do fen\u00f4meno est\u00e1 o n\u00fameno, e este impulsiona \u00e0quele, sem o qual o fen\u00f4meno, destitu\u00eddo de alma, torna-se, no m\u00e1ximo, simples &#8220;coincid\u00eancia&#8221;. Em <em>Lost<\/em> a princ\u00edpio parece n\u00e3o haver n\u00fameno entre os sobreviventes do v\u00f4o que caiu, mas h\u00e1 a floresta, a ilha, o oceano, os perigos, e todos paulatinamente se revelam interrelacionados, al\u00e9m do presente, com o passado dos sobreviventes e seus destinos. Pois parece ser preciso destacar para o ser humano uma situa\u00e7\u00e3o que lhe ofere\u00e7a um deslocamento em rela\u00e7\u00e3o ao seu cotidiano para que possa perceber, nas entrelinhas, o que tamb\u00e9m est\u00e1 presente no cotidiano, mas que \u00e9 t\u00e3o invis\u00edvel, porque estamos perceptivamente embotados em rela\u00e7\u00e3o a nossa vida di\u00e1ria, e esse embotamento \u00e9 t\u00e3o end\u00eamico, t\u00e3o subjacente a esta nossa sociedade, que o &#8220;mal do s\u00e9culo&#8221; \u2013 segundo se dizia no in\u00edcio do ano 2000 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 depress\u00e3o \u2013 n\u00e3o foi resolvido, nem sequer foi conhecido como elemento necess\u00e1rio \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o social. <script><!-- D([\"mb\",\"u003cbru003eu003c\/spanu003eu003c\/pu003eu003cbru003enu003cpu003eu003csupu003eu003cspan styleu003d\"font-size:9pt;font-family:Arial\"u003e1u003c\/spanu003eu003c\/supu003eu003cspan styleu003d\"font-size:9pt;font-family:Arial\"u003e\u00a0Numande conversa de bar em Sidney, o pai de um dos protagonistas \u2013 o m\u00e9diconJack \u2013 conversa com outros dos protagonistas, Sawyer, sobre a bebida ena Austr\u00e1lia, em um u003ciu003eflashbacku003c\/iu003e da passagem de Sawyer pela Autr\u00e1lia.u003c\/spanu003eu003c\/pu003eu003cbru003enu003cpu003eu003csupu003eu003cspan styleu003d\"font-size:9pt;font-family:Arial\"u003e2u003c\/spanu003eu003c\/supu003eu003cspan styleu003d\"font-size:9pt;font-family:Arial\"u003e\u00a0S\u00e3ontr\u00eas filmes: O Cubo, o Cubo Dois e o Cubo Zero, que cronologicamente sensitua antes do u0026quot;Cubou0026quot;, mas foi o \u00faltimo a ser produzido.u003c\/spanu003eu003c\/pu003eu003cbru003enu003cpu003eu003csupu003eu003cspan styleu003d\"font-size:9pt;font-family:Arial\"u003e3u003c\/spanu003eu003c\/supu003eu003cspan styleu003d\"font-size:9pt;font-family:Arial\"u003e\u00a0Muitangente considera obra do acaso o fato de que estamos, uns sete bilh\u00f5esnde habitantes humanos e outros tantos seres vivos, neste mesmo planeta,ncom tantos lugares no universo para se estar!u003c\/spanu003eu003c\/pu003eu003cbru003enu003cpu003eu003csupu003eu003cspan styleu003d\"font-size:9pt;font-family:Arial\"u003e4u003c\/spanu003eu003c\/supu003eu003cspan styleu003d\"font-size:9pt;font-family:Arial\"u003e\u00a0Assim como \u00e9 um dos graus da u003ciu003epercep\u00e7\u00e3ou003c\/iu003e da realidade.u003c\/spanu003eu003c\/pu003ennnu003cbru003enu003cpu003eu003csupu003eu003cspan styleu003d\"font-size:9pt;font-family:Arial\"u003e5u003c\/spanu003eu003c\/supu003eu003cspan styleu003d\"font-size:9pt;font-family:Arial\"u003e\u00a0Ser s\u00e3o, ali\u00e1s, n\u00e3o significa que aquilo que percebemos \u00e9 aquilo que \u00e9 \u2013 longe disso.u003c\/spanu003eu003c\/pu003ennnu003cbru003enu003cpu003eu003csupu003eu003cspan styleu003d\"font-size:9pt;font-family:Arial\"u003e6u003c\/spanu003eu003c\/supu003eu003cspan styleu003d\"font-size:9pt;font-family:Arial\"u003e\u00a0Ali\u00e1s,nem termos ps\u00edquicos isso \u00e9 poss\u00edvel, ou n\u00e3o ter\u00edamos formulado anhip\u00f3tese. Se pode ser escrito, \u00e9 porque pode ser imaginado. Muitasncoisas podem ocorrer no campo da psique, embora nunca se manifestem,nsabem isso pelo menos os junguianos. Da\u00ed que a realidade ps\u00edquica \u00e9 t\u00e3onmais abrangente que a f\u00edsica, porque a \u00faltima \u00e9 manifesta, mas anprimeira est\u00e1 no campo da cria\u00e7\u00e3o das coisas.u003c\/spanu003eu003c\/pu003eu003cbru003enu003cpu003eu003csupu003eu003cspan styleu003d\"font-size:9pt;font-family:Arial\"u003e7u003c\/spanu003eu003c\/supu003eu003cspan styleu003d\"font-size:9pt;font-family:Arial\"u003e\u00a0Numndos epis\u00f3dios, j\u00e1 adulto, ap\u00f3s anos de vida como \u00f3rf\u00e3o, \u00e9 enganado pornsua m\u00e3e e pai de modo a doar um dos rins para o pai; em seguida \u00e9 postonde lado. No entanto, na ilha \u00e9 o maior portador da f\u00e9. Acredita numnaspecto transcendental da vida que o reabilitou.\",1] );  \/\/--><\/script><br \/>\n<\/span><br \/>\n<sup><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Arial\">1<\/span><\/sup><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Arial\">\u00a0Numa de conversa de bar em Sidney, o pai de um dos protagonistas \u2013 o m\u00e9dico Jack \u2013 conversa com outros dos protagonistas, Sawyer, sobre a bebida e a Austr\u00e1lia, em um <em>flashback<\/em> da passagem de Sawyer pela Autr\u00e1lia.<\/span><br \/>\n<sup><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Arial\">2<\/span><\/sup><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Arial\">\u00a0S\u00e3o tr\u00eas filmes: O Cubo, o Cubo Dois e o Cubo Zero, que cronologicamente se situa antes do &#8220;Cubo&#8221;, mas foi o \u00faltimo a ser produzido.<\/span><br \/>\n<sup><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Arial\">3<\/span><\/sup><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Arial\">\u00a0Muita gente considera obra do acaso o fato de que estamos, uns sete bilh\u00f5es de habitantes humanos e outros tantos seres vivos, neste mesmo planeta, com tantos lugares no universo para se estar!<\/span><br \/>\n<sup><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Arial\">4<\/span><\/sup><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Arial\">\u00a0Assim como \u00e9 um dos graus da <em>percep\u00e7\u00e3o<\/em> da realidade.<\/span><br \/>\n<sup><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Arial\">5<\/span><\/sup><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Arial\">\u00a0Ser s\u00e3o, ali\u00e1s, n\u00e3o significa que aquilo que percebemos \u00e9 aquilo que \u00e9 \u2013 longe disso.<\/span><br \/>\n<sup><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Arial\">6<\/span><\/sup><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Arial\">\u00a0Ali\u00e1s, em termos ps\u00edquicos isso \u00e9 poss\u00edvel, ou n\u00e3o ter\u00edamos formulado a hip\u00f3tese. Se pode ser escrito, \u00e9 porque pode ser imaginado. Muitas coisas podem ocorrer no campo da psique, embora nunca se manifestem, sabem isso pelo menos os junguianos. Da\u00ed que a realidade ps\u00edquica \u00e9 t\u00e3o mais abrangente que a f\u00edsica, porque a \u00faltima \u00e9 manifesta, mas a primeira est\u00e1 no campo da cria\u00e7\u00e3o das coisas.<\/span><br \/>\n<sup><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Arial\">7<\/span><\/sup><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Arial\">\u00a0Num dos epis\u00f3dios, j\u00e1 adulto, ap\u00f3s anos de vida como \u00f3rf\u00e3o, \u00e9 enganado por sua m\u00e3e e pai de modo a doar um dos rins para o pai; em seguida \u00e9 posto de lado. No entanto, na ilha \u00e9 o maior portador da f\u00e9. Acredita num aspecto transcendental da vida que o reabilitou.<\/span><\/p>\n<div class=\"sharedaddy sd-sharing-enabled\"><div class=\"robots-nocontent sd-block sd-social sd-social-icon-text sd-sharing\"><h3 class=\"sd-title\">Compartilhe isso:<\/h3><div class=\"sd-content\"><ul><li class=\"share-print\"><a rel=\"nofollow noopener noreferrer\" data-shared=\"\" class=\"share-print sd-button share-icon\" href=\"https:\/\/terapiabiografica.com.br\/blog\/2008\/02\/a-experiencia-de-estar-perdido-psicologia-de-lost\/\" target=\"_blank\" title=\"Clique para imprimir\" ><span>Imprimir<\/span><\/a><\/li><li class=\"share-email\"><a rel=\"nofollow noopener noreferrer\" data-shared=\"\" class=\"share-email sd-button share-icon\" href=\"mailto:?subject=%5BPost%20compartilhado%5D%20A%20Experi%C3%AAncia%20de%20Estar%20Perdido%20-%20Psicologia%20de%20Lost&body=https%3A%2F%2Fterapiabiografica.com.br%2Fblog%2F2008%2F02%2Fa-experiencia-de-estar-perdido-psicologia-de-lost%2F&share=email\" target=\"_blank\" title=\"Clique para enviar um link por e-mail para um amigo\" data-email-share-error-title=\"Voc\u00ea tem algum e-mail configurado?\" data-email-share-error-text=\"Se voc\u00ea est\u00e1 tendo problemas para compartilhar por e-mail, \u00e9 poss\u00edvel que voc\u00ea n\u00e3o tenha configurado o e-mail para seu navegador. 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Para determinar alguma medida do meu desconcerto \u2013 \u00e9 de rir, mas \u00e9 verdade, o fato de que nunca sabemos a exata extens\u00e3o em que estamos perdidos; caso contr\u00e1rio seria muito f\u00e1cil reencontrar o caminho [&hellip;]<\/p>\n<div class=\"sharedaddy sd-sharing-enabled\"><div class=\"robots-nocontent sd-block sd-social sd-social-icon-text sd-sharing\"><h3 class=\"sd-title\">Compartilhe isso:<\/h3><div class=\"sd-content\"><ul><li class=\"share-print\"><a rel=\"nofollow noopener noreferrer\" data-shared=\"\" class=\"share-print sd-button share-icon\" href=\"https:\/\/terapiabiografica.com.br\/blog\/2008\/02\/a-experiencia-de-estar-perdido-psicologia-de-lost\/\" target=\"_blank\" title=\"Clique para imprimir\" ><span>Imprimir<\/span><\/a><\/li><li class=\"share-email\"><a rel=\"nofollow noopener noreferrer\" data-shared=\"\" class=\"share-email sd-button share-icon\" href=\"mailto:?subject=%5BPost%20compartilhado%5D%20A%20Experi%C3%AAncia%20de%20Estar%20Perdido%20-%20Psicologia%20de%20Lost&body=https%3A%2F%2Fterapiabiografica.com.br%2Fblog%2F2008%2F02%2Fa-experiencia-de-estar-perdido-psicologia-de-lost%2F&share=email\" target=\"_blank\" title=\"Clique para enviar um link por e-mail para um amigo\" data-email-share-error-title=\"Voc\u00ea tem algum e-mail configurado?\" data-email-share-error-text=\"Se voc\u00ea est\u00e1 tendo problemas para compartilhar por e-mail, \u00e9 poss\u00edvel que voc\u00ea n\u00e3o tenha configurado o e-mail para seu navegador. 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